CBF mostra a realidade para os ‘inocentes’ que ‘caíram’ no golpe de Mancuso. Diego Souza não pode trabalhar com diploma falso. R$ 100 mil por papéis inúteis
Mancuso, ex-jogador do Palmeiras e Flamengo, e que trabalhou como auxiliar de Maradona, na Seleção Argentina, vendia diplomas falsos da Associação de Técnicos de Futebol Argentino. O preço: R$ 100 mil. Para evitar três anos de estudo. Diego Souza já foi proibido de seguir como técnico do Joinville, pelo papel sem valor que apresentou como diploma, vendido pelo argentino. Há inocentes nessa história?

São Paulo, Brasil
Trocar três anos de estudo por R$ 100 mil.
E ter uma licença Pró como treinador, capaz de liberar o trabalho na Europa.
Avaliada pela Associação de Técnicos da Federação Argentina de futebol.
Oportunidade para quem ganhou milhões no futebol.
Só ingênuos, dos ingênuos, dos ingênuos para acreditarem que a proposta não era lícita, legal.
Mas neste país já houve quem comprasse terrenos baratos em alto mar e não reclamou, não procurou a justiça. Seria comprovar que sua vontade de levar vantagem o levou a cair em um golpe básico.
Foi assim que nomes consagrados do futebol brasileiro fizeram fila para pagar 20 mil dólares, cerca de R$ 100 mil, a Mancuso.
O argentino, ex-volante do Palmeiras e do Flamengo, auxiliar de Diego Maradona, na Copa de 2010, usava seu prestígio como ex-jogador e homem mais do que convincente, para enganar ex-atletas.
Usando a desculpa que a AFA, Associação de Futebol da Argentina, reconhecia que jogador profissional não precisaria de três anos de prática para ter o diploma.
Já bastariam os anos de carreira. E algumas aulas teóricas por vídeo.
R$ 100 mil e mais cópias dos documentos originais e o ‘milagre’ acontecia. Diploma ‘reconhecido’ pela Associação de Técnicos da Federação Argentina chegava na casa de quem pagou.
Sim, dez dias.
O golpe foi denunciado pela jornalista Joanna de Assis, ontem.
E já teve consequências hoje.
O departamento de registros da CBF checou e Diego Souza tinha apresentado o diploma falso da ATFA para assumir o Joinville. O registro foi obviamente cassado. Ele não pode trabalhar como treinador.
Thiago Silva, Roberto Carlos, Lugano, Alex, Felipe Melo, Paolo Guerrero, Petkovic, Paulinho, Roberto Assis (irmão de Ronaldinho Gaúcho), Luiz Gustavo foram alguns que comprar os diplomas falsos, das categorias C, B, A e Pro, que os liberariam para trabalhar até na Europa.
“Fechei com o nosso presidente da Federação Argentina, para que todas essas feras, que jogaram futebol, tenham um jeito de não fazer esse curso on line”, garantia Mancuso, em áudio gravado.
A AFA, presidida por Claudio Tapia, nega esse acordo. E a ATFA assume que os diplomas são falsos. Ambas as entidades garantem não ter qualquer vínculo com Mancuso.
O jornal Olé, especialista em esportes em Buenos Aires, ironiza a situação. Nos diplomas dos brasileiros de 2026, quem os assina é um diretor que deixou a entidade em 2020.
Ou seja, bastaria a mínima checagem para chegar à conclusão que os papéis não tinham a menor validade.
Alejandro Mancuso pode ser preso por crimes de estelionato e falsificação de documentos.
Diego Souza revelou como foi convencido por Mancuso.
‘Ele falou: ‘Fulano fez comingo, beltrano fez comigo. Um cara com todo histórico que ele tem no futebol, que jogou em grandes equipes, na Seleção Argentina, e falando de uma maneira bem clara, né?
‘Busquei informações com outros jogadores que já tinham recebido os documentos das mãos dele e aquilo fez que eu acreditasse.
‘Depois que tudo o que conquistei, fazer algo de errado dentro de uma profissão que me deu tudo?
‘Jamais imaginaria isso’, tenta se defender Diego Souza.
Suas desculpas não comoveram a CBF.
Ele não pode trabalhar como técnico.
Seu diploma é falso.
Foi um dos ‘inocentes’ enganados por Mancuso.
Certo?














