Tite terá de optar. Entre sua convicção tática ou agradar Neymar
O novo esquema de Tuchel no PSG tem resgatado o melhor futebol de Neymar. O brasileiro joga de maneira completamente diferente da Seleção
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Tite não atribui o fracasso na Copa a seu esquema.
Segue repetindo a si mesmo e, àqueles a quem é próximo, frases que rementem à coletiva logo após a eliminação diante da Bélgica. E à entrevista depois da primeira convocação, para o recomeço depois da Rússa, os amistosos contra Estados Unidos e El Salvador.
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"O Courtois para mim fez a diferença. A Bélgica teve três finalizações e foi efetiva. Fiquei quase 15 noites sem dormir, não fui nem para minha casa. Queria entender o que aconteceu, ficar na minha, não é fácil. Ficou abaixo da minha expectativa porque eu imaginava chegar na semifinal, sim.
"Foram 26 finalizações contra os belgas. O planejamento, o desenho tático, o desempenho. Foi tudo satisfatório. O Courtois fez a diferença", insiste.
E o treinador da Seleção pretende fazer vários testes até a Copa América, no próximo ano, no Brasil. Dará chances a vários jogadores.
Mas em relação à estratégia, Tite saiu convencido de que a Seleção se adaptou perfeitamente à maneira que vê futebol.
Partindo do esqueleto do 4-1-4-1, o técnico passou para o 4-3-3 e 4-4-2 durante o Mundial.
Seja da forma que for, o técnico acredita que o seu melhor jogador rende do meio para a esquerda. De preferência se fixando pelo lado canhoto do campo.
Como faz desde 2013, ao pisar em Barcelona.
São cinco anos que Neymar joga da mesma forma.
Só que agora haverá um impasse.

Por baixo, sendo motivo de piada na Copa, por suas simulações, desprestigiado por não ficar nem entre os dez melhores de 2018, o brasileiro entendeu que precisava recuar.
Afinal, está jogando no país campeão do mundo. E com seu principal atacante, Mbappé, roubando sua idolatria no PSG.
Para piorar, o técnico alemão Thomas Tuchel é muito diferente do espanhol Unai Emery. Apesar da aparência bonachona e de palavras gentis para a imprensa, o germânico tem personalidade fortíssima. É muito rígido.
E, entre as suas convicções, está a de que jogar com três zagueiros, um meia habildoso e dois atacantes mais adiantados é fundamental. Foi assim que conseguiu sucesso no Borussia Dortmund.
Usando como base o 3-5-2, costuma variar para o 3-1-4-2 e 3-4-1-2.
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O grande confronto entre Tite e Tuchel está na movimentação de Neymar. Ao contrário do treinador da Seleção, que o adora atuando pela esquerda, aberto como se fosse um ponta esquerda dos anos 70. Prendendo bola, driblando e tomando pontapés, o alemão o tem escalado como meia, centralizado.
Como Neymar percebeu que está em baixa, ele tem atuado pelo PSG como o 'ritmista' que Tite garantiu faltar no futebol brasileiro. Tem coordenado, articulado as ações ofensivas. Dado assistências, tocando bola de primeira, tabelando e surgindo para finalizar. Sem firulas, simulações, tem recebido justos elogios porque tem atuado bem.
Está certo que os adversários foram fraquíssimos.
Caen, Guimcanp e Angers. Três vitórias fáceis nos primeiros jogos do desigual Campeonato Francês. O dinheiro da família real catariana faz o PSG se divertir contra clubes que não têm um vigésimo do potencial econômico. Monica e Olimpique de Marseille são exceções, com mais dinheiro, só que ainda bem abaixo do PSG.
As três primeiras atuações de Neymar receberam elogios da imprensa francesa. Até do seu 'inimigo número 1', o jornal L'Equipe.
Tuchel não esconde que, para ele, o lugar certo para o brasileiro é no meio.
E será assim que seguirá jogando.
Só que, no dias dias 7 e 11 de setembro, Neymar terá pela frente Tite. E a convicção do treinador que o seu lugar é na esquerda, aberto. Pelo meio, a movimentação de Philippe Coutinho, com quem garantia ter se encantado, e com a chegada forte de Arthur, que deverá ocupar o lugar de Paulinho. Mais a chegada de Willian, para liberar a lateral.
É um sistema completamente diferente.

Será o primeiro teste para Tite.
Ele vai ceder e ajudar Neymar a se firmar?
Ou manterá suas convicções para a Seleção?
Priorizando o 'jeito brasileiro' de jogar futebol?
Pela felicidade do camisa 10 do PSG, não há dúvidas.
A Seleção Brasileira vai mudar sua maneira de jogar...
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