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“Eu saía para matar ou morrer. Eu xingava, os jogadores me xingavam. Era uma relação direta.” Entrevista com o ótimo, e polêmico, Godoi

Foi um grande árbitro, mas a personalidade acabou atrapalhando sua carreira. Acumulou polêmicas e finais de campeonatos. Não foi para a Copa do Mundo porque não era político

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Godoi não perdoa Júnior Baiano. 'Quem perdoa é Jesus Cristo. Eu, não" Reprodução/Instagram Godoi

“Fui o melhor árbitro do Brasil por três anos. Paguei por não ser político.”

Oscar Roberto Godoi tem razão.


Em 1998, 1999 e 2000, ele se impôs. Foi o melhor juiz deste país. A mistura que ele encontrou para ter o enorme destaque que mereceu.

A firmeza bruta de Dulcídio Wanderlei Boschilia e a precisão de Armando Marques. Tinha o apelido de ‘Unha de Cavalo’, ou seja, que não se dobrava.


Não aceitava corrupção. Chegou a bater em um empresário, que Godoi acreditou que iria fazer oferta para se vender.

“Hoje eu não poderia apitar de jeito nenhum. Por quê? Porque eu xingava, jogador queria me sacanear, fingindo contusão, me atirando contra a torcida, eu sacaneava também. Falava palavrão como desabafo. E ouvia também, quando era desabafo. Agora, ofensa, não. Era rua!“


Godoi nasceu e começou a carreira em São José do Rio Preto. Se formou árbitro em 1977.

‘Mas senti que havia muita sujeira na Federação Paulista de Futebol. Resolvi me afastar. E só voltei em 1987. Foram dez anos desperdiçados na minha carreira para não trabalhar no ambiente que encontrei. “Sua postura firme logo fez sucesso não só na FPF, mas na CBF. Se tornou árbitro FIFA.


“Para mim, quando ia apitar, eu pensava. Era para matar ou morrer. Eu nunca tive medo de pressão, de nada. Por isso, os times que jogavam fora de casa me pediam. E os que mandavam os jogos me viam com medo. Nunca foi caseiro. Ou seja, nunca tremi. Para mim, que se danasse se o time tal jogava diante de sua torcida. Apitava com o meu conhecimento, com a minha consciência, com o meu estudo.”

Colecionou polêmicas. Sim, a mais famosa é com Júnior Baiano. Era 1995, em um clássico entre São Paulo e Corinthians, Godoi expulsou o zagueiro Rogério Pinheiro. Júnior saiu abraçado com seu parceiro de time. E disse para as câmeras de tevê. “É só chegar perto que se percebe. Está cheirando a cachaça.”

Godoi ficou transtornado quando soube no vestiário. “Mandei chamá-lo para ele se desculpar. Se ele viesse, iria se arrepender feio. Eu sempre andei armado. Eu não podia beber, estava tomando corticoide.” O clima entre os dois jamais voltou a ser pacífico. “Quem perdoa é Jesus Cristo. Eu, não”, resume Godoi, que não suporta ouvir o nome do zagueiro.

Foi ele o árbitro de Vasco e São Caetano, na final do Brasileiro de 2000, quando caíram os alambrados de São Januário. “Por mim, teria o jogo. Com alambrado caído mesmo.”

Godoi não cresceu na carreira internacional por não ser político. “Média eu nunca fiz mesmo. E também por não aceitar bandeirar. Eu detestava. Fui árbitro central. A decisão tinha de ser minha.” Sobre a nova fase da arbitragem, com o VAR, ele é direto.

Júnior Baiano se tornou 'inimigo mortal' de Godoi. Por acusá-lo de apitar bêbado Reprodução/Instagram Junior Baiano

“Dá para fazer amor e apitar. Qualquer dúvida, o VAR salva.” Sua personalidade fortíssima logo foi notada pela tevê. Virou comentarista de arbitragem. Seu poder de comunicação o fez ser apresentador de programas policiais.

“Não suportei a energia pesada dos crimes. Foi muito duro para mim.” Ele se formou jornalista ao parar de apitar.Aos inacreditáveis 70 anos, Godoi trabalha em uma distribuidora de chope em São José do Rio Preto.

E segue comentando arbitragem e futebol na tevê. E muito procurado para apitar eventos. A explicação é simples.“Sou Oscar Roberto Godoi, Cosme, não há ninguém como eu...”

A entrevista, na íntegra, está no canal do Cosme Rímoli, no YouTube, em parceria com o R7.

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