Depois do vexame na Copa, Ancelotti recomeça a longa caminhada até 2030. Quer provar sua tese. Que o Brasil pode jogar aberto. Sem meias criativos. Um risco
Não bastou a pior eliminação da Seleção em 60 anos. O italiano segue teimoso. E, no primeiro amistoso, amanhã, contra a fraquíssima Austrália, escala o Brasil no ultrapassado esquema 4-2-4. O amistoso foi escolhido para que o time goleie e tente começar a reconquistar a desiludida torcida brasileira. E os assustados patrocinadores
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
Há duas formações que preocupam a CBF.
Hugo Souza, Matheuzinho, Marquinhos, Victor Reis e Douglas Santos; Danilo e Bruno Guimarães, Estêvão, Raphinha, Endrick e Vini Jr.
Nike, Itaú, Ambev, Vivo, Cimed, Sadia, Volkswagen, Uber, Ifood, Google e Azul.
A primeira é o time que Ancelotti definiu para enfrentar amanhã a fraquíssima Austrália, no primeiro amistoso do Brasil, depois da vexatória campanha nos Estados Unidos.
A Seleção foi eliminada nas oitavas-de-final, repetindo 1990, na Itália. Naquele Mundial, Sebastião Lazaroni foi defenestrado, demitido imediatamente.
A segunda é a dos 12 principais patrocinadores que, juntos, bancam cerca de R$ 1,1 bilhão ao ano para a CBF. E estas marcas usam a Seleção para propagar seus produtos.
Precisam que o time vença para estabelecer uma ligação próxima com os consumidores. Não que seja motivo de aborrecimento, frustração, com derrotas seguidas, de rejeição, como está acontecendo nos últimos anos.
O último título da Seleção foi a Copa América, em 2019. Há sete anos! Disputada no Brasil.
Desde então só desilusões. Copa América de 2021. Copa do Mundo 2022. Copa América 2024 e Copa do Mundo 2026.
Conquista de Copa do Mundo? No longuínquo 2002.
Ancelotti confirma a necessidade de vitórias. Seja qual time for. Tenha o potencial que tiver. É preciso tirar o ranço de equipe que acumula derrotas da Seleção Brasileira.
“Para nós o importante é jogar bem, é começar a ganhar jogos. A verdade é que estes jogos podem ser uma oportunidade para alguns.
“Acredito que temos uma base e temos de seguir com esta ela, de jogadores que jogaram a Copa do Mundo, que podem ajudar na progressão dos nossos jovens que aqui temos”, disse hoje, na sua coletiva antes do jogo.
Vivido, Ancelotti tratou de valorizar o ‘invalorizável’. A Seleção da Austrália. Até porque, se o Brasil cumprir sua obrigação. amanhã, e vencer, o triunfo passa a ser mais impressionante, para aqueles que acreditarem piamente nas suas palavras. E esquecer a fragilidade real dos australianos.
“Eles foram muito bem (na Copa dos Estados Unidos). O Tony [Popović] fez um trabalho fantástico, porque organizou um time fantástico, muito compacto, forte defensivamente, com um fantástico contra-ataque.
“Ganharam um jogo fantástico contra a Turquia, perderam nos pênaltis contra o Egito. Acho que no futebol moderno não há jogo fácil. Você tem que preparar bem o jogo, você tem que respeitar o rival e fazer o seu melhor.”

Sim, o treinador italiano que comanda o Brasil usou o adjetivo fantástico três vezes ao se referir ao time australiano...
A mudança em relação à Seleção que fracassou nos Estados Unidos está nos nomes. Não na forma de jogar.
Hugo assume a vaga de Alisson, Matheuzinho no de Danilo, Vitor Reis no de Gabriel Magalhães, Danilo no de Casemiro, Estêvão no de Rayan e Endrick na vaga de Matheus Cunha.
Ninguém ocupa o importante lugar na reserva de Neymar que, finalmente, está fora dos planos da Seleção de vez.
A renovação era obrigatória por conta do período final da carreira dos jogadores que atuaram na Copa dos Estados Unidos.
Preocupante segue a teimosia de Ancelotti em montar o Brasil extremamente ofensivo. Por conta da falta de meias talentosos. Até porque o italiano é injusto com Matheus Pereira, ótimo articulador do Cruzeiro.
Ancelotti quer que Raphinha se reveze com Vinicius Júnior na armação das jogadas. O que é um grave erro, já que os dois se destacam no Barcelona e no Real Madrid por serem agudos.
Independente de nomes, ter apenas Danilo Santos e Bruno Guimarães na marcação de contragolpes adversários é muito arriscado.
Pode ser que funcione contra a Austrália, Índia, Somália, Guiana Francesa, Malásia. Mas diante de forças como Argentina, Espanha, França, não. O meio-campo aberto no futebol moderno, de alto nível, é convite à derrota.
Mas Ancelotti está convencido que o Brasil deixará de ser o time de domínio de bola para ser o reativo, o de contragolpes mortais.
Foi assim que a Seleção fracassou nos Estados Unidos.
O Brasil acumula 24 anos sem conquista de Mundiais. Igual o período entre 1930 a 1954, quando foi difundido o ‘Complexo de Vira-Lata’, pelo escritor Nelson Rodrigues. O de que a Seleção tinha excelentes jogadores, mas tremia diante dos adversários, principalmente os europeus.
O que acontece agora, com Ancelotti, é diferente.
O Brasil não tem protagonistas, os melhores do mundo não nasceram deste país. Desde 2010, a geração é de coadjuvantes que não conseguem formar um time que se imponha aos demais países.
Depois da eliminação da Copa para a Noruega, país sem tradição vitoriosa nem na Europa, o Brasil recomeça sua caminhada amanhã.
O adversário, escolhido a dedo, pela CBF é a Austrália, 28ª no ranking da Fifa. O país foi eliminado nos dezesseis avos do Mundial, caiu diante do Egito.
Mas na avaliação de Ancelotti é um time ‘fantástico’.
Tanto que a CBF marcou dois amistosos com a Austrália, 28ª no ranking da Fifa.
Um amanhã, em Towsville, e outro na terça-feira, em Brisbane.
Antes de outro poderoso confronto, contra a Índia, dia 3 de outubro, em Calcutá.
O selecionado indiano ocupa a 138ª colocação no ranking da Fifa.
O Brasil?
Ainda é o quinto...
Veja também: Com Vini Jr, Seleção treina pela primeira vez com elenco completo
A equipe de Carlo Ancelotti realizou seu primeiro treino com todos os jogadores na Austrália, de olho em dois amistosos contra os donos da casa.















