Expulsão infantil. Andreas Pereira pede desculpas a Abel e aos jogadores do Palmeiras. Quase sabota a vitória fundamental contra o Athletico. ‘Foi instinto’
Com 30 anos, Andreas agiu como um menino. O Palmeiras conseguiu abrir 2 a 0 contra o Athletico, em plena Curitiba, dominava a partida. Mas aos 41 minutos, do primeiro tempo, o meio-campista chutou uma bola, que torcedor atleticano jogou no gramado, em direção à bola ‘verdeira’ que Luiz Gustavo conduzia. Tomou, com razão, o segundo cartão amarelo e foi expulso. Time de Abel teve de se desdobrar, se desgastar muito mais, de forma desnecessária no segundo tempo. Após a partida, Andreas pediu desculpas ao treinador e aos companheiros do time que recuperou a liderança do Brasileiro. Com a vitória, abriu dois pontos de vantagem, em relação ao Flamengo que enfrenta hoje o Bahia, em Salvador
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
“Foi um instinto meu. Vi a bola na frente e dei um tapinha. Eu errei, deixei meus companheiros em dificuldade. Tem que enaltecer o que eles fizeram por mim; batalharam e conseguimos um resultado muito difícil.
“Eles (Athletico) estão brigando com a gente lá em cima. Quero enaltecer o grupo; foi uma vitória importante. Já pedi desculpas aos meus companheiros.”
Não foi só aos companheiros que Andreas Pereira pediu desculpas. Ele também se explicou para Abel Ferreira.
A atitude do meio-campista de 30 anos foi digna de um garoto. Sua expulsão foi tão merecida quanto tola.
Ele já tinha cartão amarelo, quando um torcedor athleticano jogou bola que havia saído pela lateral, para o campo de jogo. Ao mesmo tempo em que Luiz Gustavo tentava articular um ataque.
Andreas Pereira chutou a bola que o torcedor jogou em direção à ‘’verdadeira", carregada na intermediária palmeirense.
Ação boba e que mereceu outro cartão amarelo e a expulsão, que transformou toda a partida.
O Palmeiras, que vencia o Athletico por 2 a 0, gols de Maurício e Piquerez, em falhas lastimáveis do goleiro Mycael. Dominava o jogo. Mas com um atleta a menos, sofreu demais no segundo tempo.
Seus jogadores tiveram de correr, se desgastar muito mais, o que é péssimo, já que na quarta-feira, o time enfrentará o Fluminense pela semifinal da Libertadores.
“Foi uma vitória da equipe, do elenco, do grupo, que teve que sofrer e se superar depois de estar com um a menos”, resumiu Abel Ferreira, insatisfeito com a atitude de Andreas Pereira, que quase sabota o jogo, com seu cartão vermelho ‘juvenil’.
E vencer o Athletico, em Curitiba, era uma partida fundamental para o treinador palmeirense, na briga pelo título do Brasileiro. O time de Odair Hellmann era o terceiro colocado.
“Felizmente nossos jogadores conseguiram ter coragem para em um ambiente espetacular, porque este estádio dá isso para quem gosta de viver com adrenalina à flor da pele, entramos bem, dinâmicos e conseguimos enganar as marcações do nosso adversário por uma dinâmica coletiva para deixar jogadores livres por dentro e por fora, e fizemos rapidamente dois gols.”
Abel foi muito inteligente, após a expulsão de Andreas Pereira.

Ele travou a intermediária defensiva do Palmeiras. Todos marcavam, não dando espaço para o time de Odair Helmann, que apelava para cruzamento improdutivos à área palmeirense. Não é por acaso que o time paulista tem a melhor defesa do Brasileiro.
Para os planos de Abel Ferreira, vencer o Athletico era fundamental. Tirando a partida do Flamengo, o jogo de ontem era qualificado pela Comissão Técnica como o ‘mais difícil’, antes do confronto diante do Flamengo.
Carlos Miguel teve atuação segura e quando exigido fez ótimas defesas.
Com a vitória, o Palmeiras chegou a 66 pontos, contra 64 do Flamengo.
Murilo conseguiu resumir muito bem o que foi o desempenho exemplar do líder do Brasileiro sem Andreas Pereira.
“O Palmeiras de Abel é um time que se adapta com o que pede, a nossa identidade é isso, o que o jogo pediu a gente foi se adaptando.
“É com entrega, se dedicando do começo até o fim, hoje pediu isso, a gente pôde defender muito bem, pôde correr do começo até o final, pôde conversar ali para se organizar, é isso que a gente vem fazendo e nos empenhando cada vez mais para conseguir nossos objetivos.”
A vitória também foi importante para dar ainda mais confiança ao elenco, que jogará na quarta-feira, decidindo vaga à final da Libertadores, contra o Fluminense.
O desgaste poderia ter sido muito menor.
Mas a falta de noção de Andreas Pereira custou caro.
Até no aspecto físico do time de Abel Ferreira.
Que ele aprenda.
Para o bem do Palmeiras...















