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Jogador ruim até vai, difícil mesmo é suportar os burros

Do futebol americano ao basquete, nada é mais irritante para um torcedor em um esporte coletivo do que o atleta que não usa o cérebro

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Jogadores que tomam decisões burras são mais irritantes que jogadores sem habilidade em esportes coletivos.
  • No futebol americano, é crucial usar o tempo de forma inteligente, como sair pelas laterais para parar o relógio.
  • Malik Willis, do Miami Dolphins, falhou em renovar descidas e desperdiçou a chance de tentar um field goal ou hail mary.
  • Jayden Daniels, do Washington Commanders, não parou o cronômetro, resultando em um empate ao invés de uma vitória.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Malik Willis (camisa 2) tenta escapar de tackle de Barrett Carter (camisa 49) durante confronto entre Miami Dolphins e Cincinnati Bengals Reprodução Site/Cincinnati Bengals/Ryan Meyer

O Jarda por Jarda é uma coluna sobre futebol americano, mas este texto serve para qualquer amante de esporte coletivo. Seja o nosso futebol, vôlei, basquete ou até mesmo handebol, poucas coisas são mais irritantes do que um jogador que toma sempre as decisões mais burras.

É inevitável se deparar com o atleta que não é tão habilidoso quanto os outros, e muitas vezes nos acostumamos com isso. Não é falta de vontade ou indisciplina, é realmente não ter o talento que outros craques de seja lá qual for o esporte possuem. Irrita quando eles fazem alguma bobagem, mas é normal.

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Uma breve explicação que fará sentido no restante do texto: para quem não acompanha o futebol americano, nos cinco minutos finais de cada tempo, toda jogada de ataque que termina com o jogador saindo de campo com a posse de bola para o relógio do jogo. Ou seja, para economizar tempo, o ideal é que você faça passes ou planeje corridas que terminem com o ataque saindo pelas laterais do campo.

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No último domingo (11), enquanto assistia à rodada da NFL, me deparei com a atuação de dois jogadores que motivaram este texto: os quarterbacks Malik Willis, do Miami Dolphins, e Jayden Daniels, do Washington Commanders.

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Vamos começar por Willis, que é o perfeito exemplo do título deste texto. Com um primeiro tempo horroroso contra o Cincinnati Bengals, no qual o jogador chegou a ter mais interceptações do que passes completos, o quarterback dos Dolphins tinha tempo no relógio para uma última campanha na primeira etapa.

Faltando pouco menos de 20 segundos, em uma terceira descida para 14 jardas, ele decidiu correr em direção à lateral para conseguir renovar a sequência de jogadas de Miami, além de parar o relógio. Ele percorreu 13 jardas e pisou fora de campo, faltando apenas uma jarda para renovar as descidas, em uma situação em que ele poderia ter se atirado para tentar conquistar aquela última jarda.

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Com 9 segundos restantes no relógio, em uma 4ª para 1 jarda, havia tempo para pelo menos duas jogadas, contanto que: 1) Willis conseguisse renovar as descidas; 2) nenhum jogador dos Dolphins com a bola fosse derrubado em campo. Como você já deve esperar, o quarterback de Miami até conseguiu completar o passe, mas o recebedor não conseguiu chegar à lateral.

Por não ter conquistado a primeira descida quando correu, Willis se viu obrigado a garantir algum passe para renovar a campanha e acabou deixando os Dolphins morrerem com a bola sem sequer tentar um field goal ou uma hail mary (quando se lança a bola em direção ao final do campo na esperança de que alguém agarre, ainda que improvável). Não espero que ele seja o melhor jogador da NFL um dia ou carregue Miami até um sonhado Super Bowl; só torço para que ele não seja tão burro em tomadas de decisões tão simples.

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Já para Daniels, a situação fica mais complicada. Os Commanders receberam o New York Giants em Washington e levaram o jogo para a prorrogação. Entre idas e vindas, os Commanders recuperaram a bola faltando cerca de 2 minutos para acabar a partida, o que foi tempo suficiente para o quarterback de Washington cruzar o campo e chegar até a linha de 25 jardas — de onde é possível chutar um field goal fácil para levar a vitória.

Os Commanders, no entanto, com 20 segundos no relógio, decidiram realizar mais uma jogada — instrução que veio dos técnicos. Daniels, por sua vez, ficou com a bola na mão e não a jogou fora ou tentou correr para a lateral e parar o cronômetro. Resultado? O tempo de jogo se esgotou, Washington não tentou o relativamente tranquilo field goal da vitória e Giants e Commanders saíram apenas com um empate.

Por mais que a decisão de mais uma jogada tenha vindo dos treinadores, foi Daniels que ficou com a bola na mão e, no final do mês, ele é muito bem pago para colocar os Commanders na melhor posição para alcançar vitórias. Consigo nem imaginar os pensamentos que passaram pela cabeça da torcida de Washington ao ver a vitória escapar assim, ainda mais em um erro tão primário de alguém de quem se espera tanto.

Repito e não tenho medo de dizer: jogador ruim até vai, difícil mesmo é suportar os burros.

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