Como o Corinthians sabotou o talento de Gil. Com a ajuda da MSI. Entrevista exclusiva
Gil, um dos atacantes mais talentosos da história do Corinthians, foi desperdiçado. Ele sofreu na transição de duas gerações. E teve pela frente a MSI, que queria valorizar seus jogadores

São Paulo, Brasil
“Kaká, Kaká, Kaká...
“A imprensa só fala no Kaká. Bom mesmo é o Gil.“
Com estas frases em 2001, o então dirigente do Corinthians, Roque Citadini, expôs o grande talento que saía da base do Parque São Jorge.
O comparou ao jogador do São Paulo que seis anos depois seria escolhido como o melhor do mundo. Jogou enorme pressão desnecessária em uma grande revelação.
’Essa comparação só me prejudicou na carreira. Eu nunca me comparei ao Kaká, que acabou como melhor do planeta, por merecimento. Estava no auge a rivalidade entre Corinthians e São Paulo. E eu acabei exposto de uma maneira que só me atrapalhou’, desabafa Gil.
Ele, Kléber e Ricardinho formaram o trio que foi batizado no início dos anos 2000 como o melhor lado esquerdo do mundo, nas mãos do Parreira. E era excepcional mesmo.
“Nós nos completávamos de forma incrível. Vivi um período maravilhoso no Corinthians. O clube vinha da conquista do Mundial de Clubes. O ambiente era de transição, com jogadores importantes saindo, como Rincón. Mas a nossa base tinha atletas com muito talento.“
Gil logo chamou a atenção por sua velocidade, arrancadas, dribles e faro de gols. A direção do Corinthians não quis negociá-lo com clubes importantes da Europa. Lyon, Bayer Leverkusen, Atlético de Madrid.
“A postura era clara. Me seguraram. Me seguraram. Até que veio a MSI’, relembra.Pouco importava se ele era o maior destaque do time campeão da Copa do Brasil, do Rio-São Paulo 2002, do Paulista 2003. Já tinha vencido o Paulista de 2001.
Com a chegada do dinheiro russo, Kia Joorabchian, o responsável pela empresa formada por investidores, foi direto.
Jogadores que não pertencessem à MSI ficariam em segundo plano. Gil passou de ídolo para reserva de Carlos Alberto, Tevez.
Em outra vergonhosa atitude de Kia, o iraniano naturalizado inglês mandou tirar a sua camisa 10 e repassá-la para Tevez.
Desrespeito público. Pressão para que ele fosse embora. O medo é que Gil tirasse o brilho dos jogadores da MSI, que estavam no Parque São Jorge para se valorizarem.
‘Foi ordem do Kia. Lógico que me chateou. Não esperava essa postura comigo.’
Ficou até o primeiro semestre de 2005. Mas, encostado na reserva, foi vendido ao Verdy Tokio.
‘Estava tão chateado que queria sair e não analisei direito. O time estava para ser rebaixado no Japão. Deu tudo errado. Acabamos caindo.’
Voltou para o Cruzeiro, também com situação complicada. Mas ganhou o Mineiro. Aceitou ir para uma equipe fraca espanhola, Gimnástica.
“Ela havia subido para a Primeira Divisão. Mas não tinha estrutura. Caí de novo. Cometi alguns erros graves na carreira. Como não escolher bem os clubes onde fui no Exterior”, admite.
Voltou para o Internacional e foi campeão gaúcho em 2008. Tite não o quis na equipe, por ser ‘frágil’ fisicamente. Passou pelo Botafogo, Flamengo, ABC e Juventus, da Mooca.
“Na verdade, a minha grande fase foi no Corinthians. O nosso casamento foi perfeito. E de lá, deveria ter saído antes da MSI. Ou ter ficado e jogado ao lado das estrelas que vieram.
“O clube não me vendeu quando era o ideal e deu no que deu. Mas sou muito grato, muito feliz por tudo que vivi no Parque São Jorge. O Corinthians é a minha paixão.”
Kaká foi melhor do mundo. Mas teve algo fundamental. Saiu do São Paulo na hora. O Gil, não.
“Foi um erro o Corinthians segurá-lo. Perdeu o timing.
“O Gil poderia ter sido um jogador muito mais importante, se chegasse na Europa cedo. Potencial ele tinha.” A análise foi feita por Wagner Ribeiro. O empresário que vendeu Kaká para o Milan...
A exclusiva com Gil está no canal Cosme Rímoli, no Youtube.
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