Pressionado, xingado, vaiado mais uma vez no Morumbi. Roger Machado avisa: só sai demitido. ‘Eu não vou desistir.’ Luciano admite: ‘Protestos (contra Roger) atrapalham o time"
Cada vez mais constrangedora a permanência de Roger no São Paulo. O time ontem tinha a obrigação de golear o fraco Juventude, equipe da Segunda Divisão. Ganhou por 1 a 0 apenas. Tendo um jogador a mais por 48 minutos. O técnico errou feio ao tirar Luciano, o principal jogador. Foi xingado, vaiado. E ouviu o coro de ‘burro’. Presidente Harry Massis sabe. Se o demitir, terá de mandar o executivo Rui Costa embora, sua aposta pessoal

A cena foi constrangedora.
O coro era pesadíssimo.
“Ei, Roger. Vá tomar no...”
Roger Machado indo para o vestiário, fingindo não ouvir.
Ele era xingado, chamado de burro, vaiado.
Mais uma vez em pleno Morumbi.
Pela torcida do São Paulo.
Organizada e comum.
Sua presença como treinador é rejeitada de forma assustadora.
A pressão dos torcedores está afetando o time.
Mas ele não vai pedir demissão.
O São Paulo que pague R$ 2,1 milhões de multa e o despache.
Ele não vai sair de livre e espontânea vontade.
O presidente Harry Massis não quer trocá-lo por Dorival Júnior, como exige a maior parte de sua diretoria.
Para não desmoralizar Rui Costa, executivo que garantiu a todos que seria melhor demitir Crespo e contratar Roger Machado.
O resultado tem sido péssimo, assim como o futebol do time.
Contra o fraco Juventude, ontem, equipe da série B, o São Paulo venceu apenas por 1 a 0, pela Copa do Brasil. Corre sério risco de eliminação da Copa do Brasil, em Caxias, na partida de volta.
A coletiva do técnico foi massacrante.
Com a enorme maioria dos questionamentos foi sobre sua continuidade, ou não, como técnico do São Paulo.
E, enquanto ele ficar, atrapalha seus próprios jogadores.
“Toda pressão direcionada ao treinador deixa os atletas mais instáveis em campo.
“Quem perde é o São Paulo...
“Sempre a gente se questiona. O que eu daria como exemplo para minhas duas filhas se, nesse momento de maior dificuldade, de pressão externa, que em alguns momentos me parece um pouco injusta, eu desistisse?
“Não vou desistir.”
Mas, para não decepcionar sua família, Roger está se expondo a constrangimentos. Não está colaborando com o São Paulo. Pelo contrário.
“Esse cargo não é meu, eu estou treinador do São Paulo até quando entenderem que seja necessário e possível”, decretou tenso Roger.
“Os protestos, o que acontece fora, claro que atrapalha”, assume Luciano, autor do gol que deu a vitória ao time paulista por 1 a 0.
A defesa de Roger Machado é que o São Paulo criou chances. Também não era para menos. Enfrentava uma equipe da Segunda Divisão em pleno Morumbi.
E que, no segundo tempo, perdeu Diogo Barbosa, aos cinco minutos, depois de uma falta forte em Luciano. Exagero absoluto do juiz Lucas Paulo Torezin.
Mesmo com um jogador a mais por 48 minutos, o São Paulo não teve força para ampliar.
O time não tinha coordenação, potência, organização, afobado.
Mal treinado.
Diferente do que acontecia com Crespo no comando.
O executivo Rui Costa também está na alça de mira dos torcedores e de dirigentes dentro do Morumbis.
A sua convicção em contratar Roger provocou estranheza.
E o resultado tem sido decepcionante.
Crespo fazia ótima campanha em 2026.
Foi mandado embora porque falou que o elenco do São Paulo era para brigar contra o rebaixamento.
Rafinha, ex-jogador e coordenador, assiste à situação muito tenso.
A desmoralização que Roger passa a cada partida, pela própria torcida tricolor, atinge diretamente os jogadores. E Rui Costa.
O treinador segue a linha de negar a realidade.
Ele não assume a instabilidade, a falta de coordenação tática do time. Têm sido as individualidades dos jogadores que definem as vitórias do São Paulo. Não o trabalho de Roger, que é muito fraco.
“ Hoje (ontem), embora vencendo e poderíamos ter vencido de muito mais, saímos decepcionados de campo pela frustração de não ter feito mais gols e definido uma classificação. É um jogo que saio com sentimento de tristeza. Gostaria de compreender.
“Estou sendo julgado mais pelos resultados, contexto do clube também está entrando nessa conta. E aí está ficando pesado. Gera insegurança no jogador. Tenho confiança na reversão.
“Eu sinceramente nunca vi isso (essa situação), mas acredito na força do trabalho.”
A pior resposta de Roger foi em relação a Luciano.
Ele era o melhor jogador do São Paulo.
E foi substituído aos 35 minutos do segundo tempo, com o time precisando, desesperadamente, de mais gols.
A torcida não perdoou tirar atleta que desequilibrava a partida.
“Com relação ao Luciano, temos um planejamento que já vinha de sobrecarga na panturrilha e que tomou pancada. Fazemos gestão.
“Elogiei ele durante a semana porque está cumprindo uma função diferente comigo e se desgasta mais durante o jogo.
“Foi também pensando que a bola estava passando na área e colocar mais um finalizador como o André. Saída do Luciano foi por essa questão.”

Era evidente que ele suportaria os últimos minutos de jogo.
Para piorar a situação do técnico, Calleri desperdiçou pênalti aos 45 minutos do segundo tempo.
Além do descontentamento pela demissão de Crespo, há o desejo pela volta de Dorival Júnior.
A pressão está se tornando insuportável.
Se Roger cumprir sua palavra e não pedir demissão, a sensação é que será demitido a qualquer momento.
Harry Massis articula para salvar Rui Costa.
Roger Machado se mostra condenado...














