‘Vocês fazem questão de lembrar que não sou bom o suficiente.’ Em vez de celebrar levar o Palmeiras à quarta final de Libertadores, Abel ataca a imprensa
Foi sofrido demais. Abel colocou seu time, muito superior tecnicamente ao Fluminense, para segurar a vantagem que conseguiu no Rio. Deu um chute que foi no gol de Fábio. Perdeu a partida decisiva da semifinal, no Nubank Parque, por 1 a 0, gol de Hércules. Mas conseguiu a vaga à oitava final da Libertadores nos pênaltis, por 5 a 3. Carlos Miguel defendeu a cobrança de Nonato. É a quarta final do pragmático Abel em seis anos de Palmeiras. Ele sabe o quanto é histórica essa caminhada
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
“Para mim, jogamos três tempos muito melhores do que eles em termos de futebol.
“No final do jogo, a comissão técnica do Palmeiras estava querendo que a partida acabasse e fosse para os pênaltis. Mas estamos muito tristes.
“O futebol não é justo!”
O desabafo foi do técnico do Fluminense, Marcão, inconformado com a eliminação na semifinal da Libertadores, no início desta madrugada.
“Mesmo tomando os dois gols no primeiro jogo, acho que controlamos as duas partidas.
“Desculpa o palavreado, mas acho que jogamos pra cara... aqui também”, resumiu o desbocado Guilherme Arana.
Essa foi a sensação de quem acompanhou as duas semifinais desta Libertadores. O Fluminense foi melhor nos dois jogos. Mas a vaga para a decisão ficou com o Palmeiras.
Sorridente, orgulhoso, Abel Ferreira, mesmo chegando à sua quarta final da Libertadores em seis temporadas, ironizava as cobranças por um futebol melhor do Palmeiras.
“A verdade é que ando a tentar bater os próprios recordes e vocês fazem questão de lembrar que não sou bom o suficiente. Sempre procuro minha melhor versão.”
Só o argentino Carlos Bianchi, em toda a história, chegou a cinco decisões de Libertadores.

O treinador português sabe que o futebol é cruel, pragmático. E fez questão de esfregar nos rostos dos jornalistas que, no fim, o vencedor tem sempre razão.
Jogando futebol decepcionante ou não, ele levou o Palmeiras à oitava decisão do torneio mais importante da América do Sul.
Abel levou à quarta final, Luiz Felipe Scolari a duas, os argentinos Armando Renganeshi, em 1961, e Alfredo González, em 1968.
O treinador português deixou claro que a felicidade das primeiras vezes em que foi o comandante do Palmeiras, nas decisões da Libertadores, foi maior.
“Pensei que, depois de ganhar a primeira, seria mais feliz, e é exatamente o contrário: tudo cada vez mais pesado, como se tivesse obrigação de ganhar, como se o Palmeiras tivesse obrigação de ganhar. Não, a obrigação é de dar o melhor.”
Abel faz de conta que não sabe ter nas mãos um elenco que vale R$ 1,2 bilhão, de acordo com o site especializado em negociações, Transfermarkt.
Ele disse que fez questão de não acompanhar a decisão por pênaltis. ‘Já perdi muito’, ironizava, novamente.
O técnico não estava disposto, como sempre, a detalhar como taticamente preparou a equipe, com três zagueiros e seis jogadores no meio-campo e apenas Flaco López na frente, mais isolado do que o Conde de Monte Cristo na torre. Foi óbvio que ele esperava travar o Fluminense, jogando pelo 0 a 0. O que só animou o rival carioca, que abandonou o 4-5-1, passando a atuar no 4-3-3 nos últimos 15 minutos de jogo, quando marcou com Hércules.
Abel foi um mestre na resposta sobre o pobre futebol do Palmeiras ontem, que causou o drama dos pênaltis. Ele falou sobre a vitória no Rio de Janeiro.
“Nosso grande mérito foi conquistar um bom resultado na casa deles, pena que não foi mais elástico.”
Sobre a eficiência dos cobradores do Palmeiras, que não perderam um pênalti sequer, Maurício, Gustavo Gómez, Sosa, Piquerez e Marlon Freitas, e a defesa de Carlos Miguel na cobrança de Nonato, Abel também fez questão de não entrar em detalhes.
“Não há receitas mágicas. Já perdi tantas vezes em pênaltis que decidi criar um protocolo. Há um protocolo fechado, sabendo que podemos ganhar ou poder. Nenhum treinador tem um que te garante a vitória. ”Nessa situação é fundamental ter eficácia”, disse Abel.
O treinador também fugiu da resposta sobre o adversário que gostaria de enfrentar na decisão da Libertadores, dia 28 de novembro, em Montevidéu. Se Flamengo ou Estudiantes, que decidem a vaga hoje, às 21h30, no Maracanã.
“Queria estar na final, era nosso grande objetivo, e, quando chegar nesta final, vamos prepará-la. Não escolhemos adversário, finais são sempre difíceis e se jogam para se ganhar. Estou extremamente cansado. Com uma dor de cabeça que vocês (jornalistas) não imaginam.”
Sim, Abel encerrou a entrevista sem dar explicação sobre o motivo de seu time, finalista da Libertadores, ter dado apenas um chute que foi ao gol de Fábio. O Fluminense, de Marcão, acertou dois arremates no gol de Carlos Miguel. Um foi o belíssimo gol de Hércules.
A verdade é que a semifinal de ontem foi horrível. Com a grande maioria do jogo com 11 jogadores nas intermediárias, tornando o confronto monótono, sem emoção, a não ser o gol do Fluminense.
Com o Palmeiras abdicando de buscar a vitória, se contentando em travar o Fluminense, não custa lembrar, com um elenco muito menos qualificado.
Mas, como no futebol o vencedor tem sempre razão, não importa o caminho.
O gigante verde está na sua oitava decisão de Libertadores.
Abel Ferreira, na quarta.
Ele já venceu duas vezes.
Ninguém fez algo parecido no Palmeiras.
E ainda pode ganhar a terceira, dia 28 de novembro.
Que o português descanse e se cure de sua dor de cabeça.
Merece.
De maneira feia, decepcionante, dramática ou não, o que vale é que o primeiro finalista da Libertadores de 2026 está definido.
É a Sociedade Esportiva Palmeiras, né, Abel?
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