Assim como aconteceu nos 7 a 1, Neymar brilha na ausência do PSG
O brasileiro foi o grande vencedor na eliminação do PSG. Sua idolatria cresceu na ausência. O futebol coletivo, sem seu talento, foi um fracasso
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

A única resposta sincera nos vestiários do PSG foi silenciosa.
O veterano repórter Luciano Júnior, da Rede TV!, fez a pergunta necessária.
"Neymar fez falta?"
O volante brasileiro, naturalizado italiano, o encarou. Abriu um sorriso saudoso, deu um suspiro e foi embora.
Assim como nos 7 a 1 que travou o caminho da Seleção na Copa de 2014, na dolorida queda do Paris Saint-Germain, Neymar se tornou ainda mais ídolo.
E deixou a sensação até para a exigente equipe do jornal L'Equipe, que tanto o questiona desde que foi contratado, que tudo seria diferente se o brasileiro estivesse em campo.
"Imensa Desilusão", crava o L'Equipe na principal análise da derrota por 3 a 1 para o Real Madrid e o fim do maior sonho do futebol francês na temporada, a conquista da Champions. Porque ninguém em sã consciência acredita na conquista da Copa do Mundo pelo time de Didier Deschamps.
O futebol coletivo que a equipe estaria à vontade para mostrar, sem o brasileiro, na verdade foi um fracasso. O time se mostrou previsível, limitado para encarar uma potência como o Real Madrid. O único talento imprevisível estava no Brasil, com a perna direita imobilizada.
Sem Neymar, o Paris Saint Germain teve o fim de sua invencibilidade no Parque dos Príncipes. Ficou claro que não era o estádio que fazia o time imbatível. Mas seu camisa 10.
O 'ídolo da ausência' também foi reverenciado da maneira catalã, cheia de rancor. Cristina Cubero, repórter conhecida por cobrir os brasileiros que atuam no Barcelona, assumiu que os catalães ainda não perdoaram Neymar por ter trocado a Espanha pela França.
"Pagar 222 millones de euros por Neymar no le aseguraba el compromiso del brasileño que no quiso ni oír hablar de infiltrarse para poder estar en el partido más importante de su equipo."
Pagar 222 milhões de euros, R$ 822 milhões por Neymar não assegurava um compromisso do brasileiro, que não quis nem ouvir falar em infiltrar-se para poder estar na partida mais importante de sua equipe." Uma insanidade, já que um dos melhores atletas do mundo estava com um fissura, pequena fratura no quinto metarso.

Defender que Neymar jogasse com infiltração de anestésicos no pé, para não sentir dor, e se expor para uma grande fratura é algo que mostra que a falta de bom senso não tem limite.
O também espanhol Marca, de Madrid, seguiu outro caminho. O da ironia.
"Se quiser ganhar, Neymar, tem de jogar no Real Madrid." O diário sabe que o brasileiro já ganhou a Champions League, com o Barcelona, em 2014/2015. Ele insinua como protagonista.
Enquanto sua ausência é notada em todo o planeta, Neymar assistia a eliminação dos seus companheiros em Mangaratiba, na paradisíaca mansão de R$ 28 milhões, na Costa Verde do Rio de Janeiro.
Calculista em cada atitude, principalmente nas redes sociais, assim que o PSG entrou em campo, ele postou uma mensagem. Allez, mon gars", que pode ser traduzido como: "Vamos, meus parceiros". Frase de incentivo à equipe.
Neymar, que chegou a ter contrato por dois anos com a TV Globo, entre 2014 e 2015, ganhava dinheiro da emissora para dar entrevistas, deixava claro que ainda não digeriu as críticas de Galvão Bueno e Casagrande. E mostrava que acompanharia ao jogo pelo Esporte Interativo.
Antes do jogo, os palmeirenses ficavam orgulhosos pela proximidade cada vez maior do clube do pai de Neymar. No Parque dos Príncipes, Neymar Sênior, estava acompanhado de Leila Pereira, bilionária dona da Crefisa, patrocinadora do clube paulista. E do executivo de futebol, Alexandre Mattos. Esta proximidade já trouxe Lucas Lima ao Palestra Itália. O sonho é quando Neymar voltar ao país, venha ter seu final de carreira com a camisa verde.

Mas veio o jogo e a desilusão.
"Estou triste pela derrota, muito mais triste por não estar em campo ajudando meus companheiros!! O que me deixa orgulhoso é ver o esforço de todos. Parabéns mon gars, ALLEZ PARIS”, escreveu no seu Instagram.
Com a eliminação da Champions, nas oitavas, acabou a esperança que o atacante acalentava. Surpreender o mundo e voltar na semifinal da competição, marcadas entre 24 de abril e 2 de maio. Era o que combinava com Daniel Alves, justamente o pior jogador do PSG e que abriu caminho para a vitória espanhola.
Havia uma lenda urbana atribuída ao bilionário Nasser Al-Khelaïfi, dono do Paris Saint-Germain. Ela garantia que Neymar estaria livre para ir para onde quisesse, principalmente ao Real Madrid, caso o PSG conquistasse a Champions League. Seria a primeira vez na sua história, já que o clube nunca conseguiu chegar sequer às semifinais.
Com a eliminação de ontem, nem pensar em Neymar no Real Madrid para a próxima temporada. Muito pelo contrário. Com a eliminação sem a sua presença no Parque dos Príncipes, ficou evidente que sua presença é essencial na busca do título, no próximo ano.

Com a queda precoce do clube francês, Neymar terá de se conformar. Seu sonho de conquistar o troféu de melhor jogador do mundo nesta temporada não se realizará. Mesmo se faça uma Copa do Mundo fabulosa e consiga fazer o Brasil hexacampeão, suas chances ficaram mais do que remotas.
A Champions League é levada mais em consideração do que a própria Copa do Mundo, na disputa do melhor do mundo. Melhor para Cristiano Ronaldo e Messi que seguem vivos.
O prêmio pode escapar de novo.
Mas o destino outra vez protegeu Neymar.
Destacou sua aura de vencedor em uma nova eliminação do time que defende.
Assim como aconteceu no 7 a 1 para a Alemanha, quando estava contundido.
Outra vez uma lesão o afasta da dor da frustração.
Sua idolatria ficou ainda mais forte com a queda do PSG diante do Real Madrid.
A dúvida que instiga o mundo é uma só.
"E se ele estivesse em campo, em Paris?"
Ninguém jamais terá a resposta.
Mas pelo menos acabaram as críticas.
Sobre seu individualismo.
Seu egoísmo, que acabaria com o futebol coletivo do PSG.
Não há como fugir.
Neymar fica cada vez mais ídolo na ausência...














