Brasil chegou para a Copa do Mundo. Goleou com autoridade o Haiti. Com seleção competitiva, dá o direito de sonhar. Matheus Cunha aproveitou
A força do ataque brasileiro nunca esteve em colocar quatro atacantes. Mas no equilíbrio do time como um todo. Muito melhor distribuída em campo, a Seleção massacrou o Haiti. Ganhou e conseguiu saldo importante para terminar em primeiro no seu grupo C. Matheus Cunha marcou dois gols
Cosme Rímoli|Do R7
Da Filadélfia, Estados Unidos...
O Brasil chegou para a Copa do Mundo.
Assim como a torcida que vibrou muito no Lincoln Financial Field. Não ficou calada como em New Jersey.
3 a 0 foi um ótimo cartão de visita, para esquecer o empate frustrante diante de Marrocos.
E dar confiança que os jogadores tanto precisavam.
Sim, a Seleção do Haiti é fraquíssima.
Mas a organização tática do time mudou.
Ancelotti deu o braço a torcer e tratou de preencher, de vez, a intermediária. Paquetá atuou como um terceiro volante, para ajudar Casemiro e Bruno Guimarães na marcação. E ainda chegar ao ataque, com seu potencial de lançador.
Danilo muitas vezes fez a função de terceiro zagueiro, dando ainda mais proteção a Alisson.
Foi assim que a Seleção começou a goleada importante, para brigar pelo primeiro lugar no grupo C, com Marrocos, que enfrentará o Haiti na última rodada, enquanto o time de Ancelotti terá a Escócia pela frente, em Miami.
Ancelotti voltou atrás na sua convicção ofensiva. A de disputar a Copa do Mundo com quatro atacantes, como deixou claro que faria nos últimos jogos de preparação para a vinda dos Estados Unidos.
O caos do primeiro tempo contra Marrocos o traumatizou. A ponto de voltar atrás no que pensava.
E na partida de vitória obrigatória, hoje, contra a fraca seleção haitiana, ele não começou o jogo com o quarteto ofensivo.
Tratou de iniciar o jogo com Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá. Na frente, Matheus Cunha centralizado. Raphinha na direita e Vinicius Júnior na esquerda.
O Haiti, que perdeu por 1 a 0 para a Escócia, mexeu no time. Sébastien Migné tirou um atacante e tratou de montar o Haiti com linhas compactas de 5-4-1.
O treinador que foi auxiliar na seleção de Camarões, que venceu o Brasil, por 1 a 0, na primeira vitória africana diante da Seleção em uma Copa, apostava em um time fisicamente forte e que sonhava com contragolpes ou bolas paradas.
O desenho do jogo ficou claro desde os primeiros minutos. O Brasil marcando sob pressão e forçando pelas pontas. A preferência era com Vinicius Júnior, já que Douglas Santos o apoiava bem, ao contrário de Danilo, com Raphinha.
Paquetá e Bruno Guimarães estavam bem adiantados, se apresentando para tabelas, tentando romper os oito jogadores que o Haiti deixava atrás da linha da bola.
A ordem era marcar logo o gol nos primeiros minutos. A superioridade era enorme. O Brasil jogava melhor. As chances foram aparecendo, com lançamentos atrás da linha da área.
O 0 a 0 começava a animar a grande torcida haitiana no estádio. Até que a marcação deu resultado. Matheus Cunha roubou a bola no meio de campo, Vinicius Júnior enfrentou a zaga e chutou forte, o goleiro Placide rebateu.
Delcroix tentou aliviar e acertou a perna de Matheus Cunha.
Brasil 1 a 0, aos 22 minutos.
O gol trouxe alívio, tirou a pressão do time.
E tirou o ímpeto da marcação do Haiti.
O plano de fazer história começava a naufragar.
O Brasil seguiu firme, buscando a goleada para trazer tranquilidade na luta por uma das vagas no grupo C.
Atuando de forma convincente, veio o segundo gol.
Paquetá retomou a bola e serviu Vinicius Júnior. O passe chegou perfeito, com a ingênua defesa haitiana desmontada. O chute fortíssimo de esquerda estufou as redes. 2 a 0, Brasil, aos 35 minutos.
O Brasil foi ganhando mais confiança, o que faltou contra Marrocos. O único ponto preocupante aconteceu aos 39 minutos, quando Raphinha pediu substituição, sentindo lesão. Rayan entrou no seu lugar. Ancelotti não quis ceder à pressão popular por Endrick.
Aos 47 minutos, a Seleção se aproveitou novamente do fato de a defesa do Haiti atuar adiantada, tentando encurtar o campo, para evitar a troca de bola brasileira.
Paquetá fez excelente lançamento para Vinicius Júnior, dele para as redes com um toque com muito talento.
3 a 0 Brasil.
No segundo tempo, o Brasil voltou mais tranquilo, cauteloso até, feliz com a vantagem de três gols. Diminuiu o ritmo.
Buscava atrair o Haiti para contragolpear. Sem nada a perder, o time buscava ao menos o gol de honra.
E criou chance, em ótima cabeçada de Adé, Alisson espalmou e Danilo tirou, em cima da linha, aos 17 minutos.
Um minuto depois, finalmente Endrick, implorado pela opinião pública, estreou na Copa do Mundo.
Correu, vibrou, marcou gol impedido, mas mostrou confiança para um garoto de apenas 19 anos.
O Brasil claramente tratou de se poupar. Guardar força para o confronto contra a Escócia, daqui cinco dias, em Miami.
O Haiti percebeu, subiu ainda mais as linhas, buscando pelo menos um gol. Só que faltava talento diante das linhas baixas, que Ancelotti ordenou.
O Brasil estava satisfeito.
Depois de seis partidas tomando gol, hoje não.
Para deixar mais orgulhosos seus zagueiros.
Assim como a torcida que mostrou que ainda sabe cantar.
E redescobriu essa tal de esperança...
Veja também: Neymar segue recuperação e mira o jogo contra a Escócia
Após a vitória sobre o Haiti, o técnico Carlo Ancelotti afirmou que espera contar com Neymar para o próximo compromisso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA contra a Escócia.















