O revoltado Borja dá ao Palmeiras o primeiro lugar na Libertadores
A vitória por 3 a 1 também traz tranquilidade a Roger, depois das críticas pesadas pela derrota para o Corinthians. Borja marcou três gols
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

O revoltado Borja garantiu ao Palmeiras a melhor campanha da Libertadores.
O contestado colombiano fez sua melhor partida desde que pisou no Palestra Itália. Torcedores que no começo da partida pegaram no seu pé, o vaiaram, se arrependeram amargamente.
Ele não só fez excelentes tabelas, mostrando técnica, como marcou os três gols na vitória do time de Roger por 3 a 1, contra o Júnior Barranquilla.
Borja fez questão de não comemorar nenhum gol com a torcida. Foi sua resposta às vaias, às criticas que vem colecionando desde que chegou ao Palmeiras.
Ele não está plenamente satisfeito com a vida em São Paulo. E não será surpresa se for negociado depois da Copa do Mundo. Há vários conselheiros influentes que o desejam fora do Palestra Itália.
"Não comemorei porque eu torço para o Junior, tem a felicidade, mas vem um pouco de tristeza, porque eles teriam que ganhar do Boca em Barranquilla, não fizeram isso e tratamos de fazer o nosso trabalho", disfarçou o atacante.
Só não explicou porque ficou encarando os torcedores palmeirenses de cara fechada após marcar seus três gols.
Ele foi mais sincero depois do banho. "Se a torcida soubesse o quanto nos ajuda, apoiaria sempre por 90 minutos. Precisamos deles", deixando claro o motivo da feição fechada, da falta de alegria nos gols. Não era só pelo seu time 'de coração'.

O Palmeiras mostrou que não existia o menor cabimento os rumores de que poderia perder a partida. Se fosse derrotado, o Boca Juniors seria eliminado da Libertadores. Venceu e os argentinos também e estão classificados para as oitavas de final.
A equipe paulista chegou a 16 pontos e é a equipe com melhor campanha da fase de grupos da Libertadores. O que garante o direito de decidir seus jogos na fase eliminatória em casa. Até a decisão, caso o clube consiga chegar lá.
A vitória ameniza o clima pesado contra Roger Machado depois da derrota contra o Corinthians. O técnico acertou em cheio ao colocar Guerra no lugar de Lucas Lima. Ele deu um ritmo mais dinâmico, deu mais opções de jogadas ofensivas. O colombiano mostrou que não há explicação para ele seguir na reserva.
Fernando Prass teve uma atuação sensacional. Fez três excelentes defesas e ainda defendeu a cobrança de pênalti de Barrera. Ele encaixou a bola cobrada no seu canto esquerdo.
Roger Machado mesclou a equipe. Fez alterações para 'movimentar o elenco' como gosta de dizer. Foi preciso ao tirar Lucas Lima da equipe. Teve a resposta de Guerra. Mas outro reserva mostrou que está melhor do que o titular. Victor Luis deu mais firmeza defensiva e objetividade ofensiva na lateral esquerda. Diogo Barbosa ainda não conseguiu repetir seu ótimo rendimento no Cruzeiro.

Já Luan e Emerson Santos devem voltar correndo ao banco de reservas. Tchê Tchê começa a se recuperar, mas não merece ter a vaga de titular de volta. Mayke seguirá entrando de vez em quando, porque Marcos Rocha não tem condições físicas para suportar a maratona de jogos.
E se o treinador palmeirense for justo e não tiver medo de confusão, precisará tirar do time Dudu. O jogador vive uma péssima fase. Egoísta, displicente. Segue estragando vários ataques e contragolpes. Tenta mostrar um futebol requintado que não tem.
Antes de começar o jogo, as organizadas cantaram, cobraram, xingaram e vaiaram Roger Machado.
No primeiro tempo, o Palmeiras esteve muito irregular e tenso. Sentiu a pressão da derrota para o Corinthians, a reação da torcida. E o desentrosamento do time que Roger colocou em campo. Os colombianos precisavam desesperadamente vencer para sobreviver na Libertadores. Mas estranhamente seguiam com um ritmo lento e marcação a partir do seu campo, não pressionava os palmeirenses. Nem parecia ter a necessidade dos três pontos.
Mesmo assim, a péssima dupla de zagueiros palmeirenses, lenta e insegura, ofereceu aos colombianos a chance de marcar pelo menos dois gols, quando o jogo estava 0 a 0. Fernando Prass teve de salvar. O Palmeiras errava muitos passes e tinha em Dudu um jogador que atrapalhou demais seus ataques.
O capitão do time mostrava egoísmo extremo. Irritando Borja e Willian. Muitas vezes livres, eles não recebiam a bola de Dudu, que preferia driblar ou chutar a gol. Está nitidamente tentando chamar a atenção de algum clube europeu e sair nesta próxima janela. Tanto que passou a trabalhar com novo empresário, André Cury.

Com o time nervoso, as linhas afastadas e o Junior Barranquilla se preocupado em marcar, o Palmeiras pouco criou e ainda escapou de sair perdendo no intervalo. Se não fosse Fernando Prass, as vaias de toda arena seriam ainda maiores.
No intervalo, jogadores e o técnico Julio Comesaña souberam que o Boca Junior massacrava o Alianza Lima por 4 a 0, ainda no primeiro tempo. O time precisava se abrir, atacar.
E deu mais espaço para o Palmeiras. Guerra já articulava com inteligência os ataques brasileiros. Só que quem foi o responsável pelo primeigo gol foi Mayke. Ele cruzou fechado demais, só que o goleiro Viera soltou bola fácil e ela caiu nos pés de Borja. Palmeiras 1 a 0, aos seis minutos.
Em seguida, o árbitro paraguaio Enrique Cáceres marcou pênalti de Luan em Téo Gutiérrez, aos nove minutos. A cobrança foi forte de Barrera. Fernando Prass encaixou a bola no canto esquerdo. Com todo mérito, foi muito festejado pela torcida. O lance trouxe mais confiança ao time de Roger Machado.
Fernando Prass estava tão iluminado que um chutão rápido à frente pegou a defensa colombiana desarrumada. Willian conseguiu usar sua velocidade e gana chegar na frente da zaga e deixar Borja livre para estufar as redes pela segunda vez. 2 a 0, aos 14 minutos.
A torcida comemorava, quando o Junior Barranquilla acertou um ataque, com o time palmeirense aberto. Chará deixou Téo Gutierréz livre para, impedido, descontar. 2 a 1, aos 21 minutos.
Mas Borja não deu nem tempo para sonhar. Guerra cobrou falta, a zaga colombiana bobeou e a bola sobrou para Borja. 3 a 1, aos 23 minutos. O jogo estava definido. O Junior Barranquilla sabia que não marcaria mais três gols. E aceitou o caminho para a eliminação. O Palmeiras tocava bola tranquilo, esperando o final da partida.
No final, a primeira colocação na fase de grupos da Libertadores.

Mais tranquilidade para Roger Machado.
Guerra tem de ser titular.
E Dudu ir correndo para a reserva.
O Palmeiras está longe de estar acertado...













