Globo não quer mais comentaristas cedendo a ameaças de torcedores
Juninho Pernambucano desistiu de comentar a final da Taça Guanabara. Por medo de torcedores flamenguistas. Isso não poderá mais se repetir
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

"Lixo humano, vou te matar, tu é Paraiba, filho da p..., viado, vai chupar uma ... Foram só as pequenas coisas escritas pela torcida da massa para mim, do povo. As ameaças serão levadas à delegacia segunda. Não farei o jogo amanhã, pedi para não fazer. Onde estamos?"
Foi assim, usando seu twitter, que Juninho Pernambucano quebrou um protocolo de décadas na TV Globo. Narradores, comentaristas e repórteres já se acostumaram com ameaças por parte de torcedores. Nos últimos tempos, até ameaças de morte viraram comuns.
A atitude adotada por eles é bem diferente do que fez Juninho Pernambucano. Internamente, tudo era resolvido. E providências eram tomadas, como o narrador e o comentarista ficarem em estúdio e ir apenas o repórter para o local do jogo. Se houvesse um torcedor insistente, mais perturbado, policiais eram avisados. E nunca houve, até hoje, uma ameaça de morte que fosse realmente verdadeira.
Um dos lugares mais perigosos para a equipe esportiva da Globo é a Vila Belmiro. Há anos, narradores e comentaristas evitam colocar o pé no estádio santista.
Mas Juninho Pernambucano decidiu expor o que estava acontecendo. As ameaças de flamenguistas o deixaram genuninamente apavorado. E também sua família. Daí a ideia do twitter.
Juninho Pernambucano tem uma identificação profunda com o Vasco. Foi um dos grandes jogadores de sua história. Acabou até campeão da Libertadores. Foi líder nos clubes por onde passou.
Dono de personalidade forte, logo virou uma das vozes mais ouvidas no movimento Bom Senso.
Cansou de criticar o calendário absurdo que esgota os jogadores e deixa o nível técnico do futebol deste país o pior possível. Havia também queixas pelas partidas às 22 horas durante a semanda, que sabotam as vidas dos torcedores.
Só que em 2014, foi convidado a comentar alguns jogos pela TV e rádio Globo. Agradou. E teve de optar. Era impossível seguir no Bom Senso e trabalhando por uma das principais responsáveis pelo atraso, em todos os sentidos, do futebol brasileira. A emissora só pensa na sua grade de programação. E que obriga aos excessos de jogos, já que ela é responsável pelas tabelas impostas pela CBF.
Juninho Pernambucano largou o Bom Senso. Ele era um dos seus grandes líderes. Sua saída ajudou o movimento de reação dos jogadores a morrer.
Só que no ano passado, o comentarista começou a ter problemas. No aeroporto de Congonhas, discutiu com Henrique, zagueiro que atuava no Fluminense. O motivo: Juninho disse na Globo que Henrique não tinha condições de ser capitão do time. O jogador se ofendeu e questionou o contratado da emissora carioca. Perguntou porque não ia ao Fluminense durante os treinos para entender o porque de Henrique ser o capitão.
Depois houve o Fla-Flu pela Sul-Americana. Juninho criticicou veementemente o goleiro Diego Alves. Garantiu que na Europa não faria a cera que fazia durante o confronto. E, durante a transmissão, elogiou o time do Fluminense.

Foi o que bastou para muitas críticas e discussões nas redes socias.
Flamenguistas passaram a perseguir o comentarista.
A gota d'água foi a sua crítica à comemoração ao gol de Vinícius Júnior, na semifinal da Taça Guanabara. Ao marcar o seu gol contra o Botafogo, o garoto imitou o famoso gesto do chororô. Ele remete a anos e anos que o time botafoguense questionava a arbitragem para justificar derrotas.
"Isso não é coisa de profissional, jamais faria isso", disse o comentarista durante a transmissão do jogo.
Foi o que bastou para varias discussões nas redes sociais. Torcedores mostraram Juninho Pernambucano fazendo gestos obscenos quando era jogador do Vasco e enfrentava o Flamengo. Chegaram até a selecionar diversos comentários que ele fez com o microfone da Globo contra o Flamengo.
É pouco divulgado, mas Juninho Pernambucano perdeu a noção. E escreveu vários palavrões contra um torcedor. E o chamou para a briga.
A reação, lógico, foi avassaladora. Com inúmeras ofensas e ameaças de morte.
Galvão Bueno usou seu programa Bem, Amigos, para criticar a intolerância dos torcedores. Mas em nenhum momento citou os palavrões de Juninho Pernambucano e o encontro para a briga que ele propôs.
Executivos globais não querem que a situação se repita. Que nenhum comentarista desista de transmitir uma final de campeonato por medo de torcedores. Juninho Pernambucano terá de mudar sua atitude se quiser continuar a trabalhar na emissora.

Sua participação nas redes sociais também terá de ser alterada.
Juninho Pernambucano foi sondado para ser dirigentes do Lyon, onde fez muito sucesso. No ano passado, recusou. Mas a situação hoje é completamente diferente.
Mas ele pode ter certeza.
Terá de trabalhar em todos os jogos nos quais seja escalado.
Principalmente os do Flamengo, clube preferido da emissora.
Membros da própria direção do clube carioca não se sentem satisfeitos com a postura do comentarista.
Os torcedores perceberam a sitação.
E prometem, nas redes sociais, seguirem perseguindo Juninho.
O cenário não é nada favorável ao ídolo vascaíno...














