Tem nome e sobrenome quem incendiou os jogadores do Corinthians. Fernando Diniz. O técnico mais explosivo do Brasil
O presidente Osmar Stabile e as chefias das organizadas estão animadas com a reação dos jogadores sob o comando de Diniz. Muito mais ‘guerreiros’, vibrantes e não se submetendo psicologicamente ao adversário. Os palavrões do treinador viraram sinônimo de ‘garra’
Cosme Rímoli|Do R7

Foram 17 faltas.
Algumas violentas.
Discussões, ameaças, encaradas.
Empurrões, gritos, provocações.
Mão na genitália.
Socos.
Oito jogadores, dois a menos, no gramado da Neo Química Arena.
E que agiram como se fossem irmãos.
Um carrinho, um corte para lateral, um desarme.
Tudo funcionava como senha para comemoração.
Se dispuseram e não permitiram que o Palmeiras, maior rival, vencesse.
Arrancaram o 0 a O que teve gosto de vitória.
Com direito a aplauso de pé da torcida.
Vibração de Osmar Stabile e dos chefes das organizadas.
Com palavrões, gritos e conversas particulares, Fernando Diniz incendiou o Corinthians.
Os atletas que estavam acostumados com as palavras duras, mas contidas de Dorival Júnior, se surpreenderam com as veias saltadas na testa, no pescoço, na boca soltando saliva, de Diniz.
Desde a preparação contra o Platense, na Argentina, e diante do Palmeiras, ele age como se tivesse se preparado a vida toda para voltar ao Parque São Jorge.
Esteve como jogador do Corinthians, entre 1997 e 1998.
Foi campeão paulista em 1997.
Sabe muito bem o que todos exigem de quem defende o clube.
“Eu moro na Zona Leste (de São Paulo), você sabe o tanto de corintiano que tem aqui, e esse torcedor importa muito, o torcedor de estádio.
“Se fizer uma enquete aqui da minha personalidade, da minha história, quase todo mundo no futebol achou que isso [assumir o Corinthians] um dia ia acontecer, que eu tenho uma combinação com o Corinthians", disse ao assumir.

Treinador não costuma revelar o time que torce.
Mas há pessoas ligadas a Diniz que insistem na sua devoção ao Corinthians, quando não era profissional.
A filosofia por trás da insana luta dos corintianos ontem pode ser resumida em uma frase que o treinador repete, desde que chegou ao Parque São Jorge.
“Não existe domínio tático que consiga superar a falta de ânimo, de vontade.”
Isso explica a determinação, até desorganizada, que dominou o Corinthians diante do favorito, e com dois a mais, Palmeiras.
O presidente Osmar Stabile ficou orgulhoso do comportamento do time. E da luta que Diniz conseguiu que os jogadores mostrassem, ao contrário da apatia que dominava, nos últimos tempos, os atletas corintianos, principalmente em partidas do Campeonato Brasileiro.
Dorival Júnior conseguiu algo ruim ao convencer os jogadores que a prioridade, por conta do elenco pequeno, sempre seriam as Copas.
Não o longo Brasileiro.
Vivendo um momento de definição na carreira, depois de sucessivos fracassos, na Seleção, no final de trabalho no Fluminense, no Cruzeiro, no Vasco, a hora é de uma reviravolta. Ou ficar marcado como treinador de clube menor.
Por isso, qualquer jogo terá enorme importância para o técnico.
Ele sabe que não pode enfrentar outro fracasso.
Fernando Diniz é formado em Psicologia.
Na Faculdade São Marcos.
“Eu nunca vi muita preocupação das partes que lideram o futebol para atender a demanda dos jogadores como pessoas. As demandas ficam sem ser levadas em conta”.
“Alguns treinadores permitiam certas coisas de sacanagem e comportamento com falta de compromisso de respeito um com o outro e que a vaidade tomasse conta do ambiente. E quem não compactua com isso acaba sendo excluído.”
“Eu sofria muito quando era jogador. Não fui um cara que teve felicidade de ser jogador. Era uma coisa que era pra eu adorar, mas esse ambiente profissional de alto nível me trazia muita angústia e sofrimento.”

As revelações foram feitas 14 anos atrás, quando treinava o pequeno Votoraty.
A angústia de jogador, Diniz carrega como técnico.
Ele sabe que precisa de resultados para se manter empregado.
Cansou de, em derrotas, afirmar que seu time jogou melhor.
Assim como também entendeu que não é a versão tupiniquim do catalão Pep Guardiola.
Se livrou da armadilha, do rótulo de treinador que só tem uma maneira de jogar, com seu time trocando passes desde o tiro de meta, para romper, com dribles ou deslocamento, a primeira linha de marcação adversária.
No Corinthians, permitiu chutões, lançamentos longos.
Sabe que o elenco não é um primor tático e um mero chutão é mais seguro.
Mas da luta, até acima do normal, ele não abre mão.
O que acontece no Parque São Jorge é claro.
Saúda o encontro em um treinador explosivo e um elenco também com os nervos à flor da pele.
E que combina muito mais com o atual momento corintiano do que acontecia com Dorival Júnior.
Com toda a bênção de Osmar Stabile, Fernando Diniz seguirá colocando o time mais guerreiro em campo, para alegria de conselheiros, que sustentam politicamente Stabile.
Além das chefias das organizadas, encantadas com as explosões de Fernando Diniz.
Ele está no lugar certo.
E na hora certa.
Melhor chance ele não teria em lugar algum...
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