‘Eu seco a Seleção mesmo!”, assume Vampeta. Sem confiança no Brasil de 2026, empresas usam pentacampeões de 24 anos atrás em publicidade da Copa. Neymar? Deixado de lado...
Os pentacampeões tomaram de assalto as campanhas publicitárias para a Copa do Mundo de 2026. Fenômeno se explica. 24 anos de derrotas da Seleção. E falta de confiança no atual time brasileiro

“Eu seco a Seleção Brasileira mesmo.
“Não quero que ganhe a Copa de 2026.
“Se ganhar, a minha geração, que ganhou o penta será esquecida. Como estão os que ganharam o tetra.
“Para mim, está ótimo assim, sem hexa.
“Quero mais é continuar fazendo publicidade.”
Brincando, rindo, ironizando, Vampeta toca em um ponto muito sério.
O mundo da publicidade não quer atrelar suas marcas com derrotas.
As empresas querem vitoriosos nas suas propagandas.
Daí a invasão de pentacampeões nas campanhas publicitárias para o Mundial dos Estados Unidos.
Ronaldo Fenômeno, Cafu, Kaká, Rivaldo, Vampeta nunca foram tão lembrados, faltando 48 dias para a Copa do Mundo de 2026.
24 anos depois da conquista do penta, no Japão, em 2002.
“Tem que chamar a gente mesmo. Ninguém ganhou nada depois. E esta Seleção não passa confiança”, decretou Vampeta, na rádio Jovem Pan.
Ele está muito feliz encabeçando uma campanha de aplicativo de viagens.
Ronaldo Fenômeno, aos 49 anos, poderia ser pai de Endrick, 19 anos, e possível convocado para os Estados Unidos.
Mas é a estrela de 2002 que é embaixador de três poderosas marcas na Copa. Uma é de desodorante. Uma de casa de apostas. E outra, de cerveja.
Rivaldo, que é um tímido histórico, está recomendando casa de apostas.
Kaká, que entrou em campo por 19 minutos em 2002, contra a Costa Rica, é embaixador mundial de uma marca de perfume brasileiro.
Tão assediado quanto Ronaldo, só o capitão do penta.

Cafu.
O ex-jogador confessou a amigos que nunca foi tão requisitado.
A explicação é simples.
Publicitários ligam a imagem do último brasileiro a levantar a Taça Fifa para o mundo, como capitão do time campeão da Copa.
Em 2006, foi o mesmo Cafu, que fracassou com o time de Parreira.
Em 2010, Lucio ficou na vontade, junto com Dunga.
Em 2014, o Brasil se chocou com a crise de choro de Thiago Silva, na equipe do 7 a 1, de Felipão.
Em 2018, Tite, indeciso, fez três capitães fracassarem: Thiago Silva, Miranda e Marcelo.
Em 2022, foi outra vez Thiago Silva a passar pela frustração.
Lucio, Thiago Silva, Miranda, Marcelo são deixados de lado.
A maior prova de o quanto perder faz mal para o mercado publicitário é Neymar.
Ele já é bilionário, segundo a revista Fortune, seu patrimônio já passou dos R$ 5,7 bilhões.
Não precisa do dinheiro de publicidades específicas para a Copa dos Estados Unidos.
Mas uma comparação simples, com 2014, é assustadora.
No Brasil ele era a estrela principal de cinco empresas.
E até o dia 24 de junho, já tinha sido visto em 215 vezes na tevê do torcedor deste país.

Mesmo sendo o maior jogador midiático que nasceu neste país, com mais de 270 milhões de seguidores fiéis, graças ao seu talento e também à incrível competência da equipe que distribui seus vídeos diariamente às redes sociais, Neymar foi deixado de lado nas propagandas para a Copa.
Sim, há a total incerteza se ele será convocado ou não.
Mas pesam as decepções de 2014, 2018, 2022, quando grande parte da população brasileira acreditou que ele seria a estrela principal da reconquista da Copa do Mundo.
Neymar tem patrocínios pessoais : Puma, Red Bull, Mercado Livre, Blaze. E mais de 20 marcas associadas a ele. A revista Forbes publicou que ele ganhou mais de R$ 150 milhões, só em publicidade em 2024.
Caso Neymar seja convocado, essas empresas pessoais devem promover o atacante. E outras podem surgir.
Mas atualmente suas aparições são raríssimas em propagandas na tevê, que segue sendo o alvo principal dos publicitários no futebol.
Da atual Seleção, há dois assediados.
Ligados com conquistas que nada tem a ver com conquistas brasileiras.
Vinicius Júnior, ainda desfrutando o fato de ter sido melhor do mundo, em 2024, por atuações pelo Real Madrid.
Ele tem 14 patrocínios.
Entre eles: Nike, PlayStation, Pepsi, Gatorade, Rexona, Omo, Clear, Vivo, Boss, Prada, UNESCO, Dubai Tourism e Betnacional.
O mais recente: virou embaixador mundial de chinelos Havaianas.
E Carlo Ancelotti.
Ele reparte propaganda da cerveja Brahma com Ronaldo Fenômeno.
Há outras oferta publicitárias que ele estuda.
O treinador italiano não venceu nada com a Seleção.
Mas é o maior técnico vencedor da história pelos clubes que passou.
Ganhou cinco Champions League, por exemplo.
O terceiro teve falta de sorte.
A Powerade, isotônico da Coca-Cola, apostou em Rodrygo, em uma campanha mundial. Mas, logo depois de gravar a propaganda, ele rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito. E está fora da Copa.
“Além das propagandas, há os eventos, que os pentacampeões são chamados pelo mundo todo.
“Lembram de nós porque fomos os últimos brasileiros que venceram a Copa.
“Se o Brasil vencer em 2026, isso vai acabar.
“Como acabou para a Seleção de 1994.
“Vou continuar secando...”, assume Vampeta...














