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“O Senna morreu na pista! Ele correu em Ímola por causa do Schumacher. Não deixei o Prost estar na frente, carregando o caixão do Ayrton”. Betise Assumpção

Ela foi a pessoa mais presente na vida do piloto Ayrton Senna. Enquanto ele competia. Assessora de imprensa do ídolo, Betise revela detalhes da vida e morte do excepcional piloto

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Betise Assumpção esteve com Ayrton Senna nos seus quatro últimos anos. Inclusive detalha o trágico GP de Imola, quando Senna morreu Reprodução/Blog Betise Assumpção

Xuxa? Viviane? Adriane Galisteu?

Não.

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A mulher mais importante da vida do piloto Ayrton Senna é Betise Assumpção.

Ela foi quem acompanhou de muito perto os últimos quatro anos de vida de um dos ícones do esporte brasileiro, mundial.

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Depois de uma insistência de anos, finalmente cedeu e aceitou dar entrevista ao canal. Betise vive há anos Inglaterra e recebe inúmeros pedidos de entrevista de inúmeros veículos de comunicação do planeta.

Cineastas imploram por depoimentos em documentários sobre Senna ou a Fórmula 1. Ela foi assessora de imprensa de Senna. Estava ao seu lado em todos os Grandes Prêmios na Europa.

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De personalidade fortíssima, forjada talvez no machismo que enfrentou quando era repórter do Estado, da Folha e da revista Placar, no início da década de 90, ele enfrentou os afoitos jornalistas que cobriam Fórmula 1, em relação ao Senna.

“Era uma bagunça. Um caos. Repórteres do mundo todos o metralhavam de perguntas, não o deixavam andar. Eu dividi todos em três grupos. Por idiomas, os que falavam inglês, italiano e português. Eles não queriam. Mas tiveram de aceitar.”

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De personalidade fortíssima. Sempre foi muito competente. Além de organizar as entrevistas, combinava com Senna o que deveria e o que não deveria ser dito, até onde ele poderia e deveria se expor.

Ele era um piloto extraordinário nas pistas. Tricampeão do mundo, bonito, filho de família rica, de ótima formação educacional, mas a sua imagem de homem determinado, corajoso, competitivo, a ponto de enfrentar o sistema que privilegiava os europeus, principalmente quando o francês Jean-Marie Balestre comandava a FIA, a Federação Internacional de Automobilismo, protegia Alain Prost, se deve a Betise.

Balestre se irritava com um sul-americano ‘roubando’ o protagonismo dos europeus.

Ele chegou a ser preso ao fim da Segunda Guerra, por seu envolvimento com o nazismo.

A rejeição ao brasileiro Senna, representante do Terceiro Mundo, era escancarada.

Era Betise quem colocava os limites nas declarações de Ayrton. Moldava a imagem do brasileiro, escrevia textos diários, com palavras do piloto, que chegavam a mais de 300 veículos no mundo todo. E eram publicados. Lembrando que o período era antes da Internet.

Adriane Galisteu, Senna e Betise. "Adriane fez o Ayrton muito feliz. Ela iria morar na Europa com ele, quando houve o acidente fatal de Imola" Reprodução/Livro Caminho das Borboletas

Sobre a relação íntima com a Globo e com Galvão Bueno, ela é prática.

“A Globo tinha na Fórmula 1 um produto que era seu. O Senna era tricampeão do mundo. Explorava ao máximo. E o Galvão se tornou amigo íntimo dele. Era uma decisão do Ayrton ter essa proximidade. Foi bom para os dois lados. O que facilitou também foi o fato de o Brasil ser carente de ídolos. Como é até hoje.”

Ela foi a primeira assessora de imprensa de um piloto na F1. Senna a conhecia do Brasil. E sabia que Betise seria a assessora, o escudo que precisava para domar os jornalistas. A família de Senna, muito presente, também a aprovava.

“O Senna foi a pessoa mais focada, mais intensa que eu conheci. Extremamente competitivo.” Na vida pessoal, ela revela que Adriane Galisteu o deixou mais humano.

“Ela era uma menina, quebrava a rigidez com que ele levava a vida. Estava ficando mais alegre, mais solto. Fez muito bem para ele.”

Mesmo há 32 anos, Betise lembra como se fosse hoje o fim de semana trágico em Ímola, que Senna morreu.

“A pista era muito perigosa. Tinha várias falhas. Na sexta, o carro do Rubinho Barrichelo voou e só foi parar no ground rail. Saiu vivo por pura sorte. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu. O Ayrton ficou abalado, como todos os pilotos. E revoltado. Criticou a falta de segurança em Ímola.”

Betise revela.

“Ele jamais pensou em não correr em Ímola, mesmo com o que havia acontecido. Ele estava na equipe dos seus sonhos, a Willians. O mundo apostava, inclusive ele, que ganharia o tetracampeonato do mundo. Só que houve a mudança de regulamento e a suspensão automática, desenvolvida pela Willians, foi proibida.”

Ayrton teve de acertar o carro. Enquanto isso, o Schumacher voava na Benetton, em um carro que o Senna apostava estar irregular. E tinha 30 pontos, enquanto Senna, zero. “Ele tinha de correr. Correu por causa do Schumacher.”

Ela confirma que a barra de direção do carro de Senna foi mudada antes da prova.

“Ele queria mais espaço dentro do cockpit. Se sentia apertado. Agora, a causa da morte até hoje é especulação”, diz.

O carro do brasileiro corria entre 210 e 230 quilômetros por hora quando se chocou no muro de concreto que protegia a curva Tamburello.

“Não imaginava a gravidade do que tinha acontecido. Estava indo para lá, sabendo que o Ayrton sairia com o mau humor de sempre, quando batia. Até que o Bernie Ecclestone chamou o Leonardo, irmão do Senna, para conversar. Fui junto porque o Leo não falava bem inglês. E ele foi direto. ‘O Ayrton está morto.’ Disse isso quando ele ainda estava sendo atendido. Mas a versão oficial não foi divulgada na hora, porque a corrida teria de ser cancelada.”

Seria caótico para televisões do mundo todo que transmitiam a prova. O dinheiro impera na F1. O ambiente é cruel. E Senna foi para o hospital Maggiore.

“Lá os médicos, que deveriam estar lutando para salvar a vida de Senna, davam longas coletivas. Era claro para mim que ele já estava morto”, disse o jornalista Roberto Cabrini, o primeiro a noticiar oficialmente a morte do piloto brasileiro.

Betise veio com o corpo para o Brasil. Ainda teve de ser fria para determinar quem levaria o caixão até ser enterrado. ‘O Prost seria o primeiro. Eu tratei de avisar que a ordem seria por altura e coloquei o Emerson Fittipaldi, brasileiro e campeão, e o Gerhard Berger, muito amigo dele, na frente. O Prost foi para o meio. Inventei essa história de altura. O Senna aprovaria o que eu fiz. Prost, não. Os dois não se gostavam por anos. Foram rivais de verdade.’

Betise revela. “Também tirei o Jackie Stewart, que vivia criticando o Senna.”

Valeram os anos de espera. A entrevista de Betise foi muito reveladora. E um mergulho profundo nos últimos anos de Ayrton Senna. Revelado por quem esteve ao seu lado.

Mais do que Xuxa, Galisteu ou Viviane...

A entrevista com Betise foi mais uma exclusiva do Canal Cosme Rímoli.

No YouTube, o canal tem mais de 14 milhões de acessos.

A cada terça-feira um novo personagem ligado ao esporte deste país.

Aos sábados, às 10 horas, a Record News leva ao ar o programa Cosme Rímoli Entrevista...

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