Incompetência do Palmeiras, com dois a mais. Obscenidade, de novo, no Corinthians. Clássico virou caso de polícia. Denúncias de agressões a Luighi, Bidon e Gabriel Paulista. ‘Guerreamos o tempo todo’, comemorou Fernando Diniz
0 a 0 entre Corinthians e Palmeiras, em Itaquera, teve de tudo. André expulso por gesto obsceno. Matheuzinho, cartão vermelho por agressão a Flaco López. Pênalti não marcado de Gabriel Paulista em Sosa. Troca de empurrões entre jogadores

“O que eu nunca abri mão na minha vida é a capacidade de lutar. Isso eu me assemelho muito ao Corinthians. Jogadores foram heroicos hoje (ontem), na entrega.
“Isso aproxima o time da torcida. Depois disso, podemos fazer um ajuste na parte tática, mas não tem ajuste que supere falta de energia, vontade e espírito de luta.
“O grande ganho que o time teve foi voltar a ter essa capacidade imensa de lutar, de ter desejo de vencer, de não tomar gol. Foi uma história parecida na Argentina (na última quinta, contra o Plantense), sobre guerrear o tempo todo.”
Essas declarações de Fernando Diniz são fundamentais.
Denunciam o clima de guerra, que extrapolou o futebol.
O retrato do clássico de ontem em Itaquera?
Luighi, Bidon e Gabriel Paulista foram ao mesmo lugar após o clássico.
Ao Jecrim, Juizado Especial Criminal, da Neo Química Arena.
O jogador do Palmeiras e os dois do Corinthians foram denunciar agressões após a partida.
Atletas e seguranças das duas equipes trocaram empurrões, xingamentos, provocações e ameaças após o 0 a 0 de ontem.
Um vexame que saiu do gramado e virou caso de polícia.
Há muito tempo o clima não ficava tão bélico, tão tenso entre os dois maiores rivais de São Paulo.
Tirando gols, houve absolutamente de tudo no jogo.
A começar pelas divididas com mais violência do que o normal.
Mesmo para um clássico entre Corinthians e Palmeiras, jogadores confundiram intensidade com agressões, provocações intoleráveis para atletas profissionais.
Abel Ferreira não estava no banco do Palmeiras. Preparou o time, mas não pôde comandá-lo por pegar oito partidas de suspensão. Tratou de colocar seus melhores atletas, por saber da importância do confronto com o rival.
Só não tinha Arias, suspenso, e Vitor Roque, contundido.
Por represália à CBF, pela suspensão de Abel, João Martins, seu auxiliar, não daria entrevista após o jogo.
Já Fernando Diniz não contava com Memphis Depay e Kaio César, contundidos.
A partida perdeu muito em técnica dos dois clubes, mas teve em dobro de agressividade.
O quadro era simples. O líder Palmeiras contra o Corinthians encostado na zona do rebaixamento.

Os dois times superpopularam as intermediárias para preencher o espaço e dificultar a movimentação do adversário.
Não havia inocente de lado a lado.
As divididas eram duríssimas.
E com pouquíssimas chances de gol.
Tudo começou a ficar surreal exatamente aos 31 minutos do primeiro tempo.
Quando Andreas Pereira deu uma entrada dura em André.
O ótimo meio-campista corintiano perdeu a cabeça.
E repetiu o gesto de Allan, suspenso e multado há 11 dias contra o Fluminense.
André pegou na genitália para provocar o palmeirense.
Flávio Rodrigues de Souza foi alertado do gesto.
Foi ao VAR e expulsou o corintiano.
Até o final do primeiro tempo, o time de Fernando Diniz não jogou mais futebol, ficou apenas simulando faltas e agressões sofridas, para tentar que o árbitro expulsasse alguém do Palmeiras.
“A gente sabe que eles iam pressionar a gente, tentar causar briguinha pra tirar a gente do jogo. Mas estamos focados, viemos com mentalidade forte para o jogo”, disse Maurício, meia/atacante que não brigou, mas nada fez de produtivo para seu time.
O Palmeiras já começou a decepcionar no primeiro tempo. Com 15 minutos a mais, não criou, não aproveitou o fato de ter uma atleta a mais. Sem criatividade, apelava para Allan buscar os dribles ou cruzamentos inócuos.
No segundo tempo, o Palmeiras teve posse de bola, mas não conseguia criar. O Corinthians se desdobrava em campo, com duas linhas de marcação, esperando um contragolpe salvador.
Aos 16 minutos, um lance capital a favor do Palmeiras, que não foi marcado. Gabriel Paulista foi chutar a bola para longe, mas acertou a perna de Sosa. Pênalti claro. Não foi marcado. O lance era claro, principalmente para o VAR.
Aos 21 minutos, nesta surreal tarde de domingo, um drone sobrevoa o gramado e solta um balão com um porco cor-de-rosa de pelúcia. O capitão palmeirense, Gustavo Gómez, segura o porco e o dá ao árbitro.
As entradas passaram a ter uma pitada de maldade, de lado a lado.
Até que Matheuzinho deu dois socos leves, mas socos, em Flaco López. Mereceu a expulsão, aos 23 minutos. Na sequência do mesmo lance, Gabriel Paulista empurrou violentamente o rosto de Giay, que caiu com o impacto. O corintiano deveria também tomar cartão vermelho.
Mas o árbitro apenas expulsou Matheuzinho.
O Corinthians ficou com dois jogadores a menos.
Sem criatividade alguma, o Palmeiras passou a levantar bolas para a área, adiantando o time, afobado.
E, além de não marcar, quase foi derrotado.
Aos 29 minutos, Felipe Anderson perde a bola com seu time todo adiantado.

Yuri Alberto desce livre, com a defesa do Palmeiras desmontada.
Fica cara a cara com Carlos Miguel.
Escolhe o canto esquerdo para chutar e o goleiro palmeirense faz uma fundamental defesa.
O Palmeiras, com dois jogadores a mais, não consegue criar e para na retranca corintiana.
Os jogadores de Diniz se desdobram e seguram o 0 a 0.
A tensão seguiu depois da partida, quando os dois times se encontraram no túnel que dá acesso aos vestiários.
Atletas e seguranças começaram a se empurrar, a se ameaçar, se xingar.
O Palmeiras foi primeiro para a delegacia.
Prestou queixa contra um funcionário do Corinthians, que teria agredido Luighi.
O Corinthians deu o troco, também na delegacia, acusando dois seguranças do Palmeiras de agredirem Bidon e Gabriel Paulista.
Fernando Diniz estava muito feliz com o 0 a 0, com seu time conseguindo segurar o Palmeiras, líder do Brasileiro, tendo dois atletas a menos.
Sobre o gesto obsceno e a agressão de Matheuzinho, que custaram duas expulsões, o treinador amenizou.
“(André mostar a genitália a Andreas Pereira). Foi desvio de um comportamento que não é padrão, acredito que não vai mais acontecer. Não é um gesto que acontece com frequência. Os jogadores já sabem, sentiram o baque de ser expulsos.
“André e Matheuzinho. Isso é uma questão muito factual, fácil de ter um tipo de instrução. Esse tipo de expulsão eu acho que não acontece mais por aqui.”
O Corinthians está a um ponto da zona do rebaixamento, na 16ª colocação.
O Palmeiras é líder, com seis pontos de diferença do segundo colocado, o Flamengo.
A batalha de ontem em Itaquera terá consequências.
Suspensões virão para os corintianos.
E a Justiça comum deve punir os agressores de Luighi, Gabriel Paulista e Bidon.
Os dois clubes levaram testemunhas das agressões ao Jecrim...















