Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs
‌

Direção do Corinthians preocupada com os fracassos seguidos de Seedorf. Principalmente com o rebaixamento do La Coruña

Primeiro foi a comemoração por contratar um nome capaz de impressionar a mídia, a torcida. Só que, na análise fria, o espetacular jogador está muito longe do técnico sem resultados, utópico, que só pensa em atacar. Currículo: nenhum título e queda para a Segunda Divisão na Espanha. Fora o mais grave: sete anos sem trabalhar como treinador, por falta de convites

Cosme Rímoli|Cosme RímoliOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Clarence Seedorf como técnico do La Coruña Reprodução/Instagram/@clarenceseedorf

São Paulo, Brasil

Os companheiros de direção de Osmar Stabile estão assustados.

‌

Os homens que o apoiam na presidência do Corinthians viveram dois momentos. O primeiro, euforia, na manhã de domingo, quando souberam que os últimos detalhes com Seedorf foram resolvidos.

Ter como técnico do Corinthians uma das maiores estrelas do futebol mundial nos últimos 30 anos era espetacular em termos de marketing.

‌

A aura de homem vitorioso, com 22 títulos, único atleta da história a vencer três Champions League em três equipes diferentes: Ajax, Real Madrid e Milan, encantava.

Mas veio o segundo momento: a análise de sua trajetória como treinador.

‌

E de nada adiantou a personalidade forte, liderança nata.

O holandês mostrou sofrer da síndrome do ataque. Ou seja, tentar resolver todas as dificuldades de times sob seu comando colocando jogadores na frente.

‌

Apelou para o mesmo esquema tático.

No Milan, na Itália; no Shenzhen, na China; no Deportivo La Coruña, na Espanha; e na Seleção de Camarões.

Três times completamente diferentes e um selecionado.

Mas a aposta de Seedorf foi quase idêntica.

Uma linha de quatro atrás, um volante marcador, outro com saída de bola, dois armadores. E dois jogadores velozes no ataque, bem abertos, como pontas antigos.

Ou seja, equipe que, teoricamente, com a bola, tem condições de levar perigo ao adversário.

O grande problema, no entanto, está sem a posse. Todos os times que foi treinador acabaram expostos a simples contragolpes.

O seu caminho é assustador para quem sonha com recuperação imediata do Corinthians, na luta para escapar do rebaixamento.

Foram 63 partidas do holandês como treinador. Foram 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas.

As equipes marcaram 69 gols.

E sofreram 85 gols!

Ou seja, a utopia, busca do ataque, independentemente da qualidade dos jogadores que teve nas mãos, foi desastrosa.

O exemplo que mais combina com o Corinthians é o do La Coruña, na temporada 2017/2018.

Só havia trabalhado no Milan, por seis meses, e no Shenzhen, com resultados medíocres e demitido, sem piedade.

Foi a terceira opção da direção espanhola. Os treinadores sabiam que o time era fraco e caminhava para a Segunda Divisão.

Seedorf tinha 16 rodadas para mudar o rumo das coisas. Como no Corinthians, ele não tinha nenhum conhecimento profundo do elenco ou da tradição do clube.

Fez discursos empolgantes, exalava liderança.

Mas, quando a bola rolou, vieram as desilusões. O time fraco e pressionado pela torcida não rendeu.

Ele apelou para o ataque.

Quando pressionado pela imprensa e direção, buscou um esquema defensivo, mas mal montado, vulnerável.

Violou o que pensava de futebol, buscando o 4-5-1, sem a menor convicção.

O resultado pífio: duas vitórias, seis empates e oito derrotas.

Rebaixamento.

E demissão sumária.

Há a ordem do executivo Marcelo Paz para que o auxiliar Léo Porto, que trabalhava com Fernando Diniz, contenha esse ímpeto ofensivo de Seedorf.

Ele é o homem que montava os sistemas defensivos e de bolas paradas de Diniz.

Só que Paz percebia que não era ouvido, por isso o Corinthians jogava tão aberto.

As organizadas receberam o pedido, que pode ser o último de Stabile.

E quer apoio total ao time para buscar escapar do rebaixamento.

Em compensação, não deve concorrer à reeleição.

Sua falta de apoio no Parque São Jorge é enorme.

O dirigente quer, no entanto, a salvação do time da Série B, como seu derradeiro ato.

Triste compensação para quem começou o ano apostando em conquista da Libertadores, com Dorival Júnior. Ele foi demitido em março, depois de nove partidas sem vitória.

Fernando Diniz saiu depois de oito derrotas seguidas. O time completou a nona, humilhado, goleado pelo Palmeiras.

Seedorf foi a sétima opção. Seis treinadores disseram não ao Corinthians: Ramón Días, Vojvoda, Carille, Sampaoli, Zubeldía e Mascherano.

O holandês, indicado por Memphis, assumirá o clube amanhã. Segunda-feira, o primeiro desafio.

O Vitória, em Itaquera.

Se o Corinthians for rebaixado, o contrato, que é até dezembro de 2027, será cancelado, perderá a validade.

A cláusula já é demonstração da falta de confiança no trabalho do novo treinador.

Depois de sete anos parado, ele volta a comandar um time.

A falta de confiança já impera no Parque São Jorge...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.