Corinthians de Diniz. Dominante, agressivo, líder na Libertadores. E usando as armas de Abel Ferreira, do rival Palmeiras. Vitória com bolas paradas, treinadas à exaustão. Com Garro e Gustavo Henrique perfeitos
O Corinthians se impôs diante do bom time do Santa Fé. Usou força física, marcação alta e bolas aéreas. Com a precisão do revigorado Garro e com o potencial físico de Gustavo Henrique. 2 a 0 e liderança absoluta no grupo E da Libertadores
Cosme Rímoli|Do R7

Foram 14 finalizações contra apenas seis.
E 63% de posse de bola, com pico de 72%.
Os gols vieram de jogadas aéreas, ensaiadas.
Como o Palmeiras repete inúmeras vezes em campo.
Diniz tem treinado à exaustão as bolas aéreas.
E Gustavo Henrique se destaca, com seus 1,96 m e ótima impulsão.
Foi o ‘Gustavo Gomez’ cover.
Foi a personificação da vitória.
Ele marcou um gol e ainda deu assistência para outro. Vibrava a cada corte, a cada dividida ganha.
O Corinthians estava muito confiante.
Fez por merecer esses três fundamentais pontos.
“É um time que tem muita fome e sede de aprender coisas novas.
“Tenho muita vontade de me comunicar e criar relações com os jogadores de maneira rápida para que as coisas fluam de maneira positiva”, comemorava Fernando Diniz.
O Corinthians empolgou de novo em Itaquera.
O time teve o domínio completo do Santa Fé.
O placar da vitória, 2 a 0, gols de Raniele e de Gustavo Henrique, foi até modesto diante do domínio brasileiro.
A equipe competitiva e muito forte fisicamente de Bogotá.
Ao contrário do que acontecia com o time sob o comando de Dorival Júnior, os jogadores corintianos assumiram o desafio de ter de vencer, se impor ofensivamente, merecer os três pontos importantes para assumir a liderança do grupo E da Libertadores.
A primeira providência foi repetir a equipe pela terceira vez.
Diniz soltou de vez Garro para ser o articulador do time e titular absoluto, ao contrário do que acontecia com Dorival.
É dono das bolas paradas.
A movimentação corintiana era intensa do meio para a frente.
Do meio para trás, muita força e vigor nas divididas, na marcação.
Um Corinthians vibrante, que levava a torcida a se empolgar, jogar junto, comemorar cada dividida ganha.
Diniz revelou que o segredo estava na confiança, no lado psicológico do time.
“Tenho um tipo de pensamento em relação a isso diferente da maioria. Respeito os dados fisiológicos, mas o jogador não é só um monte de osso e músculo.
“Tem outras coisas que são até mais importantes.
“Lesão e baixo rendimento têm o componente biológico, mas têm outras questões que não são contáveis: medo, coragem. Isso é o que mais me interessa.
“Para mim, tem a parte que mede e a parte que sente. O futebol e a vida são de sentir. Não desprezo a biologia e a ciência, mas me baseio em outras coisas para tomar as decisões.”

O fato de Fernando Diniz repetir a equipe pela terceira vez seguida foi um alívio para os jogadores.
Eles não toleravam as mudanças constantes na escalação, sob o comando de Dorival.
Outro detalhe: o Corinthians foi ousado durante todo o primeiro tempo. Despertou a expectativa positiva dos torcedores para o segundo tempo.
E foi quando a vitória se concretizou.
“No primeiro tempo, conseguiram marcar muito bem, mas mesmo assim a gente tentou impor nosso estilo de jogo. Glória a Deus pela vitória.
“Dois jogos, duas vitórias. Continuar com os pés no chão é o início do trabalho do nosso professor. Tentando entender o que ele pede para que a gente melhore para dar muita alegria ao nosso torcedor”, celebrava Gustavo Henrique.
O clima, com a vitória e liderança do grupo na Libertadores, era tão bom que Diniz aproveitou e fez uma ode à Zona Leste, onde fica o Corinthians, a sua arena e também onde mora.
“Meu sorriso já diz. A energia aqui é diferente. Que a nossa simbiose seja cada vez mais profunda, que a gente represente mais o torcedor corintiano, de lutar e não desistir. Levo isso para a vida toda.
“Tenho muita alegria de estar aqui, muita alegria mesmo. Sou um cara da Zona Leste, tenho 52 anos de idade, 52 anos de Zona Leste, periferia. Quando as coisas melhoraram, fui para o Tatuapé. É emocionante estar aqui.”
E também, ao contrário do que acontecia com Dorival, o Corinthians não priorizará, de forma absoluta, as Copas.
A pressão da direção é que Diniz recupere o time no Brasileiro.
É o que fará no domingo, na Bahia, contra o Vitória.
Ele só não escalará Matheuzinho e André, suspensos contra o Palmeiras, porque sua ideia é ter 11 titulares.
Os que entraram contra o Platense, Palmeiras e ontem.
Fernando Diniz está montando o time à sua imagem.
Mais madura do que quando queria imitar Pep Guardiola.
E, se precisar, usando recursos que o Palmeiras de Abel Ferreira apela à exaustão.
As bolas aéreas.
E elas deram mais do que certo ontem.
Gustavo Henrique, Gustavo Gómez cover, que o diga...
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