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Há 20 anos, o rádio perdeu a voz; e o futebol perdeu um pedaço da alma

Duas décadas após a morte de Fiori Gigliotti, fica a sensação de que o futebol evoluiu em quase tudo, mas jamais conseguiu reproduzir a magia que ele levava ao microfone

Zé da Zaga|Zé da Zaga

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Fiori Giglioti, em ação, no então Parque Antártica
Fiori Giglioti, em ação, no então Parque Antártica Paulo Pinto/Estadão Conteúdo - 29.04.2004

Faz 20 anos que Fiori Gigliotti nos deixou.

E, curiosamente, quanto mais o tempo passa, maior ele parece.


Talvez porque o futebol tenha mudado demais. Talvez porque o rádio tenha mudado demais. Ou talvez porque simplesmente não apareçam mais figuras como ele.

Hoje temos câmeras em todos os ângulos, estatísticas em tempo real, redes sociais e programas esportivos durante 24 horas por dia.


Mas ainda não conseguimos produzir outro Fiori.

E provavelmente nunca vamos.


Quem cresceu ouvindo futebol no rádio sabe do que estou falando.

A transmissão começava muito antes do apito inicial. A voz de Fiori carregava expectativa, emoção e personalidade. Ele tinha o raro talento de transformar uma partida comum em um evento imperdível.


Sua narração atravessava a sala, a cozinha, o carro, a cidade inteira.

E mesmo quem nunca o encontrou pessoalmente sentia uma espécie de intimidade com ele.

Porque Fiori fazia parte da rotina das pessoas.

Passou por grandes emissoras e teve duas passagens marcantes pela Rádio Record, além de atuar na televisão, onde ajudou a consolidar uma forma de comunicar esporte que marcou gerações.

Seu legado vai muito além das frases famosas ou dos bordões que ficaram na memória do torcedor.

Fiori pertence a uma geração que ajudou a construir a relação emocional entre o brasileiro e o futebol.

Em uma época sem internet, sem redes sociais e sem a avalanche de imagens que existe hoje, cabia ao narrador levar o jogo para dentro da casa das pessoas.

E poucos fizeram isso com tanta competência.

Vinte anos depois, o futebol continua produzindo grandes jogadores.

O rádio continua revelando bons profissionais.

Mas algumas figuras ocupam um espaço que não pode ser preenchido.

Fiori Gigliotti é uma delas.

Por isso sua lembrança continua tão viva.

Não apenas pela carreira brilhante ou pelos momentos históricos que narrou.

Mas porque, duas décadas depois de sua partida, seu nome ainda desperta o mesmo sentimento em quem ama futebol:

Saudade.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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