Calleri denuncia. Na deprimente derrota do São Paulo contra o Vasco, o time não fez o que Roger Machado pediu. ‘A gente jogou ao contrário do que treinou.’ Clima pesa para Roger
Derrota pesada e, com força, para incomodar a sequência de Roger no Morumbi. O fraco Vasco dominou o São Paulo, amedrontado, e venceu por virada, arrematando 20 vezes ao gol de Rafael. 2 a 1 foi pouco para o time carioca. Com o treinador gaúcho, o tricolor venceu uma partida nas seis que disputou no Brasileiro
Cosme Rímoli|Do R7

“Erro nosso recuar tanto.
“A gente joga totalmente outra coisa que o treinador treinou durante a semana.
“A gente ficou recuando tanto que inevitavelmente você fica mais perto do seu gol.
“O torcedor está certo em reclamar.
“E depois, como eu falei, inevitavelmente, quando chegam 30, 40 vezes perto do gol, têm mais probabilidades de fazer.
“A gente vai embora daqui muito ruim hoje. Pedimos desculpas ao torcedor e nós somos os primeiros culpados.”
No desabafo de Calleri, na derrota por 2 a 1, a confissão.
O São Paulo, contra o limitado Vasco, não fez em campo o que treinou.
O time de Renato Gaúcho não é tão forte.
Muito pelo contrário.
O São Paulo tem muito mais potencial técnico do que o time carioca.
Mas, no segundo tempo, se acovardou, com a vantagem de 1 a 0, gol de Luciano, aos cinco minutos de jogo. Trouxe o Vasco à sua área. E tomou a justa virada, com gols de Puma Rodríguez, de pênalti, cometido por Calleri, que colocou o braço na bola, e de Andrés Gómez.
O São Paulo acumula duas derrotas seguidas no Brasileiro. E contra adversários mais fracos: Vitória e Vasco.
Estagnou com 20 pontos.
Roger Machado segue pressionado.
Ele sabe que existe a sombra de Dorival Júnior pairando no Morumbi.
A revelação de que o time não faz o que treina é péssima para sua caminhada.
Sua entrevista coletiva pode ser resumida como uma confissão.
O São Paulo, recuado demais, não teve força para travar o Vasco. Mas seria o próprio Roger quem deveria subir as linhas, posicionar seu time mais à frente.
Se ele pediu, os jogadores não atenderam à sua ordem.
“Em função de a gente defender um pouco mais baixo, não conseguimos conectar os contra-ataques que levassem o Vasco para dentro do seu campo novamente.
“Os dois gols foram diferentes, mas tiveram a mesma origem, os cruzamentos laterais. Não foi por iniciativa, o Vasco nos empurrou e não conseguimos encaixar contra-ataques.
“As substituições foram nessa direção, com o Tapia, um jogo mais físico, mas não foi possível. Uma derrota que a gente lamenta muito. Um primeiro tempo bom e um segundo tempo muito abaixo.”

O Vasco conseguiu 20 arremates a gol, contra 10 do São Paulo. A metade.
A derrota serve para deixar o ambiente ainda mais tenso no Morumbi. O questionamento de conselheiros em relação ao trabalho de Roger, junto ao presidente Harry Massis, é diário.
Sem dúvida, as derrotas do treinador são mais tensas e com consequências piores do que eram com Crespo.
Ao se aprofundar na preparação do São Paulo, Roger deixou claro que seu time não esperava o óbvio.
Renato Gaúcho colocou dois pontas abertos no segundo tempo. Para sua equipe limitada fazer o mais simples: colocar a bola na área do São Paulo. Até arrancar a vitória.
“A gente preparou o time sabendo que o Vasco é o time que mais cruza a bola na área do adversário.
“No primeiro tempo, a gente conseguiu neutralizar boa parte das jogadas, ou fazendo dobras pelos lados ou bem posicionados dentro da área.
“No segundo tempo, com um ponta a mais no campo, o Vasco teve mais alternância pelos dois lados e a gente teve mais dificuldades”, admitiu o treinador.
O São Paulo volta a jogar terça-feira, no Morumbi. Pela Copa do Brasil, contra o Juventude.
Pelo Brasileiro, por conta de show do cantor canadense Weekend, o time jogará em Campinas, contra o Mirassol, no sábado.
Dois jogos perigosos para o futuro de Roger Machado...
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