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Dorival arriscará tudo contra o Boca Juniors. Sem pensar no Palmeiras. É assim sua carreira. Venceu sete torneios mata-mata e nenhum Brasileiro da Série A

A meta é corajosa. Mas é assim que Dorival Júnior age desde sempre. Nunca ganhou o Brasileiro da Série A. Aposta tudo no mata-mata. Esse é o grande diferencial de sua carreira. Deu tão certo que chegou à Seleção. É o que fará esta semana com o São Paulo. Força máxima nas quartas de final da Sul-Americana contra o Boca Juniors, na Bombonera, terça. E, no sábado, no Nubank Parque, contra o Palmeiras, reservas pelo Brasileiro. Na outra terça, os titulares novamente contra o Boca, no Morumbi

Cosme Rímoli|Do R7

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Dorival Júnior mostra a conquista que tem mais orgulho. A Libertadores pelo Flamengo, em 2022. Mata-mata Gilvan de Souza/Flamengo

São Paulo, Brasil

Depois da melhor partida do São Paulo sob seu comando, em 2026, vitória diante do Atlético Mineiro por 2 a 0, ontem, no Morumbi, Dorival Júnior decretou.


“Temos que concentrar todas as nossas forças em cima dessa partida (contra o Boca Juniors) para que possamos fazer um grande jogo.

“Temos que fazer nosso máximo em busca do melhor resultado possível lá fora”, confessou o treinador.


O plano do treinador, aprovado pelo coordenador Rafinha e pelo presidente Harry Massis é o mesmo que deu certo no Flamengo, em 2022, no próprio São Paulo, em 2023 e no Corinthians, em 2025.

Abrir mão da luta pelo Brasileiro.


E focar nas Copas e estaduais.

Dorival Júnior jamais venceu o Campeonato Nacional da Série A.


Ganhou o Brasileiro da Segunda Divisão no distante ano de 2009, com o Vasco da Gama.

Dorival Júnior, mesmo quando teve um excelente elenco, no Flamengo de 2022, optou pelas Copas. Ganhou a Libertadores e a Copa do Brasil daquela temporada. Mas teve um preço. Terminou em sexto lugar no Brasileiro.

Mesmo com as conquistas foi mandado embora.

Situação rara e injusta. A direção do Flamengo queria um treinador de mais status e contratou o português Vítor Pereira.

Nos outros clubes, pelos quais conquistou taças, a estratégia deu certo.

Dorival Junior celebra a Supercopa do Brasil pelo Corinthians Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Dorival nega o óbvio, fica irritado quando questionado sobre sua opção pelas Copas, em detrimento ao Brasileiro.

Mesmo sendo, por exemplo, o maior vencedor da Copa do Brasil, com quatro títulos, como Felipão.

Falou e não convenceu os jornalistas, após a vitória do São Paulo sobre o Bolívar, pela Sul-Americana, no Morumbi.

Não aceitou o rótulo de “copeiro”, como sua carreira indica. E como age exatamente agora, no São Paulo.

“Essa situação de ‘copeiro’ é muito relativa. Quando eu tive times de qualidade, fui duas vezes vice-campeão brasileiro, então tivemos muito próximos da conquista de títulos.

“Tive também uma oportunidade com o Vasco em que foi montada naquele ano na Série B e conquistamos o Campeonato Brasileiro. Também conheço competições desse tipo, é que na maioria das vezes eu tive um time que me deu possibilidades de buscar títulos de uma outra forma.

“Nunca abri mão disso, não quer dizer que eu tenha priorizado esse tipo de campeonato. Assim como o Flamengo em 2022, que ninguém acreditava em mais nada naquele ano: nós saímos da 16ª colocação para a vice-liderança do campeonato, ganhamos a Copa do Brasil e a Libertadores.

“Então, eram os títulos que estavam mais próximos das minhas mãos, naquele momento tive que fazer uma opção.”

E é exatamente o que acontece com o São Paulo agora.

O clube está na décima posição. A dez pontos dos times na zona da Libertadores. E a 19 pontos do Palmeiras, líder do Brasileiro.

Dorival Júnior ganhou sete torneios mata-mata. E nenhum Brasileiro da Série A Thais Magalhães/CBF

Título no Campeonato Nacional, nem pensar. A Libertadores está muito difícil. A missão é lutar pelos 45 pontos, para não ser rebaixado, como assumiu Crespo, declaração que custou seu emprego. Lutar pela classificação para a Copa Sul-Americana.

O melhor caminho para a garantia que continuará empregado em 2027, independente do presidente que ganhar a eleição deste final de ano, Doriva sabe.

Vencer a Sul-Americana e, pela competição, garantir o São Paulo na Libertadores do próximo ano.

Por isso, o Brasileiro será deixado de lado, sempre que houver jogos da Sul-Americana próximos.

Como será o clássico de sábado contra o Palmeiras.

Nem Dorival, nem Rafinha e muito menos Harry Massis. Ninguém confirmará publicamente.

Mas o técnico seguirá a trajetória que o fez um dos treinadores da elite do futebol deste país.

Fazendo seus clubes lutarem pelos estaduais e Copas.

Brasileiro, não.

Muito longo, muito desgastante.

Por isso jamais foi campeão nacional da Série A.

Em 24 anos de carreira como técnico...

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