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O desleal Fucile só não será suspenso se o Santos for covarde

A Conmebol tem a obrigação de punir o lateral que confessou tirar, com um pontapé por trás, Rodrygo do campo. Por cansar de ser driblado

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Fucile agiu de má fé. E comemorou ter tirado Rodrygo do jogo com pontapé desleal. Selvageria
Fucile agiu de má fé. E comemorou ter tirado Rodrygo do jogo com pontapé desleal. Selvageria

A cena já seria repudiada na várzea.

Ou mesmo em um pátido de uma cadeia pública.


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Um atacante humilha um defensor.

Passa três vezes com a bola entre as suas pernas.


Cansado de tomar dribles, o zagueiro toma uma decisão.

Ele tem 34 anos, o seu oponente, 17 anos, poderia ser se filho.


Decide que o ousado adversário vai sair do jogo.

Dá um pontapé com toda a força no seu tornozelo.


É covarde, o chuta por trás.

E observa feliz, ele deixar o campo carregado na maca

Para completar, o zagueiro não é expulso.

Nem recebeu cartão amarelo.

Esta selvageria aconteceu ontem, em Montevidéu, no Uruguai.

Os personagens são Rodrygo, do Santos.

E Fucile, do Nacional.

Em uma partida importante da Libertadores.

Apitada pelo árbitro da Fifa, o colombiano Wilmar Roldan.

"Tomei três canetas, pela primeira vez na história tomei três canetas, contei porque foi a primeira vez que aconteceu comigo. Tenho que aplaudir, nenhum jogador tinha me dado três canetas.

"Rodrygo vai ver esse vídeo todos os dias. Não havia outra maneira de tirá-lo do campo.

"Eu o tirei do campo e ai o jogo ficou tranquilo", confessou o lateral Fucile, com ar de satisfação. Como um gângster que teria eliminado o rival.

Covardia. A hora exata do pontapé por trás. Fucile não tomou nem amarelo
Covardia. A hora exata do pontapé por trás. Fucile não tomou nem amarelo

O Santos quando soube da confissão, via rádio Sport890, do Uruguai, decidiu se manifestar.

Em um nota oficial, distribuída à imprensa.

"Os Meninos da Vila nascem para jogar bola e são estimulados para isso. Nem sempre se ganha, mas aqui é lugar de jogar futebol. Dar e tomar dribles faz parte. Tomar três dribles desconcertantes de um novo craque do mundo do futebol não significa uma mancha na carreira. Mas tirar esse craque de campo, com uma falta grave, e reconhecer que o tirou por não saber como não tomar o quarto drible, isso é.

O lateral Jorge Fucile, do Nacional do Uruguai, e que jogou no próprio Santos FC em 2012, admitiu que precisou apelar para a violência para frear o atacante Rodrygo. O mais novo raio da Vila passará por exames assim que chegar ao Brasil. Fará isso para saber a gravidade da contusão que só existiu porque um adversário não sabe ainda, já em final de carreira e mesmo ainda jogando por um dos clubes mais tradicionais do esporte, que respeito à um colega de profissão é elementar.

Como afirmou nosso técnico Jair Ventura “A técnica não pode perder para a violência”. E se depender do Santos FC isso nunca acontecerá. Nem sempre ganhamos, é verdade. Mas nos entristecemos ao ver decisões como as tomadas pelo jogador uruguaio. Nossos Rodrygos não pararão. Nem com ameaças, nem com faltas, nem com exageros. Nem mesmo com Fucile."

Bonitinho, mas ordinário.

O Santos tem a obrigação moral de acionar a Conmebol.

O futebol não é um lugar de gângsteres.

Daqueles que decidem tirar um rival a pontapés desleais.

O gerente e ex-jogador William Machado garante que vai conversar com o presidente Antônio Carlos Peres. Quer saber se o dirigente quer uma briga nos bastidores com o Nacional, pressionando a Conmebol para uma punição a Fucile.

Lógico que o Santos precisa agir.

E imediatamente.

Por uma questão de dignidade.

Fucile merece uma suspensão exemplar.

Ela não será dada se a Conmebol seguir como sempre foi, desde que foi fundada, em 1916. Uma entidade corrupta, que se submete a pressão dos clubes mais fortes politicamente da América do Sul. Nesse quesito, o Nacional é muito mais forte do que o Santos.

Se Alejandro Domínguez não agir, o Santos que busque a Fifa.

Não há motivo para se calar diante de tamanha covardia.

Esporte exige lealdade, não estupidez.

Milhões de crianças assistiram ao jogo ontem.

E precisam saber que Fucile foi suspenso.

No futebol e na vida não é o desleal quem tem de vencer.

Dominguez precisa provar que a América do Sul não é mais selvagem. Que melhorou desde 1971, quando o Ajax não quis decidir o Mundial Interclubes, nos moldes antigos. Com uma partida na Holanda e outra no Uruguai. Com medo da violência, veja só de quem, do mesmo Nacional, de Fucile.

Que os dirigentes santistas não sejam omissos, covardes.

O pontapé por trás em Rodrygo envergonhou um continente...

(Diante da reação do mundo do futebol, Fucile mudou, como era de se esperar, seu discurso. "Sobre a declaração de ontem, só tenho para falar que foi em tom de brincadeira para o jornal do Uruguai. Nunca na minha vida fui maldoso, nunca na minha vida fiz coisa ruim. Sempre na minha vida gostei muito de desafios, de jogar contra os melhores, sempre me dei bem. Ontem não era exceção, tinha o Rodrygo que é um jogador muito promissor, vai ser um craque. Foi um jogo disputado, forte, e foi um lance que falei que foi um toque normal de jogo." 

O Santos ainda tem a obrigação de se posicionar...)

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O Santos tem a obrigação moral de resguardar seus jogadores, como Rodrygo
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