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BRASILEIRO 2022
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'Eles saíram para desovar o corpo', diz promotor de Caso Daniel

Promotor que acompanha o inquérito afirma que Edison Brittes Junior tinha a intenção de matar o jogador desde o início. Empresário está preso

Futebol|Cesar Sacheto, do R7

Cristiana e Edison Brittes gostavam de ostentar joias, carros e motos caras
Cristiana e Edison Brittes gostavam de ostentar joias, carros e motos caras Cristiana e Edison Brittes gostavam de ostentar joias, carros e motos caras

O empresário Edison Brittes Junior já tinha a intenção de matar o jogador de futebol Daniel Corrêa, 24, e se livrar do corpo quando deixou a residência da família, em São José dos Pinhais (PR), junto com outros três suspeitos do crime. A afirmação é do promotor João Milton Salles, que acompanha as investigações policiais pelo Ministério Público paranaense e será o responsável por oferecer a denúncia à Justiça.

Veja mais: Sexo, traição e vingança: por que o jogador Daniel foi assassinado

Daniel, de 24 anos, atleta do São Paulo que estava emprestado ao São Bentopara a disputa da Série B do Brasileirão, foi assassinado quando participava da festa de aniversário de Allana Brittes, filha de Edison e Cristiana, no dia 27 de outubro. O jogador foi flagrado na cama de Edison, que alegou ter agido para defender a esposa de uma possível tentativa de estupro — a hipótese foi descartada pela polícia.

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"No senso comum, ninguém joga um cara no porta-malas do carro, pega uma faca e vai para o meio do mato pensando em fazer alguma coisa que não seja matá-lo. Eles começaram a matar dentro da casa e foram lá [no matagal] para desovar o cara. É o senso comum e ele não foge da verdade. Qualquer coisa que saia desse senso comum é uma tentativa de manipular os fatos", enfatizou o promotor em entrevista ao R7.

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Para João Milton Salles, Edison Brittes teve frieza para pensar nas consequências de executar Daniel dentro da casa e tempo para desistir no caminho até a área rural da cidade, onde o jogador foi torturado, morto a facadas e teve a genitália cortada.

"Se tivesssem consumado dentro da casa, seria muito mais difícil [esconder o crime]. Imagine a quantidade de sangue que ele espalhou no lugar. Foi uma coisa pavorosa. O tempo que eles tiveram no percurso era mais do que suficiente para desistir da bobagem que estavam fazendo, não para alimentá-la. E isso agrava a conduta", completamenta.

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Jogador do São Paulo, Daniel estava emprestado ao São Bento
Jogador do São Paulo, Daniel estava emprestado ao São Bento Jogador do São Paulo, Daniel estava emprestado ao São Bento

João Milton Salles voltou a destacar que o laudo da perícia técnica no corpo de Daniel e nos locais onde o crime ocorreu será fundamental para finalizar a denúncia contra os acusados. No entanto, ele considera o caso praticamente esclarecido.

"A denúncia está organizada na minha cabeça. Preciso do acabamento. Todos eles [suspeitos] contam uma parte e todos mentem um monte. Mas a gente consegue depurar isso. Porque as contradições se apresentam e as concidências também. O fato em si, de pegar o cara, encher de facada e cortá-lo, é relativamente simples", analisou.

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Tipificações

O promotor ainda não revelou quais crimes serão imputados à família Brittes e aos outros três suspeitos de envolvimento nas agressões e execução de Daniel. Tal decisão será tomada somente após o delegado Amadeu Trevisan relatar o inquérito, provalvemente na próxima semana.

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"Tem vários crimes ali. Mas o que vai ser tipificado ainda não posso adiantar, porque dependo de uma análise do inquérito", finalizou o promotor.

Família presa

Edison Brittes Junior, Cristiana e Allana estão presos em um complexo penitenciário na região metropolitana de Curitiba. Mãe e filha estão na penitenciária feminina, porém separadas. As prisões são temporárias, mas podem ser prorrogadas ou tranformadas em preventivas.

Edison, Allana e Cristiana estão presos Piraquara (PR)
Edison, Allana e Cristiana estão presos Piraquara (PR) Edison, Allana e Cristiana estão presos Piraquara (PR)

Passado criminoso de Edison Brittes

Edison Brittes possui um histórico de processos judiciais que pode agravar a condição dele em um eventual julgamento pelo homicídio.

A moto Honda CBR 1000Rs Repsol do empresário está em nome de um traficante de drogas. Também o chip do celular que era usado por Edison pertence a um homem que foi fuzilado em 2016. O homicídio, registrado como morte a esclarecer, ainda está sendo investigado.

Segundo o programa Balanço Geral, da RecordTV, o empresário, conhecido na cidade onde mora como Juninho Riqueza, também foi processado pela mãe pelo empréstimo de R$ 165 mil, dinheiro obtido com a venda de um imóvel.

Os recursos seriam utilizados para um negócio, mas o empresário não cumpriu a promessa de pagamento. Ele teria ofendido a mãe, que fez queixa na polícia e abriu uma ação cível contra o filho. A audiência do caso está marcada para fevereiro do ano que vem na Justiça de Matinhos, no litoral paranaense.

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