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‘Se perde, o técnico é tonto. Se ganha, é muito bom.’ O rancor de Ancelotti depois de vencer a Austrália, com o Brasil jogando como a mídia queria. Não ele

Depois do vexame do empate no primeiro amistoso contra a fraca Austrália, o técnico italiano cedeu à pressão da imprensa. Fim da irresponsável utopia. Colocou mais um jogador no meio-campo: Gabriel Bontempo. Equilibrada taticamente, a Seleção pôde se impor contra o débil rival. 4 a 2. Uma preocupação: as falhas de Otávio. Um reconhecimento do erro fatal na Copa. Vinicius Júnior tomou a bola de Bruno Guimarães e bateu pênalti para a Seleção. Ancelotti ordenou. Não foi passivo como contra a Noruega, quando Bruno bateu e errou

Cosme Rímoli|Do R7

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Bruno Guimarães marcou o gol da virada, contra os fracos australianos Rafael Ribeiro/CBF

São Paulo, Brasil

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“Se perde, o técnico é tonto.

“Se ganha, é muito bom.”

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Ancelotti apelou para a ironia diante das pesadas críticas pelo empate contra a fraca Austrália, na sexta-feira passada, quando ele obrigou a Seleção a atuar como no videogame, montada por um garoto de 12 anos. E não por um pentacampeão da Champions League: com quatro atacantes e só dois jogadores no meio-campo.

Lógico que não deu certo; o Brasil foi sufocado diante de cinco australianos nas intermediárias. 1 a 1 foi muito injusto com o país da Oceania.

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Já hoje, não. Ancelotti fez o mínimo que se espera de um dos treinadores mais bem pagos do mundo. Fez o óbvio. Tirou Endrick e colocou Gabriel Bontempo. Com três nas intermediárias, o Brasil ficou muito mais equilibrado e pôde impor a enorme diferença técnica entre os jogadores.

Mas ele segue uma velha característica que trouxe da Itália. A teimosia. Principalmente quando está errado. Ele faz a mudança pedida pelos jornalistas. Mas não a assume publicamente.

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Vanderson fez o primeiro gol do Brasil, Raphinha, Bruno Guimarães e Vinicius Júnior. No 4 a 2, medo pelo fraco desempenho de Otávio Rafael Ribeiro/CBF

Perguntado se o Brasil foi melhor com três jogadores no meio-campo, e foi, ele não quis assumir o erro de sexta-feira.

“Não sei (se funcionou melhor). Acho que não é o momento para dizer qual é o melhor sistema. Acho que temos, no geral, uma qualidade de jogadores com que podemos seguir trabalhando o sistema do primeiro jogo e também esse sistema.

“É verdade que, agora, neste momento, não temos muita produção de jovens meio-campistas. Por isso, Breno, Gabriel (Bontempo), que jogou hoje, vamos olhar para eles e ver se outros jovens podem mostrar sua qualidade no meio de campo.

“A linha é muito clara, vamos seguir as duas linhas: o sistema com os quatro na frente e o sistema com os três meio-campistas.”

O grande problema brasileiro foi a defesa. Otávio foi um poço de insegurança, assim como havia sido Hugo Souza. O Brasil pena na busca do substituto de Alisson.

Jair, pelo contrário, fez ótima partida. Inclusive salvando alguns erros primários em saídas de gol de Otávio.

Esperto, Ancelotti, para não criticar o comportamento irregular da defesa, principalmente de Otávio, destacou o ‘poderio’ australiano.

“Eles jogaram diferente hoje. Honestamente, tenho que dizer que eles jogaram muito bem, com alta intensidade. Eles são muito bem organizados. Eles nos surpreenderam, considerando o primeiro jogo e esse.

“Eles pressionaram muito mais na frente, e nós tivemos mais dificuldade atrás. É um time muito bom, na minha opinião. Muito bom. Jogadores fortes. Talvez não tenham a qualidade que nós temos, mas são jogadores potentes, bem organizados e fortes nos duelos. Uma seleção muito boa.”

Ancelotti fugiu da questão mais evidente do jogo. O erro que foi Bruno Guimarães tirar a bola das mãos de Vinicius Júnior, na cobrança de pênalti contra a Noruega. O meio-campista errou quando o fátidico jogo estava 0 a 0.

Hoje houve outro pênalti. Bruno Guimarães estava indo para a cobrança. Mas Ancelotti mandou que Vinícius Júnior batesse. E ele marcou. Situação que deveria ter acontecido na Copa do Mundo.

“O Bruno já havia marcado um gol. Quem bate o pênalti é o Raphinha, que bateu o primeiro. O segundo era o Bruno. Bruno já havia feito gol, então acho que o Vini merecia marcar um gol e bater o pênalti. E marcou.”

Mera desculpa do técnico, que sabe que errou nos Estados Unidos. Bruno Guimarães havia cobrado apenas três pênaltis quando bateu diante da Noruega.

A tentativa de improvisar Raphinha como ‘falso nove’ não deu certo. O que é um problema importante para o futuro da Seleção. Endrick atuou melhor, descontando a fragilidade da cansada zaga australiana.

Mas o que importou hoje foi a vitória diante da 28ª seleção no ranking da Fifa.

Sábado, o confronto com a ‘poderosa’ Índia, 138ª no ranking Fifa.

Os jogos nessa interminável e inconveniente data Fifa têm, para o Brasil, a missão de buscar resgatar os desiludidos torcedores.

Com vitórias diante de adversários fraquíssimos.

E torcer para que Ancelotti recupere a noção de realidade. Ele não está jogando videogame com um sobrinho. Está comandando o país mais vencedor da história do futebol mundial.

Time com quatro atacantes fixos perde até no FC 26, modelo mais recente do videogame que imita o futebol...

Veja também: Ancelotti pede paciência com Vini Jr.: 'Fundamental para o futuro do Brasil'

O técnico Carlo Ancelotti destaca a importância de Vinícius Júnior na Seleção Brasileira e pede paciência com o atacante neste início de ciclo.

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