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Neymar não terá uma despedida da Seleção, como foi a espetacular de Messi, da Argentina. Por que não venceu com a camisa do Brasil

O mundo reverenciou o adeus de Messi da Seleção Argentina. Neymar também encerrou sua passagem pelo selecionado brasileiro. Com os mais de oito bilhões de patrimônio, pode até organizar com a CBF o adeus definitivo. Mas não há um sentimento genuíno de saudade do jogador do Santos com a camisa verde e amarela. E sim de frustração, pelo que poderia ter sido. E não foi...

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Neymar sabe que não terá a mesma despedida da Seleção como Messi teve ontem. Faltam conquistas Conmebol/Copa América 2021

São Paulo, Brasil

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A despedida de Messi da Seleção da Argentina foi espetacular.

Mais de 85 mil argentinos lotaram o estádio Monumental de Núñez para o confronto aleatório contra Benim.

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O amistoso foi contra um adversário que aceitou ser mero sparring do adeus especial.

Os torcedores plaudiram, vibraram e choraram pela última vez pelo maior ídolo da história argentina.

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Capaz de ultrapassar Maradona.

Lionel ganhou cinco títulos contra dois de Diego.

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Isso, desprezando a Olimpíada.

Foram 126 gols por sua seleção contra 34 gols daquele que foi seu treinador, em 2010.

Quem não se emocionou com as lágrimas de Messi, de Scaloni, dos demais jogadores argentinos, do respeito dos africanos, que perderam por 3 a 0, atuando sério, cientes de que participavam de um evento histórico.

Messi comemora com os companheiros o seu último gol com a camisa da seleção argentina REUTERS/Rodrigo Valle — 06.10.2026

Messi marcou um gol de pênalti e deu duas assistências.

Ele acompanhou o estádio inteiro, aplaudindo-o no minuto 10 da partida, que foi paralisada para homenageá-lo.

Fez um discurso mais do que especial.

Acompanhou drones reproduzindo a imagem que mais dá orgulho aos argentinos.

Levantando a taça pela Copa de 2022.

É pela falta dessa cena que Neymar não terá uma festa desta magnitude, ao se despedir oficialmente da Seleção.

Faltam conquistas.

Só a Copa das Confederações, com o time principal.

O futebol reverencia os vencedores.

Neymar se esforçou, deu o seu máximo. Sofreu sua pior contusão da carreira, rompimento dos ligamentos da perna esquerda, defendendo o Brasil.

Mas não conseguiu chegar sequer a uma final de Copa do Mundo.

Não venceu uma Copa América sequer.

A que decidiu, perdeu para a Argentina, de Messi, em pleno Maracanã. A derrota, em 2021, deu confiança para o time de Lionel ser tricampeão mundial, no ano seguinte, no Catar.

Foram quatro Copas que Neymar disputou. Foi nele que os torcedores brasileiros apostaram em uma reconquista de título.

Foram quatro desilusões.

No último Mundial que disputou, foi reserva.

Só venceu a enganosa Copa das Confederações de 2013, a que levou o Brasil a acreditar que venceria o Mundial de 2014, o do fatídico 7 a 1.

Neymar marcou 80 gols com a camisa da Seleção é o maior artilheiro. 27 de pênaltis. Foi ajudado com o maior número de jogos.

Desde 2011, Neymar foi o principal jogador do Brasil. Ao contrário de Messi, não teve o apoio de uma geração de personalidade, vibrante, talentosa.

Pelo contrário. Encontrou jogadores submissos, assustados com o poder midiático do jogador. Foram dois os primeiros atos de Neymar na Seleção. Orientados por Ronaldo Fenômeno.

Exigiu a camisa 10, que era de Oscar, e também quis ser o cobrador de pênaltis. Nada aconteceu naturalmente.

Sua força na CBF só cresceu. A ponto de os treinadores se tornarem também submissos a Neymar. Foi assim com Felipão, Dunga e, principalmente, Tite. Ancelotti também cedeu ao convocá-lo machucado. Ao menos o deixou na reserva, na Copa dos Estados Unidos.

Lionel Messi retribui o amor da torcida da Argentina em seu jogo de despedida da seleção REUTERS/Matias Baglietto — 06.10.2026

Os fracassos da Seleção com Neymar são o grande diferencial em relação a Messi. Não houve o que os brasileiros comemorarem com o camisa dez do Santos.

Só frustrações. A esmagadora maioria das vitórias do Brasil com Neymar foi diante de adversários insignificantes.

Além disso, não há tradição da CBF organizar grandes festas de despedidas para jogadores da Seleção. A mais decente foi a de Pelé, em 1971, em um amistoso contra a Iugoslávia, no Maracanã.

A de Romário acabou sendo modestíssima, no Pacaembu, contra a Guatemala. E a de Ronaldo também foi constrangedora, contra a Romênia.

O brasileiro se afastou da Seleção Brasileira, com as derrotas e frustrações desde 2002. Durante todo o período de Neymar.

Não há a menor dúvida de que, com o patrimônio de 8 bilhões de reais e ainda os seus mais de 280 milhões de seguidores, a festa de despedida de Neymar do futebol será épica.

Com direito a jogadores importantes de todo o planeta, show de Lady Gaga a Mumuzinho. Ele entrando no gramado de batmóvel, vestido de Batman, seu herói que tanto adora.

Toda a pirotecnia que sua fortuna puder proporcionar.

Neymar é um dos maiores ídolos midiáticos da história, isso não há dúvida. Pela carreira impressionante.

Mas nos clubes.

Não na Seleção Brasileira.

Por isso, seu adeus não será nada perto do que aconteceu ontem no Monumental de Núñez, com Messi.

Foi algo absolutamente incrível e espontâneo.

A AFA usou o dinheiro, sim, de uma seguradora, para organizar a festa. Mas o lado espontâneo esteve com os mais de 85 mil argentinos que compraram o ingresso do adeus em três horas.

E cantaram, aplaudiram e choraram por tudo que Messi fez por sua seleção.

Sim, Neymar tentou, tentou e tentou.

Mas não conseguiu.

Por isso não terá o adeus à Seleção parecido com o do ídolo argentino.

Culpa da geração que acompanhou a trajetória do brasileiro.

De jogadores, técnicos e dirigentes.

As coisas são como são.

Por isso, o mundo reverenciou ontem Lionel Messi pelo que conseguiu fazer por seu país.

Gracias, Leo...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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