“Nós vamos ganhar essa por..!” A promessa de Neymar a Raphinha, garantindo, chorando, que o Brasil vai conquistar a Copa. Esse é o líder que Ancelotti queria
Aos 34 anos, Neymar sabe que esta é a última Copa do Mundo que irá disputar. Quase não foi convocado. Pelo que está jogando, não merecia. Mas o potencial técnico segue imenso. E segue sendo referência aos jogadores da atual geração, receosos de se posicionarem. Ancelotti sabia que faltava um líder. Mas um líder positivo. Neymar tem a chance de provar que merece essa última chance

“Vai dar tudo certo.
“Nós vamos ganhar essa por...!
A promessa, em tom de convocação, foi feita por Neymar a Raphinha.
Depois de garantir o que ninguém garantiria em público, chorou de emoção com a convocação.
“Difícil não se emocionar. Tudo o que a gente passou, o que eles viram eu passar. Eu chegar, conseguir, disputar mais uma Copa do Mundo. É um choro de muita felicidade mesmo. Daremos a vida pra trazer a Copa para o Brasil. Estou muito feliz“, garantiu, de forma emocionante, sentado, chorando.
Tudo foi filmado, com muito foco, e mostrado nas suas redes sociais.
É esse o líder que Ancelotti precisa.
Não egocêntrico, só pensando nele, como muitas vezes aconteceu na sua longa carreira.
Talvez o sofrimento de reconhecer estar na fase final da carreira, com as limitações físicas de quem teve 44 lesões e cinco cirurgias, tenha humanizado Neymar.
O que seria ótimo para a Seleção Brasileira, sem os talentos de gerações passadas.
Raphinha foi o atleta que mais defendeu, implorou pela convocação do meia/atacante do Santos.
Foram vários atletas que defenderam a chamada por vários motivos.
O primeiro é a idolatria.
Neymar realmente marcou a carreira da geração entre 19 e 29 anos, maioria na Seleção.
Eles viram o seu auge, no Barcelona, ao lado de Messi e Suárez.
Foi mesmo inesquecível o que o santista jogou.
Seguiu impressionante nos primeiros anos do PSG.
É essa imagem que os atletas e metade do país têm grudada nas retinas.
Carlo Ancelotti percebeu a carência da população brasileira: 24 anos sem a conquista da Copa do Mundo, principal símbolo do esporte mais amado por aqui. Um orgulho nacional.
Ele levou em conta o que aconteceu com Felipão na Copa de 2002.
A dúvida era levar ou não Romário.
O treinador não quis levar o veterano por problemas disciplinares. Eles poderiam ser resolvidos, mas Felipão não quis. Enfrentou a ira da mídia carioca, de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF.
Mas tinha três trunfos espetaculares: Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. O Brasil foi pentacampeão mundial e ninguém mais passou a cobrar Felipão por Romário.

Desta vez, Ancelotti não viu no cenário atual uma grande estrela para assumir o lugar de Neymar.
Não há ninguém fora de série, com personalidade, carisma para assumir o lugar do santista.
Vinicius Júnior, apesar de ter sido o melhor do mundo, em 2024, tem se mostrado instável e não consegue render na Seleção. Raphinha tem regularidade só no Barcelona. Mas nas partidas decisivas, por exemplo, da Champions, não rende.
Rodrygo, de excelente potencial, só volta a jogar depois da Copa, contundido.
Fora a parte técnica, há a personalidade.
Nenhum dos outros 25 convocados teria a coragem de fazer a promessa de ganhar a Copa para Raphinha e ainda registrá-la nas suas redes sociais, sem medo de ser cobrado, ridicularizado, depois da Copa do Mundo.
Neymar foi convocado por ser Neymar. Pela liderança, pelo respeito que desperta entre os jogadores. Até pelos rivais.
Sim, ele não tem força física, velocidade, explosão para ser o mesmo de 2015.
Ancelotti, esperto, sabe disso.
E nem cogita ter Neymar como maestro do time, como sonhavam Dunga, Tite, Felipão, Dorival Júnior, Felipe Diniz.
Nem no ápice físico ele era esse atleta. Sempre foi dos arranques em velocidade, dos dribles, nunca da articulação.
Com Ancelotti, o Brasil não será uma seleção que jogará aberta, principalmente contra equipes poderosas. Atuará, muitas vezes, como o poderoso Real Madrid, nas suas mãos. Jogando no contragolpe em velocidade.
Neymar será poupado fisicamente para fazer o diferencial técnico à frente. Conseguir correr no ‘último terço’ do gramado.
Assim como no Santos, os demais jogadores da Seleção vão correr por ele. E com prazer, por tê-lo como escudo.
O plano do italiano é fazer com que Neymar comece as partidas. Traga respeito aos adversários. Os segure mais nas suas linhas. Porque sabe que o atual Brasil é uma equipe competitiva, mas está abaixo da França, Argentina e Espanha, por exemplo.
Os primeiros movimentos de Neymar, depois de garantir vaga na Copa do Mundo, são animadores.
Ele sabe que o Brasil, ao menos psicologicamente, depende dele.
Que, aos 34 anos, na sua ‘última dança’, derradeira competição importante, se comporte à altura da sua carreira.
E, principalmente, da necessidade desse país carente de alegrias...













