Acordo surreal por dívida de R$ 90 milhões com Neymar é só o primeiro passo. Marcelo Teixeira quer transformar o Santos em SAF. Neymar Pai é o grande interessado em virar o dono do clube
De nada vale o clamor da mídia, os protestos de alguns conselheiros. O acordo está firmado em cartório entre Neymar Pai e Marcelo Teixeira, em relação à dívida de R$ 90,5 milhões com o jogador Neymar. Se Teixeira não for reeleito, Neymar Pai quer o dinheiro à vista ou o CT dos garotos. Tudo é estratégia, pensando na transformação do Santos em SAF
Cosme Rímoli|Do R7

Bilionários se entendem.
Marcelo Teixeira tem uma fortuna calculada em R$ 1,3 bilhão.
Neymar Pai e Filho chegam a R$ 5,7 bilhões.
Os três têm em comum o clube brasileiro mais conhecido e respeitado no exterior.
Não por causa deles.
Mas por conta da equipe fabulosa da década de 60, que tinha Pelé, o maior de todos os tempos, como espetacular destaque.
Setenta anos depois, graças a inúmeras administrações incompetentes e ‘estranhas’, o Santos está mergulhado em dívidas. Não se sustenta.
As receitas não conseguem segurar os juros das dívidas, que se acumulam. Já ultrapassam R$ 1,1 bilhão.
O processo de transformação do clube em SAF, fazer um dono assumir as dívidas, e também, lógico, o futebol, já está em andamento. Mas só estará pronto na próxima administração.
O desejo de Teixeira é alguém ou algum grupo se dispor a pagar a dívida de R$ 1,1 bilhão e investir outro R$ 1 bilhão no clube, em um prazo que pode chegar a dez anos.
O grupo norte-americano Saint Dominique analisou a situação santista no início do ano. Mas a transação não foi para a frente. Até porque, juridicamente, o Santos ainda não pode virar SAF. Há a necessidade da reforma do estatuto. Depois, a aprovação do Conselho Deliberativo e dos sócios. Isso só deverá acontecer, no mínimo, em 2027.
O mandato de Teixeira termina em dezembro.
Ele é candidato e favorito à reeleição.
Neymar Pai quer se tornar dono do Santos. Tem dinheiro de sobra para isso. Ele sonha em aproveitar todo o potencial turístico do litoral paulista. Não montou o Hard Rock Café à toa.
O desejo, de acordo com amigos do empresário, é controlar o Santos. Participar da construção de nova arena. Modernizar o clube. Voltar a transformar o Santos, de novo, em uma potência dentro do campo.

Ele não bancou a reforma do Centro de Treinamento Meninos da Vila, por acaso.
Neymar Pai é um empresário de enorme sucesso. Se seu filho tem cerca de 274 milhões de seguidores nas redes sociais e participações em vários empreendimentos imobiliários, é por sua visão, que aproveita ao máximo a carreira midiática do filho.
Teixeira percebeu que Neymar Pai é o caminho para que ele siga no poder no Santos. E também consiga reformular o clube.
Daí a vinda de Neymar. Teixeira sempre soube que seria apenas o primeiro passo. Não havia e nem há dinheiro para montar um supertime para o talentoso jogador. Mas a visão era além do campo.
Teixeira não é ingênuo. Sabia que não havia e nem há condições de o Santos ser campeão de coisa alguma. O principal sempre foi apertar os laços com Neymar Pai. Pensando em reformular o clube no próximo mandato.
E ficar marcado com o presidente que comandou a reviravolta santista.
Pagar R$ 9 milhões por mês para Neymar é um salário assustador no Brasil. Ninguém ganha perto. Representa 1,5 milhão de euros no mundo do futebol. Ele recebia 13 milhões de euros mensais no Al-Hilal, cerca de R$ 77 milhões.
Neymar não usa o Santos para ficar mais rico. Usa para voltar à Seleção. O Santos não usa Neymar para ganhar título. Mas para ‘amarrar’ Neymar Pai no projeto de reformulação do clube.
E o empresário aceitou esse acordo, que sabe só funcionar com Teixeira. E o presidente santista sabe que o futuro está com Neymar Pai.
Daí o acordo surreal em relação à dívida do Santos em relação a Neymar.
Sobre a maneira de pagar os R$ 90 milhões devidos ao jogador.
A primeira parte é de R$ 26 milhões, divididos em cinco parcelas de R$ 5,2 milhões a serem pagas entre janeiro e maio de 2026.
A partir de junho, 43 parcelas mensais de R$ 1,5 milhão. Sim, até dezembro de 2029, o Santos pagaria os restantes R$ 64,5 milhões.
Se o Santos não pagar, o CT Meninos da Vila passaria a ser de Neymar Pai.

E o acordo é explícito. O parcelamento da dívida só vale se Marcelo Teixeira for reeleito. Se outra pessoa assumir o cargo, não há parcelamento.
Neymar Pai quer o dinheiro à vista.
Essa postura é uma maneira de fazer os sócios manterem Teixeira no poder.
Para que os dois bilionários sigam na reconstrução do Santos.
Da maneira que os dois planejam, óbvio.
Eles têm a grande vantagem de que não há nomes fortes na oposição.
Ou empresas ou empresários sonhando em comprar a SAF do Santos.
Poucos conselheiros tentam travar a combinação.
Querem alegar ser ilegal amarrar o parcelamento à reeleição de Teixeira.
O blog ouviu alguns advogados, especialistas em direito esportivo.
E as respostas foram favoráveis a Teixeira e Neymar Pai.
Em termos gerais, a resposta foi esta.
Quem empresta pode impor a condição que quiser.
Vai depender de quem precisa pagar aceitar ou não o que é imposto.
A situação é clara e pública.
O acordo entre Neymar Pai e Marcelo Teixeira segue por um caminho muito mais profundo do que aparenta.
O futuro do gigante Santos Futebol Clube depende desses dois bilionários.
Muito mais do que de Neymar...
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