‘É um time sem repertório. Treinador que não presta. É tudo que vocês sabem (falar).’ Esperto, Abel tira o foco da expulsão de Andréas e ironiza a imprensa
Técnico português repete sua ‘velha’ estratégia. Quando algum jogador enfrenta um problema e é cobrado pelos jornalistas, ele consegue mudar o foco. Seu assunto predileto, principalmente quando vence, é ironizar quem duvida do seu método de trabalho. E deu certo. Protegeu Andreas Pereira da cobrança de sua tola expulsão, ontem, que quase sabota o Palmeiras. Inadmissível para um meio-campista de 30 anos e tão vivido. Na partida tão importante contra o Athletico. Abel se transformou no principal assunto, com frases tão polêmicas quanto vazias. Manipulou a imprensa. De novo...

São Paulo, Brasil
“É um time sem repertório, um treinador que não presta.
“E tudo que vocês sabem (falar).”
Desde outubro de 2020, Abel Ferreira está no Palmeiras.
Neste seis anos, seu comportamento é repetitivo.
Não consegue difarçar, diante da cobertura diária dos seus passos.
E ontem, em Curitiba, ele tratou de agir como já fez com inúmeros atletas.
Quando Weverton e Carlos Miguel falharam. Raphael Veiga perdeu pênalti decisivo.
Gustavo Gómez e Murilo se perderem em cobrança simples de escanteio na final da Libertadores.
Flaco López perder gol cara a cara. Vitor Roque querer decidir uma partida sozinho, chutar de qualquer maneira, com dois jogadores livres...
Mas sua especialidade está nas expulsões de seus atletas.
Quanto mais importante for a partida, melhor escolher um assunto polêmico para desviar o foco do jogador.
Abel faz isso constantemente.
Ainda mais quando o Palmeiras vence.
Se engana quem pensa que suas declarações são improvisadas, a situação é exatamente contrária.
Ele é muito calculista.
Após a partida ele está banhado, nutrido de informações pela assessoria de imprensa. Pensa no que vai falar sobre os temas mais polêmicos.
E ontem não havia defesa para a atitude de garoto, de Andreas Pereira, que chutou uma bola que veio da torcida, em direção à bola ‘verdadeira’, conduzida por Luiz Gustavo, do Athletico.
O Palmeiras vencia por 2 a 0, o terceiro colocado do Brasileiro, em Curitiba. Tinha a partida controlada. Até que, aos 41 minutos, Andreas Pereira, 30 anos, ex-jogador do Manchester United e do Flamengo, ‘pediu’ para ser expulso e complicou o jogo para o Palmeiras, que foi pressionado todo segundo tempo.
Fosse em qualquer equipe grande europeia, Andreas seria multado, no mínimo.
No Palmeiras, não.
Abel não permite que erros de seus jogadores se transformem em punições públicas. Ele prefere conversas duras no ambiente íntimo dos treinos, onde os repórteres são repelidos, não podem nem pisar na calçada do Centro de Treinamento da Barra Funda.
Mas depois do lance bizarro e do sufoco desnecessário que o time sofreu para garantir a vitória e passar temporariamente o Flamengo, na gangorra particular dos dois times, o treinador tinha de falar alguma coisa para os jornalistas.
E ele jogou a isca.
Como sempre.
Seu trabalho é excepcional.
Abel sabe disso.
Acumula 11 títulos, se tornando o maior técnico vencedor da história brilhante do Palmeiras.
E tem a plena noção do peso de suas palavras.
Tratou, de novo, ironizar a imprensa.
Resumiu de forma inteligente e rasa, as análises da forma que seu time tem conseguido conquistas e mais conquistas.
“É um time sem repertório, um treinador que não presta, é tudo que vocês sabem (falar).”
Pronto, deu certo.
Após o confronto, a provocação de Abel mereceu as manchetes, discussões acaloradas em programas esportivos da tevê, rádios e Internet.
O truque deu certo.
A infantil expulsão de Andreas Pereira ficou em quinto plano.
O homem que está levando o Palmeiras a mais uma temporada histórica: campeão paulista, por enquanto, semifinalista da Libertadores, da Copa do Brasil e que briga ponto a ponto pelo título brasileiro, é mais importante do que qualquer falha ou bobagem que um atleta sob seu comando apronte.
É óbvio que seu time tem variações táticas durante os jogos.
Mas o plano básico é conhecido, decorado e vencedor.
Abel adora ironizar a imprensa.
Principalmente quando seu time ganha.
Ele é um péssimo ganhador.
Como Felipão e Luxemburgo eram.
Guarda as farpas e as lança com o escudo das vitórias.
Porém, mais do que tudo, é um ilusionista.
Tira o foco da imprensa com facilidade espantosa.
Relaxe, Andreas Pereira.
A discussão da imprensa depois de seu erro tão primário, que poderia custar, a grosso modo, o título brasileiro do Palmeiras, se o Athletico, com um a mais vencesse o jogo.
O assunto é a vazia discussão se Abel ‘presta’ ou não.
O português consegue fazer o que quer com os jornalistas...















