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Caso Daniel: indícios para prisão de 7º suspeito são fortes, diz promotor

João Milton Salles, do MP paranaense, vê indícios da participação no crime de Eduardo Purkote que justificam a detenção temporária do suspeito

Futebol|Cesar Sacheto do R7

Daniel Corrêa tinha 24 anos
Daniel Corrêa tinha 24 anos Daniel Corrêa tinha 24 anos

O promotor João Milton Salles, destacado pelo Ministério Público do Paraná para acompanhar o inquérito policial que apura a morte do jogador Daniel Corrêa, afirmou nesta segunda-feira (19) que a prisão de Eduardo Purkote, de 18 anos, sétimo suspeito de participação no crime, está respaldada em indícios da participação do jovem no crime.

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O rapaz foi ouvido na tarde desta segunda (19) na Delegacia Regional da Polícia Civil de São José dos Pinhais (PR). Ele foi apontado no depoimento de uma das testemunhas como responsável por entregar a faca do crime a Edison Brittes Junior, o Juninho Riqueza, que confessou ter matado Daniel, além de ter participado do espancamento da vítima.

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"A decretação da prisão temporária é feita com base na análise técnica do delegado, do Ministério Público e do juiz de direito. Vários elementos são analisados. Você tem indícios muito fortes dessas circunstâncias. Para o primeiro e o segundo momentos [inquérito e denúncia do MP], tenho indícios de participação dele que justificaram a prisão temporária", enfatizou o promotor.

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A prisão de Purkote, ocorrida na última quinta-feira (15), havia sido motivo de divergência entre advogados de testemunhas e outros indiciados por envolvimento no assassinato, ocorrido no mês passado durante uma festa de aniversário na casa da família Brittes, em São José os Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. 

"Tenho uma circunstância do homicídio que foge da normalidade. O homicído geralmente se consuma no lugar em que se iniciou. Nesse caso, atos voltados para a morte da vítima se iniciaram em um local e terminaram em outro. Não tenho como partir essa dinâmica criminosa. Não tenho duvidas de quem estava no local onde o crime foi consumado. Mas, na casa, é possivel que mais pessoas tenham colaborado. Isso será depurado no inquérito policial", complementou o representante da Promotoria paranaense no caso.

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Edison, Allana e Cristiana Brittes estão presos
Edison, Allana e Cristiana Brittes estão presos Edison, Allana e Cristiana Brittes estão presos

O empresário Edison Brittes, que confessou ter matado o jogador Daniel Corrêa, ex-atleta do São Paulo, está detido no Centro de Triagem I, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. A mulher dele, Cristiana, e a filha, Allana, foram encaminhadas para a Penitenciária Feminina, no mesmo complexo prisional.

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Eles cumprem prisão temporária pela morte do atleta no dia 27 de outubro e estavam detidos na Delegacia de São José dos Pinhais.

Crimes apurados no caso

Os acusados deverão ser indicados por homicídio qualificado. No entanto, a individualização das condutas ainda não foi definida pela polícia e pelo Ministério Público. Os indiciados também poderão responder por adulteração de local de crime, coação de testemunha e ocultação de cadáver.

Confira outros tópicos da entrevista do promotor João Milton Salles ao R7:

Todos respoderão pelos mesmos crimes?

"Não posso dizer todos. Tenho outros crimes: adulteração de local de crime, coação de testenhuma, ocultação de cadáver. Tudo em torno de um crime de homicídio. Tenho sete pessoas presas e indiciadas. Cada uma vai ser denunciada na medida do seu comportamento. E essa medida só terei depois da investigação pronta, quando irei me debruçar durante dois ou tres dias sobre o inquérito. Ali, vou fazer o mapa dos acontecimentos e dar a medida exata do que aconteceu com cada um dos participantes, qual foi a intenção e a conduta deles nessa empreitada."

Edison Brittes era visto como o "chefe" e manipulava os demais envolvidos?

"A partir do momento em que se detonou o fato, tenho muito claro uma adesão. As pessoas que estavam ali aderiram imediatamente àquela conduta. Isso está muito claro. Por circunstâncias de momento e lugar. A vítima estranha aquele ambiente, estava fora do universo dela. A violência está patente. O que posso afastar absolutamente pelas circunstãncias é que ele [Daniel] não teria dado alguma causa a isso. Seja pelo estupro, que não se confirmou, pela embriaguez ou pelas circunstâncias físicas do local."

Importância da perícia para a formulação da denúncia

"As provas periciais vão ser de uma importância muito grande para o processo. Em a perícia demonstrando como foi a dinâmica, as agressões à vítima, vai surpreender muito pela violência do crime. Quando a perícia mostrar como tudo foi feito, vai demonstar a barbaridade efetiva do que aconteceu."

Data do julgamento

"Tenho um processo em que os réus estão presos e os prazos têm que ser bastante observados. O juiz tem um prazo para terminar a instrução processual e pode variar um pouco. Sob a minha ótica, enquanto Ministério Público, pelo que tenho de provas apresentadas e pela instrução, entendo que deva correr o mais rapido possival, garantindo a ampla defesa, apresentação de provas, etc.Em tese, gira em torno de 180 dias entre o início do inquérito policial e o julgamento. Não são prazos longos. Mas há várias circunstâncias que dão elasticidade e complexidade para o processo, como o excesso de testemunhas e a catimba." 

Catimba da defesa

"Tenho que contar com um fator impoderável: a catimba. Até que ponto a defesa vai recorrer. Não tenho controle sobre isso. A defesa pede uma dirigência que pode demorar meses. A gente sabe que é inútil, mas o juiz não tem como indeferir, porque é principio de ampla defesa. No entanto, caso os réus estejam presos, qualquer tentativa de postergar o proceso não podeá interferir no excesso de prazo."

MP solicitará pena máxima para os réus?

"Na realidade, não peço uma pena na denúncia. É a minha maneira de agir. Peço que o juiz analise as circunstâncias negativas que mostro no processo. Aponto todas elas durante o processo, e quem toca o processo, pede nas alegações finais. Não gosto de me adiantar. O juiz tem que apreciar e fundamentar."

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