Seedorf não quer mais ‘declaração sincera’, como a de Hugo. Jogadores do Corinthians estão proibidos de falar de ‘medo de rebaixamento’. Exige ‘positividade’
A sinceridade do goleiro Hugo, após o empate contra o Vitória, ontem, em Itaquera, chegou até Seedorf. E ele tratou de falar para o executivo Marcelo Paz e o auxiliar Léo Porto. Não quer mais ‘negatividade’: atletas falando sobre as chances de o Corinthians cair para a Segunda Divisão
Cosme Rímoli|Do R7
São Paulo, Brasil
Superstição, filosofia de vida, seja o que for.
Mas Seedorf nunca tolerou, nem como jogador, mensagens negativas, declarações pessimistas dos dirigentes, dos companheiros.
As histórias são reais sobre seus pedidos ‘exóticos’ no Botafogo.
Ele queria a alteração de um trecho do hino.
‘Não podes perder para ninguém.
‘Perder para ninguém.’
Defendeu, em vão, a retirada da palavra perder, por acreditar que atraia negatividade.
Ele também impôs aos roupeiros que colocassem em cabides, os uniformes dos atletas, nos dias de jogos.
Porque dobrá-los também seria ‘péssima energia’.
No Corinthians, seu primeiro ato aconteceu ontem, antes da partida contra o Vitória.
Exigiu que os alto-falantes tocassem a Sirius, música instrumental, do grupo The Alan Parsons Project, que antecedia a entrada do histórico, e vencedor, Chicago Bulls, de Michael Jordan.
E também está exigindo da psicóloga Anahy Couto que faça os atletas ficarem firmes, fortes mentalmente, convictos que não vão cair para a Série B.
Um homem com tanta ligação com a ‘energia positiva’ não iria ficar quieto diante das declarações de Hugo, ontem, após o empate em 1 a 1 com o Vitória.
O goleiro fez tudo o que o treinador detesta.
Deixou explícito seu medo do rebaixamento à Segunda Divisão.
“Um mês atrás, a gente sonhava em chegar a uma semifinal e final de Libertadores, e hoje a gente passa por uma situação totalmente diferente.
“Não podemos fugir da realidade, é um medo que não só eu tenho, mas todos aqui. Medo de manchar a nossa história como atleta, mas principalmente a do clube.”
As declarações de Hugo chegaram rapidamente aos ouvidos de Seedorf.
O treinador mostrou sua irritação com o auxiliar Léo Porto e com o executivo Marcelo Paz.
E decidiu falar com Hugo e com todos os outros jogadores do Corinthians.
Não quer mais palavras como medo e rebaixamento.
Quer só mensagens de superação e de confiança.
Para o time e para a torcida.
A postura otimista de Seedorf tem encontrado ressonância em Memphis Depay.
Seu compatriota será o seu interlocutor em campo, com os demais jogadores.

O argentino Garro foi o capitão ontem, porque Memphis estava suspenso. Embora não tenha confirmado oficialmente, o meia holandês deverá assumir o cargo.
Mas Seedorf não está agindo apenas a favor da ‘positividade’. Ele tem insistido para que o presidente Osmar Stabile pague as duas parcelas de direito de imagem que estão atrasadas aos jogadores.
O treinador quer o máximo de motivação nas sete partidas que faltam para o clube disputar no Brasileiro.
Ele sabe que também o seu futuro está em jogo.
Tem contrato até dezembro de 2027.
Mas o compromisso deixará de ter validade se o Corinthians for rebaixado.
Por isso, ele não quer mais nenhuma palavra de seus jogadores sobre ‘medo da Segunda Divisão’.
Hugo já foi avisado...
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Auxiliar técnico do Timão, Léo Porto comandou o time no empate contra o Vitória em casa, já que o técnico Clarence Seedorf ainda sem visto de trabalho não pôde estar à beira do campo.















