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Sonhei com Endrick. E acordei acreditando no hexa

Às vezes, o futebol invade o sono. E, quando isso acontece, a lógica dá lugar à esperança

Zé da Zaga|Zé da Zaga

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Endrick durante treinamento da seleção, em Nova Jersey (EUA) Caean Couto/Reuters - 10.06.2026

Esta noite eu tive um sonho.

E, como quase todo sonho envolvendo futebol, ele não fazia muito sentido.


Mas era bonito.

No sonho, chegava a Copa do Mundo. O Brasil avançava. Passava da fase de grupos. Passava das oitavas. Passava das quartas.


E o Endrick?

Nada.


Ficava no banco.

Entrava outro atacante. Depois, mais outro. O jogo apertava e ele continuava sentado. Os comentaristas questionavam. As redes sociais reclamavam. O país inteiro pedia uma chance.


E nada.

O garoto esperava.

Porque às vezes a Copa faz isso.

Ela transforma a ansiedade em teste.

Até que chegava a semifinal.

Ou a final. Sonho tem dessas confusões.

O Brasil empatava. O relógio corria. O adversário crescia. Aquele clima conhecido de quem já viu a esperança escorrer pelos dedos algumas vezes.

E então o quarto árbitro levantava a placa.

Entrava Endrick.

Finalmente.

Não lembro se foi aos 38 ou aos 42 do segundo tempo. Sonho não guarda esses detalhes.

Só lembro da sensação.

Aquela sensação que o torcedor brasileiro conhece bem. A de que alguma coisa estava prestes a acontecer.

E aconteceu.

Uma bola perdida na área.

Um chute improvável.

Um gol.

Daqueles que fazem o tempo parar por um segundo.

Daqueles que transformam um menino em personagem histórico.

Daqueles que ficam presos para sempre na memória de quem viu.

O estádio explodia.

O Brasil também.

E o garoto que passou a Copa inteira esperando sua vez virava o herói do hexa.

Foi aí que acordei.

Sem gol para rever. Sem taça para levantar. Sem narração histórica.

Só com uma pergunta na cabeça.

Já pensou que legal?

Porque o futebol tem esse hábito maravilhoso de guardar seus maiores roteiros para quando ninguém mais espera.

E talvez seja exatamente por isso que a gente continua assistindo.

No fundo, todo torcedor brasileiro ainda guarda um espaço para acreditar que o próximo herói pode estar ali.

Quieto.

No banco.

Esperando a sua vez.

Como Endrick no meu sonho.

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