Depois do empate com o Vitória, Hugo assume medo do rebaixamento. ‘De manchar a nossa história como atleta.’ Na estreia de Seedorf, décimo jogo sem vencer
A estreia de Seedorf como técnico do Corinthians foi decepcionante. Precisava vencer o Vitória para ganhar fôlego na luta contra o rebaixamento. Mas mesmo jogando em Itaquera, não passou do empate em 1 a 1. Situação segue perigosíssima. Técnico acompanhou o jogo da arquibancada, de onde passava instruções para o auxiliar Léo Porto. O desabafo de Hugo resume o sentimento do time. Os jogadores do Corinthians temem, de verdade, caírem para a Segunda Divisão. Clube está a um ponto da zona do rebaixamento

São Paulo, Brasil
“Um mês atrás, a gente sonhava em chegar em uma semifinal e final de Libertadores, e hoje a gente passa por uma situação totalmente diferente.
“Não podemos fugir da realidade, é um medo que não só eu tenho, mas todos aqui. Medo de manchar a nossa história como atleta, mas principalmente a do clube”
Hugo Souza demonstrou o estado de espírito dos jogadores do Corinthians, depois do frustrante empate de ontem, em 1 a 1, com o Vitória, em plena Itaquera.
A partida marcou a estreia de Seedorf como treinador do clube. Ele só não pôde ficar no banco de reservas porque o Corinthians não conseguiu a liberação burocrática para inscrevê-lo como seu treinador na CBF.
O que já é um vexame, diante da necessidade absoluta de um comandante, depois da demissão de Fernando Diniz.
Pelo planejamento do holandês, os três pontos contra o time baiano eram considerados obrigatórios.
Sem Memphis, suspenso, Seedorf resolveu apostar em Garro como maestro do time. Yuri Alberto, mesmo com problemas estomacais, se propôs a jogar.
O treinador fez três mudanças no time que normalmente atuava com Fernando Diniz. Colocou Lingard, Vitinho e Angileri como titulares.
E insistiu que a equipe tivesse muito mais paciência do que mostrava, sob o comando de Fernando Diniz. A ordem era para trocar a bola de um lado para o outro, para furar a mais do que esperada retranca de Jair Ventura.
Sem poder ficar no banco, Seedorf decidiu ficar na arquibancada, bem perto de onde o seu auxiliar, Léo Porto, comandava o time. O holandês usava um integrante da Comissão Técnica para mandar recados a Léo.
Antes da partida, ele pulou abraçado a torcedores, saudando o time, com o famoso ‘poropopó’. Foi uma cena midiática, para mostrar o quanto o holandês se tornou corintiano.
Dentro do campo, o Corinthians forçava o ataque, mas mostrava afobação. Pressionados pela própria torcida, que sabia da necessidade de triunfo, os jogadores tentavam trocar passes, ‘girar a bola’, como Seedorf queria. Mas faltava efetividade ofensiva.
Para piorar, aos 45 minutos do primeiro tempo, o golpe. Erick cruzou, Luan Cândido deu uma cabeçada fortíssima, que Hugo conseguiu defender, mas no rebote, Renê estufou as redes corintianas. 1 a 0, Vitória.
O clima ficou muito mais tenso.
Seedorf foi para o vestiário conversar com os jogadores.
O Corinthians adiantou a marcação e Jair Ventura recuou excessivamente o Vitória.
O segundo tempo foi pressã absoluta do Corinthians.
Mas a falta de criatividade impedia romper as linhas de cinco e de quatro jogadores montadas pela equipe baiana.

Só que aos 18 minutos, André invadiu a área do Vitória e Mateus Silva cometeu pênalti infantil, tolo, no meio-campista corintiano, que já havia perdido a jogada.
Yuri Alberto não desperdiçou.
1 a 1.
O Corinthians, de forma desordenada, seguiu pressionando, sonhando com a virada, para se desgarrar do grupo que luta contra o rebaixamento.
Mas ela não veio.
Por pura falta de talento, de improviso, para romper o esquema defensivo baiano.
O empate foi péssimo resultado para o Corinthians.
“Tivemos um bom primeiro tempo, com grandes oportunidades. Em uma única que eles tiveram acabamos tomando. Nosso objetivo era sair com a vitória, mas não deu certo. Batalhamos até o último minuto. A postura do time é outra, vamos evoluir muito com o professor que não pode estar aqui hoje”, disse Yuri Alberto, buscando passar uma mensagem otimista.
Mas Hugo abriu seu coração. Deixou claro que o time ainda não entendeu a fundo a filosofia de jogo de Seedorf, que não trabalhava como técnico há sete anos.
“Ele (Seedorf) usou bem os dias que teve para conseguir implantar as ideias dele. Foi pouco tempo, ele chegou na quarta-feira, aproveitou bem para usar dois períodos de treinamento para nos conhecer. Nós também queremos entender as ideias dele, tentamos transformar isso em gols.
“Dá um ânimo, estamos no caminho certo, hoje a frustração é um pouco diferente. Sabíamos que poderíamos ter vencido o jogo, nos dá esperança.
“O resultado não é aquele que a gente queria, saímos frustrados. Mas nos deu esperanças de que se tivermos essa posse de bola, essa pressão no adversário, poderemos transformar isso em gols e em vitórias nos próximos jogos.”
Mas ele enfatizou o medo do rebaixamento. E de manchar sua carreira com a queda para a Segunda Divisão com o Corinthians.
Esse é o sentimento.
A última vitória do Corinthians no Brasileiro foi no dia 9 de agosto, contra o Bragantino.
Desde então oito derrotas e ontem um empate.
Na história do Brasileiro por pontos, todas as equipes com oito derrotas seguidas foram rebaixadas.
A equipe está a um ponto da zona do rebaixamento, vale repetir.
A perspectiva do Corinthians é bem preocupante.
No sábado, o time enfrentará o Vasco.
Em São Januário...















