Um a um foi muito para Flamengo e Grêmio, jogo que sequer gol merecia

Ninguém jogou nada. Time rubro-negro parece não se conhecer e fica difícil crer que poderá ao menos lembrar a exuberância dos tempos de Jorge Jesus

Anulado no jogo, Gabigol, que não marcava desde 11 de março, salvou-se com gol de pênalti

Anulado no jogo, Gabigol, que não marcava desde 11 de março, salvou-se com gol de pênalti

Alexandre Vidal/CRF

Flamengo um, Grêmio um, no Maracanã, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro de 2020.

O rubro-negro chega a quatro pontos e a equipe gaúcha a seis. Os dois times têm quatro jogos na competição. Nos seis pontos disputados no Rio até agora, o Flamengo conquistou apenas um.

As duas equipes não jogaram patavinas.

Em um jogo ruim, fraco tecnicamente, por obra das duas equipes, o empate foi construído com o aproveitamento de duas das pouquíssimas oportunidades criadas pelas equipes na partida.

O Flamengo, mais uma vez, estava irreconhecível. Uma equipe apática, sem criatividade, surpreendentemente no bagaço da preparação física, que, nem de longe, lembra o time vencedor que encantou até o início de 2020, sob o comando exigente Jorge Jesus.

A sensação que se tem é de os jogadores rubro-negros se estranham. Parecem não se conhecer. As jogadas coletivas, com a rapidez e o entrosamento vistos no período de JJ simplesmente desapareceram.

Fica modorrento, às vezes irritante, acompanhar um jogo atual do Flamengo com as partidas de 2019 e início de 2020 na memória.

Todos jogaram mal no rubro-negro, sobretudo os atacantes.

Com destaque negativo para Gabigol, anulado pela ótima dupla de zaga Geromel e Kanemann, o ponto forte do time do Grêmio.

E, sobretudo, Bruno Henrique, irreconhecível, visivelmente fora de forma, sem a explosão muscular que gera a velocidade incomum conhecida por todos. Tem sido constrangedor ver como ele atualmente arranca à frente do adversário, mas invariavelmente chega depois.

O Grêmio atuou todo o primeiro tempo marcando a saída de bola do Flamengo, o que criou muita dificuldade para a defesa rubro-negra e o goleiro Diego Alves, forçado algumas vezes a rifar a bola no sufoco.

Aos 44 minutos, na única oportunidade efetiva do Grêmio na primeira etapa, surgiu o gol. Pepê disparou pela esquerda e abriu, na direita, para Alisson. O atacante passou por Filipe Luís e devolveu na área para Pepê, que chutou forte, uma pancada, para marcar. E assim os dois times foram para o vestiário.

As duas equipes permaneceram muito ruins na segunda etapa, e a partida ficou ainda pior. O Flamengo, com excesso de toque de ladinho, bolinha-bolinha, sinal claro de falta de confiança e condicionamento físico, sem conseguir penetrar na defesa do Grêmio.

O Grêmio, fechado na defesa, aproveitando as arrancadas do jovem Pepê e, a partir dos 19 minutos da etapa final, também do veloz Isaque, que entrou no lugar do veterano Diego Souza.

O técnico rubro-negro, Domènec Torrent, errou um minuto antes, aos 18, ao tirar Éverton Ribeiro para colocar Vitinho. Nem tanto por quem entrou, mas pela escola de Ribeiro, que, apesar de igualmente não fazer uma partida elogiável, era o mais lúcido do Flamengo do meio para frente. Torrent estava repleto de opções para sacar do time, a começar por Bruno Henrique.

Mas quando tudo parecia seguir para a vitória do Grêmio, por ter sido menos ruim, Kanemann tocou a bola com a mão em sua área e deu ao Flamengo a chance do empate. Gabigol, que não marcava desde 11 de março, bateu e “rompeu a quarentena” balançando a rede.

Um a um em um jogo que, a rigor, merecia terminar em zero a zero. Dois gols foram dádiva não merecida para uma partida tão ruim.

Como ainda não inventaram no futebol um jeito de os dois perderem, o empate acabou como resultado justo para um jogo melancólico por obra e graça das fracas atuações das duas equipes.

O time rubro-negro, surpreendentemente, parece em péssima forma física. E o técnico Torrent dá a sensação de estar mais perdido do que caminhão em mudança.

O suposto esquema do técnico ainda não mostrou qualquer virtude e, ao menos por enquanto, deixa o time com enormes e ameaçadores buracos.

Não bastasse, o catalão tem errado insistentemente nas escolhas e nos momentos das substituições e deixa de fazer trocas importantes numa competição que permite a cada time cinco mudanças por jogo.

Do jeito que está, fica difícil acreditar que o Flamengo voltará a ter um futebol que ao menos lembre a exuberância dos tempos de Jorge Jesus.

Impossível não é, mesmo porque o elenco é composto de jogadores inegavelmente talentosos. Mas para isso ocorrer será necessária uma transformação gigante no Flamengo.

Uma transformação que comece pelo calado e ao que parece ainda pouco à vontade Torrent, passe pela preparação física dos jogadores e termine em campo no futebol apresentado por todo o elenco.

Goleiro Bruno tenta bater pênalti, mas é impedido por companheiro