Depois do vexame contra a Austrália, tenso, Ancelotti pede. ‘Torcedor tem que ter paciência.’ Brasil piorou depois da Copa. Assustador
Empate com a Austrália foi assustador. Com o fraquíssimo futebol da Seleção. Italiano segue com absurda teimosia, com o meio-campo escancarado e quatro atacantes de costas para o gol. Os australianos fizeram o óbvio. Povoou as intermediárias e travou os brasileiros. Muito mais consistentes, deveriam ter vencido a partida, não fosse uma cabeçada de Rayan, aos 49 minutos do segundo tempo
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
“O torcedor tem que ser paciente!”
A frase de Carlo Ancelotti foi recebida com espanto na coletiva do treinador, depois do empate em 1 a 1, com a Austrália. Graças a um gol de Rayan, aos 49 minutos do segundo tempo.
O que ele quer mais?
A Seleção sob seu comando igualou a pior campanha na Copa, em 60 anos.
E ele continua no cargo.
Sebastião Lazaroni foi demitido no vestiário, em 1990.
A vitória hoje, em Brisbane, deveria ter sido do time da Oceania.
A Seleção Brasileira jogou muito mal.
Voltou pior do que terminou a Copa do Mundo dos Estados Unidos.
Não pelas várias estreias.
Mas taticamente.
Carlo Ancelotti está obcecado com o que já deu errado no Mundial, levando a Seleção à uma eliminação precoce.
Repetiu a montagem inexplicável, e inaceitável, da Seleção só com dois jogadores de marcação e quatro atacantes, de grande potencial, atuando de costas para o gol adversário.
Com laterais travados na defesa.
4-2-4.
O Brasil mostrou futebol primário, vivendo de bolas longas, chutões da defesa para o ataque, desprezando o meio-campo, algo que só facilitou o time australiano, com cinco jogadores nas intermediárias trocando bola.
Toni Popovic sabia dessa insana insistência de Ancelotti e fez com que a Austrália dominasse o principal setor do campo. Estevão, Raphinha, Endrick e Vinicius Júnior ficavam à frente, isolados. Não tinham como criar situações de gols.
Como aconteceu com a Noruega, quando o Brasil foi eliminado nas oitavas, faltaram meias, jogadores que ligassem o meio-campo e o ataque.
É algo gritante.
Ancelotti foi questionado sobre o ‘gosto do empate’. Se não tinha sabor de derrota, deixando implícito o assustador futebol da Seleção Brasileira.
O técnico tentou desmerecer o jogo.
“Não é um sabor de derrota porque foi um empate, acho que a equipe podia ganhar, tivemos oportunidades. Era difícil jogar neste campo, é verdade que depois que levamos o gol a equipe reagiu.
“Foi um empate merecido no final, temos que ser pacientes porque são testes que temos que fazer, dar oportunidades aos jogadores que jogam menos e seguir na frente porque era um teste e também o próximo (jogo contra a mesma Austrália) vai ser outro teste.”
Marquinhos, o capitão da Seleção, não tentou o disfarçar o fraco futebol, como Ancelotti.
“A expectativa era por um resultado melhor e não conseguimos isso, não conseguimos concretizar em gol.
“Com certeza eu mudaria esse contexto (de empate salvador), mas estamos cientes que é um começo, uma nova fase, não um início de ciclo, porque o staff já estava na Copa passada, mas com certeza a gente pode fazer muito melhor.”
No jogo de hoje, houve duas grandes decepções.
A primeira: Hugo Souza. Falhou na cobrança de falta de Irankunda. E também em várias saídas. Transpirou insegurança.
A segunda, o irreconhecível Vinicius Júnior.
Não é pelo preenchimento facial.
Mas pelos erros com a bola dominada. Facilmente marcado, anulado pela zaga australiana. Sem velocidade, sem arranque, disperso no jogo.
Foi o pior do Brasil.
Endrick provou, outra vez, que de costas para os zagueiros é absolutamente improdutivo.
Sua fase ruim no Real Madrid chegou à Seleção.
O empate não serve para disfarçar.
A Seleção conseguiu voltar pior depois do fracasso na Copa do Mundo.
A ideia de jogo de Ancelotti deve ser questionada.
Acabou a admiração pelo treinador que venceu cinco Champions.
Seu trabalho até agora na Seleção é pífio.
A carreira do italiano é brilhante.
Ele tem condições de melhorar.
Mas por enquanto o Brasil segue desiludindo.
Deixando claro que, com esta geração, ocupa uma prateleira abaixo dos outros selecionados do mundo.
A esperança era o técnico.
Pelo jeito só há uma maneira de Brasil parar com os vexames.
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