Cosme Rímoli Platini preso. A Copa do Qatar segue levando dirigentes à cadeia

Platini preso. A Copa do Qatar segue levando dirigentes à cadeia

O ex-presidente da UEFA e um dos melhores jogadores franceses da história, está detido. A acusação é ter sido subornado para levar a Copa ao Qatar

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O envolvimento de Michel Platini a favor do Qatar sempre foi absoluto

O envolvimento de Michel Platini a favor do Qatar sempre foi absoluto

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Estados Unidos, Japão.

Coréia do Sul, Austrália.

O mundo ficou estarrecido,em 2010, quando essas potências perderam a candidatura da Copa de 2022 para o Qatar.

Pequeno país do Oriente Médio, com 1,9 milhão de habitantes. 

O petróleo e seus derivados são responsáveis por mais de 70% de sua economia.

É governado por uma monarquia absolutista, comandado pelo emir Tamim bin Hamad al-Thani. O título nobre de emir seria equivalente ao de príncipe no Ociente.

A temperatura no país em junho e julho variam entre 40 e 50 graus. A Copa do Mundo só poderia acontecer em novembro e dezembro, quando, no 'inverno', os 30 graus são uma constante.

Não havia a mínima estrutrura para a mais importante competição esportiva do planeta: estádios, centros de treinamentos, polos de comunicação.

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O bom senso indicava que o Qatar estaria fora da briga pelo Mundial.

Foram quatro rodadas, com a eliminação de um país a cada votação do Comitê Executivo da Fifa, reunido em Zurique, no dia 2 de dezembro de 2010.

A Austrália foi a primeira eliminada. Depois, o Japão. Em seguida, a Coréia do Sul. 

Na disputa final, Estados Unidos e Qatar. Os qatarianos, que lideraram as votações em todas as rodadas, venceram. Tiveram 14 votos contra oito dos Estados Unidos.

O então presidente Joseph Blatter comemorou. Disse que a votação foi histórica e que haveria o primeiro Mundial no Oriente Médio.

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A história deveria ter se encerrado ali.

O Qatar começou a usar dezenas de bilhões de dólares na construção e remodelação de oito estádios para o Mundial. Chegou ao requinte de erguer Lusail, uma cidade no meio do deserto, só para erguer o estádio que deverá abrir e encerrar o Mundial de 2022.

A 15 quilômetros da capital Doha, o custo total, com a arena, chegará a 45 bilhões de dólares, R$ 175 bilhões de reais. 

José Maria Marin. Preso por corrupção nos Estados Unidos

José Maria Marin. Preso por corrupção nos Estados Unidos

Mowa Press

Só com o estádio serão 3 bilhões de dólares, cerca de R$ 11,6 bilhões.

O custo da primeira Copa no Oriente Médio deve ultrapassar os 30 bilhões de dólares, cerca de R$ 116 bilhões.  Não contabilizada a cidade de Lusail.

A mais cara de todos os tempos.

ONGs internacionais denunciam desde 2011, quando as obras começaram, o uso de trabalhadores escravos na construção da infraestrutura do Mundial.

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Mas estas denúncias não abalaram a Fifa.

Tudo seguiria normalmente até a Copa.

Isso se os Estados Unidos não decidissem investigar as denúncias que levariam ao real motivo da perda da disputa pelo Mundial para o Qatar.

Foi quando um esquema de corrupção de compra de votos veio a público. Com direito a prisão e processos de 16 dirigentes da alta cúpula da Fifa.

Entre eles, o brasileiro José Maria Marin. O ex-presidente da CBF foi condenado a quatro anos de detenção.

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O esquema foi desmotado pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os corruptos foram incautos e usaram bancos norte-americanos para levar dinheiro da venda de votos para paraísos fiscais.

A Caixa de Pandora foi aberta e várias outros crimes foram descobertos. Como o aliciamento de dirigentes por parte de empresas esportivas interessadas nas compras de direitos de campeonatos.

A devassa feito pelo FBI, com a prisão de vários dirigentes que foram a um congresso da Fifa, na Suíça, no dia 27 de maio, acabou forçando o presidente Joseph Blatter, apesar de reeleito para um quinto mandato, a renunciar, no dia 2 de junho de 2015.

Blatter, eleito para um quinto mandato, teve de renunciar à Fifa

Blatter, eleito para um quinto mandato, teve de renunciar à Fifa

Reprodução/Twitter

O então presidente da UEFA, Michel Platini, foi sempre um defensor escancarado da Copa no Qatar. As denúncias que trabalhou pela candidatura do país do Oriente Médio eram escancaradas. Inclusive com suspeita de corrupção.

Acabou tendo de renunciar à UEFA, depois de 11 anos de poder, por ter recebido 1,8 mihão de euros, R$ 7,8 milhões, por uma suspeita consultoria a Blatter. A imprensa europeia garantia que esse dinheiro foi para que seguisse apoiando o presidente da Fifa.

Ele acabou suspenso do futebol por quatro anos. Estaria liberado em outubro.

Mas as denúncias de que Platini, um dos melhores jogadores da história da França, esteve envolvido no esquema de corrupção para o Mundial do Qatar, jamais cessaram.

Até que hoje, ele foi preso na França.

O motivo, segundo o jornal Le Monde, é que surgiu uma prova concreta de corrupção de Platini, para que o Qatar sediasse a Copa.

Conversas de Platini teriam sido gravadas em um almoço organizado no Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em 23 de novembro de 2010.

Além dele, estavam o então presidente francês Nicolas Sarkozy, o Emir do Qatar, Tamim Ben Hamad Al Thani, e o então primeiro ministro do emirado, Sheikh Hamad, Bem Jassem.

O teor da conversa ainda não foi divulgado.

Platini foi detido para depor sobre o seu envolvimento em favor do Qatar sedirar o Mundial de 2022.

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No começo do mês, o ex-presidente da UEFA deu uma entrevista polêmica. E se disse vítima de um complô.

"Tenho algumas hipóteses, acredito que todos têm (sobre os responsáveis pelo suposto complô), mas por não ter provas, denunciei pessoas desconhecidas. Mas é alguém que está dentro da Fifa e da CAS (Tribunal Arbitral do Esporte).

"Na minha última entrevista coletiva como presidente da UEFA, em 2015, em Monte Carlo, alguém me tinha avisado. Não posso dizer quem, mas não é da UEFA. Fui avisado que alguém estava tentando me impedir de ser presidente da Fifa.

Infantino. De braço direito a inimigo número um de Michel Platini

Infantino. De braço direito a inimigo número um de Michel Platini

UEFA

"Não posso imaginar que, depois de tudo o que fiz para Infantino, quando ele era secretário-geral da UEFA, ele tenha feito algo contra mim. Sei que depois fez tudo o que pôde para que eu não voltasse e pouco depois veio me dizer que pensava em se candidatar à presidência da Fifa.

"Eu me surpreendi. Para mim, ele não tem nem legitimidade nem credibilidade para ser presidente da Fifa.

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As declarações de Platini dadas ao jornal italiano Gazzetta Dello Sport repercutiram na Europa. Principalmente na Fifa, comandada por seu ex-aliado e agora seu inimigo número um, Gianni Infantino.

Até que hoje veio a prisão de Platini.

Ainda faltam três anos para a Copa do Qatar.

O Mundial mais caro de todos é histórico.

Segue servindo para purgar o futebol mundial.

Mostrar e punir inúmeros corruptos...

(Depois de 12 horas, Platini foi solto. Se disse inocente. Mas as investigações vão continuar...)