Soberba da diretoria já expõe o Flamengo na estreia da Libertadores
O clube que mais gastou em reforços da América do Sul, R$ 100 milhões, estreia na Libertadores. Pressionado, tenso, na Bolívia. Culpa dos dirigentes
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
"Aí, galera.
Vamos ganhar essa p... toda.
Vamos ganhar tudo esse ano, chega de cheirinho."
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Esse foi o aviso do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, em janeiro.
O dirigente foi primeiro a colocar toda a pressão em Abel Braga e no seu time recheado de estrelas. E que acabou reforçado com R$ 100 milhões em contratações.
Nenhuma equipe na América do Sul gastou o que o Flamengo gastou.
E será o clube mais cobrado de 2019.
Entre os objetivos impostos pelo próprio presidente está a conquista da Libertadores, depois de 38 anos.
Diego Alves, Pará, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê, Willian Arão e Cuellar; Arrascaeta, Diego e Bruno Henrique; Gabriel.
Esse é o time que o já questionado Abel Braga colocará hoje a 3.700 metros de altitude, contra o San José, em Oruro, na Bolívia.
O clube começa sua caminhada na Libertadores sem conseguir empolgar no fraquíssimo Campeonato Carioca. Torneio que o time mais reforçado do continente não conseguiu chegar sequer à final da Taça Guanabara.
Abel Braga tem encontrado inúmeras dificuldades em fazer render o elenco recheado de estrelas compradas pela diretoria.
Sua equipe segue com graves problemas de saída de bola em velocidade, recomposição, objetividade no ataque. E também está muito mal nas bolas aéreas defensivas.
Abel não consegue fazer com que os jogadores atuem em conjunto.
Segue com teimosia assustadora com Willian Arão, que vive péssima fase. Não marca e segue inseguro no início das jogadas flamenguistas.
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O treinador insiste que ele tem um grande potencial de marcação.
E dá sustentação para que Pará e Renê ataquem.
Na sua visão.
Porque Cuellar fica sobrecarregado nas intermediárias.
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Ainda mais sem Everton Ribeiro no time.
Abel Braga aposta de forma a agradar o torcedor e dirigentes.
Talvez até como efeito colateral da pressão por 'ganhar tudo'.
Ou a 'p... toda', como garantiu Landim

Arrascaeta, Diego e Bruno Henrique são jogadores absolutamente ofensivos. Têm enorme dificuldade em marcar.
Impossível também contar com a participação efetiva de Gabriel para fechar espaços, acompanhar volantes. Sua ojeriza à deixar o ataque e ajudar o time sabotou sua permanência na Europa.
Além disso, incrível como Abel Braga, tendo sido um firme zagueiro, não consegue corrigir erros primários de posicionamento de Léo Duarte e, principalmente, Rodrigo Caio, que segue em péssima fase. Qualquer bola cruzada na área flamenguista segue sendo um terror.
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Como foram os dirigentes que tomaram à frente das contratações, apesar dos palpites de Abel Braga, a preocupação foi reforçar o ataque. Já que o clube não se furtou a assediar atletas de outras equipes, um grande erro foi desistir de Dedé. O zagueiro cruzeirense seria fundamental ao time de 2019. Ele ou qualquer outro grande defensor. Rodrigo Caio tem se mostrado um erro. Não estava na reserva do São Paulo por acaso.
A imprensa carioca tem feito a sua parte.
E pressionado ao máximo o time que seria o ''dos sonhos'' dos torcedores.
E que não tem correspondido.
A desculpa extraoficial era que todos se guardavam para a Libertadores.
Com vitaminas, ambulância em tempo integral, cilindros de oxigênio, a diretoria fez sua parte.
Tentou amenizar os efeitos da absurda altitude de Oruro.
O San José é uma equipe fraca.
Atual campeão boliviano, nesta temporada está em sexto lugar.
O treinador argentino Néstor Clausen poupou jogadores para a Libertadores.
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A diretoria do clube acredita que a competição sul-americana é fundamental para valorizar seus jogadores e tornar a equipe mais conhecida internacionalmente.
A estratégia será a de sempre, dos bolivianos, quando têm a altitude a seu favor.
Marcar forte, pressionar, abusar das bolas longas, o ar rarefeito costuma mudar a trajetória da bola.
Pressionado pelo fracasso na insignificante Taça Guanabara, Abel Braga opta pelo confronto aberto.
Aposta altíssimo.
Sabe que o rival é fraco com a bola nos pés.
Mas menospreza a Natureza, a altitude.
Esse é o problema de um clube cujo presidente avisa que 'vai ganhar tudo'.
Que o 'cheirinho' acabou.
Pressão enorme, desnecessária.
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Não adianta gastar R$ 100 milhões e manter um elenco desequilibrado.
Sem consistência defensiva.
O Flamengo corre risco desnessário logo na estreia da Libertadores.
Por conta da soberba de sua diretoria.
Do presidente Landim.
Que, em plena crise, com a negociação com os familiares dos dez garotos mortos no CT, com o fechamento do Ninho do Urubu e; a perigosa estreia na Libertadores, prefere viajar, passear, tirando licença em momento inaceitável.
Mas a responsabilidade foi transferida.
Está toda nos ombros de Abel Braga.
Ou ele faz a equipe vencer hoje em Oruro.
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Ou sentirá toda a cobrança da expectativa.
O time de R$ 100 milhões começa a Libertadores da pior maneira.
Muito pressionado a 3.700 metros de altitude...
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