Felipão é um presente de Leila. E Bernard pode ser o primeiro reforço
A patrocinadora do Palmeiras participou da contratação. Ela banca a volta, pela terceira vez, de Scolari até 2020. O sonho é a Libertadores e Mundial
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Foi Leila Pereira a responsável pela volta de Felipão.
Em plena crise política vivida por Mauricio Galiotte, com suas contas reprovadas pelo Conselho de Orientação Fiscal, pela doação de R$ 120 milhões da Crefisa terem virado empréstimo, Leila teve de agir.
A principal patrocinadora de um clube na América Latina resolveu arcar com os salários do treinador. Ele ficará até o final de 2020. A postura de Leila foi fundamental.
Ela queria o melhor treinador possível, alguém capaz de assumir o clube para acabar com as trocas constantes de treinadores, impostas pelo executivo Alexandre Mattos, que não conseguiu manter um técnico, desde 2015, por dez meses no cargo.
Luiz Felipe Scolari estava em Lisboa, onde um filho mora e ele tem casa. Depois da Copa do Mundo da Rússia estava sendo sondado para trabalhar na Coreia do Sul. Não estava nada certo. Mas não tinha pressa.
Aos 69 anos, Felipão está com a vida profissional resolvida há muito tempo. É milionário. Com investimentos em imóveis principalmente em Goiás. Mas também tem em Porto Alegre, Lisboa e São Paulo.
A decisão por Luiz Felipe Scolari saiu de Galiotte. Pressionado por conselheiros e membros importantes de sua diretoria, não queria mais uma aposta. Um técnico sem currículo importante. Como foram os casos de Eduardo Baptista e Roger Machado, 'engolidos' pela pressão de comandar o Palmeiras, endinheirado, com a obrigação de conquistar a Libertadores da América.
O primeiro nome, como já foi publicado no blog, e confirmado pelo próprio treinador, foi Abel Braga. Ele recusou para ficar com sua família. E também para não assumir com o Brasileiro, a Libertadores e a Copa do Brasil já na fase aguda. Gosta de formar os times nos clubes onde trabalha.
Galiotte recebeu recados de pessoas ligadas a Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior. Os dois estão desempregados e aceitariam trabalhar imediatamente no Palmeiras. Inclusive com contrato de risco até o final do ano.
Mas o presidente e Leila queriam o melhor. Alguém com conceito internacional e que já conhecesse profundamente o Palmeiras. Por isso nomes como o de Jorge Sampaoli e Juan Carlos Osório acabaram descartados.

Felipão foi o último campeão mundial com a Seleção Brasileira. Foi quarto colocado da Copa de 2006 com Portugal. Venceu a única Libertadores da América que o Palmeiras tem. Mas também tem como mancha o encaminhamento para o rebaixamento em 2012. Em um erro histórico de avaliação, com um elenco pequeno e fraco investiu tudo na Copa do Brasil. A conquistou, só que jogou o clube no abismo, na Segunda Divisão, pela segunda vez.
Este foi um dos apelos usados na conversa com telefone com o treinador.
Ele se apresentará na segunda-feira.
E terá como seu discurso o resgate de uma 'dívida moral' pelo rebaixamento palmeirense.
Galiotte e Alexandre Mattos estão segurando o máximo que podem em relação aos valores. Mas conselheiros garantem que o Palmeiras terá o treinador mais caro do Brasil. Com salário maior do que Tite na Seleção Brasileira. Ele recebe R$ 700 mil da CBF.
Murtosa não será seu auxiliar. Mas trará velhos conhecidos para o Palestra Itália. O preparador físico Paulo Paixão, o preparador de goleiros Carlos Pracidelli e auxiliar: o ex-zagueiro do próprio Palmeiras, Paulo Turra.
Scolari comandou o Palmeiras duas vezes: 1997 e 2000 e de 2010 a 2012. Ganhou cinco títulos: Libertadores (1999), duas Copas do Brasil (1998 e 2012), Copa Mercosul (1998) e o Torneio Rio-São Paulo (2000).
Ele completará 70 anos em novembro.
Com seu retorno, ele quebra a promessa de nunca mais voltar a trabalhar no futebol brasileiro, feita depois que foi demitido do Grêmio, em maio de 2015. Para preservar a imagem do treinador, que é apaixonado pelo clube gaúcho, os dirigentes da época disseram que a saída foi de 'comum acordo'.
Felipão além do rebaixamento do Palmeiras em 2012, sabe que tem sua própria imagem para resgatar. A maior derrota da história do futebol brasileiro é sua. Na semifinal da Copa do Mundo de 2014, o 7 a 1 para a Alemanha.
O sonho de Leila e Galiotte é a conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes.
E no cenário atual, os dois só enxergaram na figura de Luiz Felipe Scolari a maior chance de conduzir o clube para estas conquistas. Ele terá três chances. Este ano e nos dois próximos.

Felipão nunca trabalha sem multa contratual.
E ela não será barata.
Já que o treinador será o de maior salário no país.
O nome de Felipão trouxe muita agitação no Palmeiras, nesta noite de quinta-feira.
Ele foi contratado menos de 24 horas depois da demissão de Roger Machado.
A expectativa é enorme.
O clima é de perdão pelo rebaixamento.
E de esperança que ele consiga fazer o caríssimo elenco render.
Que monte a equipe competitiva, vibrante como em 1999.
Leila promete colaborar não só no salário.
Mas trazendo reforços ao clube, não como empréstimo.
Como doação, sem retorno financeiro algum.
Mattos já está procurando jogadores para a defesa e para o meio-campo.
Bernard tem uma proposta altíssima, digna de clubes europeus.
Ele está livre, sem contrato, treinando em Minas Gerais.

Felipão o adora.
Na Copa de 2014, dizia que ele tinha 'alegria nas pernas'.
Pode ser o primeiro presente de Leila a Felipão.
Galiotte avisou seus amigos mais próximos.
A revolução no futebol do Palmeiras já começou...













