Duas Copas após o 7 a 1, CBF volta a ter psicóloga. Para dar ajuda a uma geração questionada tecnicamente e muito pressionada para vencer a Copa
Marisa Santiago, psicóloga do Grêmio, tenta, principalmente, dar confiança a um grupo abalado, que acumula decepções. Até mesmo Neymar, que nunca se posicionou de forma favorável à ajuda mental, acabou por ceder

“O psicólogo sou eu.”
Essa foi a resposta de Tite.
Tanto na Copa de 2018...
Como na Copa de 2022...
Ele se recusava a levar psicólogo para a Seleção Brasileira.
Por pressão dos jogadores, que não queriam.
Para eles, o grande exemplo do fracasso no trabalho mental dos atletas aconteceu em 2014.
A falta de reação do time no 7 a 1 não deixa a retina.
Como, ainda mais, o descontrole total dos atletas, a começar pelo então capitão, Thiago Silva, que teve uma constrangedora crise de choro, na decisão por pênaltis nas oitavas de final contra o Chile, no Mineirão.
A fragilidade emocional era evidente.
Assim como os atletas com lágrimas nos olhos, desequilibrados, durante o hino nacional, empunhando uma camisa de Neymar, antes da partida contra a Alemanha, no mesmo Mineirão.
Vitória dos germânicos por 7 a 1, maior placar de uma semifinal de Copa do Mundo na história.
E o Brasil tinha psicóloga.
Regina Brandão.
Ela alegou, na época, que não teve tempo para trabalhar com os atletas.
O resultado foi que só 12 anos depois o Brasil volta a ter uma psicóloga.
Ela está nos Estados Unidos.
Não há mais resistência.
Como a esmagadora maioria dos atletas joga na Europa, a presença de um profissional da saúde mental é comum nos clubes.
Marisa Santiago, que trabalha no Grêmio, assumiu o cargo em 2014.
Ela é profissional, especialista em terapia cognitivo-comportamental (linha conhecida como TCC) e mestre em Ciências do Esporte, na área de Psicologia do Esporte, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Sua dissertação foi uma análise do desenvolvimento da síndrome de burnout em treinadores de vôlei da Superliga, no período de 2010-2011.
Marisa chegou à CBF quando o treinador era Dorival Júnior.
Ela acompanhou o péssimo desempenho da Seleção nas mãos de Dorival.
Inclusive na goleada por 4 a 1 para a Argentina.
Ou seja, a simples presença de uma psicóloga não garante resultados dentro do campo.
Mas a busca é por força emocional para as cobranças e confiança para que os atletas possam conseguir desempenhar seu melhor futebol.
“Eu acho muito isso importante, não só para o futebol, como para a vida. Eu tenho a minha própria (psicóloga) também, então acho que isso me levou a outro nível de como balancear a pressão, não se importar muito com as coisas de fora. Tudo que mais importa na minha vida está dentro da minha casa.
“Então a gente vê que é uma geração que se abalou muito com críticas.
“A gente viu a situação do Richarlison, o quanto ele passou por um momento difícil, e ter uma pessoa como essa dentro da seleção é importante. A gente teve trocas com elas individualmente e coletivamente, acho que foi positivo.”

Bruno citou o caso extremo de Richarlison, que caiu em uma profunda depressão. E confessou que até pensou em tirar a própria vida.
“Todos os tipos de desgraças me atingiram: eliminação, traição do meu agente, problemas familiares, problemas físicos. Durante um ano e meio, sofri golpe após golpe todos os dias.
“Um dia, enquanto dirigia, pensei em jogar o carro contra uma parede. Hoje, quando penso nisso, digo a mim mesmo que não faz mais sentido”, revelou o atacante, que sempre pareceu estar feliz, comemorando gols com sua ‘dança do Pombo.’
Para não ficar a conotação de trabalhos profundos na psicologia de cada atleta, até por falta de tempo, Marisa promove encontros em grupo. E os assuntos são discutidos com vários atletas de uma vez.
Mas há atendimentos individuais.
Acontece o trabalho psicológico básico.
Praticamente de acolhimento e estímulo.
Os jogadores da Seleção foram por muito tempo contrários a psicólogos.
Não é segredo para a CBF que Neymar era um deles.
Mas mudou de ideia radicalmente, com a pressão que sofre neste final de carreira.
A psicologia é extremamente necessária.
É usada na elite do esporte mundial.
NBA, Fórmula 1, UFC, difundida nos clubes da Champions League.
E em diversas seleções.
O Brasil finalmente cedeu.
Que Marisa Santiago tenha o tempo que Regina Brandão não teve...













