Além da eliminação para o Palmeiras, Santos perde Neymar. Lesão na coxa. Não jogava dois clássicos seguidos há 13 anos:‘Vamos ter de nos virar sem ele’, Cuca
Santos arriscou tudo na segunda partida contra o Palmeiras. Até Neymar. Mesmo tendo perdido por 3 a 0 no Nubank Parque. Esforço em vão. 0 a 0 e adeus Copa do Brasil. Pior, Neymar teve lesão no músculo adutor da coxa direita. Não voltou para o segundo tempo e já não enfrentará o Internacional, em jogo fundamental na luta contra o rebaixamento. Recuperação pode ser problemática
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
40 minutos do primeiro tempo na Vila Belmiro.
Todos os olhos se voltam para Neymar.
Ele coloca as mãos na frente da coxa direita.
No músculo adutor, o do chute, do drible, do arranque.
Está desolado.
Olha para Cuca, pergunta quanto tempo falta para acabar.
O treinador faz sinal com os dedos de que ‘resta pouco’.
Na verdade, é um apelo para o jogador esperar até o intervalo para ser avaliado.
Só que, aos 34 anos, 45 lesões e cinco cirurgias na carreira, Neymar se conhece.
Vai arrasando até o vestiário.
Não volta.
O Santos, que, com seu jogador mais talentoso, já tinha dificuldades em penetrar na fechada defesa do Palmeiras, travou de vez.
A partida só foi 0 a 0 porque Maurício teve a coragem de perder dois gols cara a cara e Vitor Roque, livre, diante de Brazão, cabeceou para fora.
Como o Palmeiras havia vencido por 3 a 0 na semana passada, o time de Abel Ferreira está na semifinal da Copa do Brasil, contra o Vasco, que eliminou o Vitória. O confronto será interessante até fora dos gramados. Já que o enteado da presidente Leila Pereira está para assumir a SAF, exatamente vascaína.
Do lado do Santos, a eliminação ficou em segundo plano, diante da contusão de Neymar.
A última vez que ele havia jogado dois clássicos foi na decisão do Paulista de 2013, contra o Corinthians. Seu Santos perdeu por 2 a 1 no Pacaembu. E empatou em 1 a 1 na Vila Belmiro.
Cuca arriscou demais ao colocá-lo para jogar ontem. A vantagem palmeirense era grande demais. E a musculatura de Neymar é frágil. O preço foi caro.
A feição preocupada de Cuca revelava mais do que suas palavras.
Ele foi o responsável por Neymar disputar a partida de classificação mais do que improvável.
“Não é situação que a gente queira, ele está fora, provavelmente. Vamos ter que nos virar sem ele. Como nos viramos quando ele estava na Copa, e fizemos bons jogos.”
A direção do Santos não quis dar detalhes. Só que ele está fora do confronto contra o Internacional, em Porto Alegre, no domingo.
Mas já se sabe que a lesão é no músculo adutor na coxa direita. E se houve rompimento e a extensão, só serão conhecidos nesta manhã, quando ele se submeter a exames de imagem.
Cuca teve de responder se realmente acreditava na reviravolta. Ganhar por quatro gols de diferença ou, no mínimo, três, para disputar a vaga nos pênaltis.
“Acreditou-se, e o torcedor está de parabéns. Entendo a necessidade que o torcedor do Santos tem de uma conquista. Bastou a gente fazer um grande jogo e ter resultado contra o Corinthians, que é o grande adversário do Santos, em que acreditamos.
“Se entra a bola que o Lucas dominou mal, é 1 a 0, muda o jogo. Mas infelizmente não aconteceu. O mais difícil é sair na frente, fazer o primeiro gol, aí as coisas acontecem ao natural.”
Com 63 anos, Cuca é vivido, nas suas coletivas, sempre responde de maneira muito mais favorável aos seus times do que mostra a realidade.
O Santos esteve perto de uma nova derrota com placar elástico. Não fosse a incompetência dos jogadores palmeirenses em finalizar.
Perguntado sobre a evidente falta de criatividade suficiente para escapar da marcação palmeirense, Cuca outra vez evitou responder com a realidade. Ou, no máximo, a sua realidade.
“A criatividade temos Bontempo, Neymar, que dispensa comentários, e o Barreal. São três: tem a chegada na frente do Oliva, os laterais que chegam bem à linha de fundo. Faltou contundência, arremate de fora da área.
“Teve uma bola que o Barreal ia chutar, ela picou errada, era uma chance claríssima. Faltou um pouco mais de jogo dentro da área, com cruzamento na linha de fundo. Nosso time não é uma equipe de bola aérea, somos de jogadas rápidas. Tivemos uma que o Gabigol, que o Escobar deu para trás, mas a defesa do Palmeiras foi muito sólida.”
A realidade, que nem Cuca nem ninguém pode negar, é que o Santos tem mais um fracasso em 2026. Já foi assim no Paulista, agora é na Copa do Brasil.
E acompanha nova contusão de Neymar, em uma fase delicadíssima. Definição da Copa Sul-Americana contra o Atlético Mineiro e a luta para não ser rebaixado no Brasileiro.
A sequência, os três próximos jogos do Santos.
Internacional, em Porto Alegre, pelo Brasileiro, no domingo.
Na próxima quarta-feira, o Atlético Mineiro, na Vila Belmiro, pelas quartas da Sul-Americana.
No sábado, dia 12, o Cruzeiro, na Vila Belmiro, pelo Brasileiro.
E na quarta-feira, dia 16, quarta, o Atlético Mineiro, no Mineirão, definirá vaga para a semifinal da Sul-Americana.
Não há a menor certeza se Neymar estará nestas partidas.
Queira Cuca admitir ou não...
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