A raivosa guerra de R$ 57 milhões entre Flamengo e Corinthians
Os dirigentes usam o árbitro da semifinal da Copa do Brasil para tirarem o foco de seus instáveis time. Velho truque que sempre funciona. Graças à CBF
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
De maneira pensada ou não, os presidentes de Flamengo e Corinthians conseguiram. Tiraram o foco de seus instáveis times que começarão a decidir uma vaga para a final da Copa do Brasil.
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Bandeira de Mello deu o start ao criticar violentamente o árbitro sorteado para o primeiro confronto, o catarinense Braulio da Silva Machado. O presidente do Flamengo chegou a dizer, logo após o empate em 1 a 1 contra o Palmeiras, pelo Brasileiro, que o árbitro deveria ter saído da arena palmeirense em um 'camburão da polícia'.
Os motivos: não ter expulso do jogo Felipe Melo por uma entrada duríssima em Vinicius Júnior e por Braulio não ter dado mais acréscimos à partida, depois que o goleiro Jaílson tomou cartão vermelho.
"Só o fato de ele ter sido incluído no sorteio já demonstra falta de respeito ao Flamengo. Isso, a convocação do Paquetá para um amistoso inexpressivo [contra El Salvador hoje] e a negativa em adiar a partida são evidências da interferência no equilíbrio da competição."
Quando um dirigente critica o árbitro e a CBF antes de qualquer decisão, com seu time atuando em casa, provoca enorme pressão sobre os juízes. Ainda mais no Brasil quando eles são escolhidos ou vetados de acordo com a força de pressão dos clubes sobre o Comitê de Arbitragem.
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André Sanchez está longe de ser ingênuo.
Percebeu o quadro criado por Bandeira de Mello e decidiu agir. Fiel à sua maneira. Jogando gasolina no fogo.
Um dos problemas do futebol brasileiro é presidente que nunca ganhou nada e começa a colocar problemas em terceiros para se justificar. Árbitros acertam e erram. Os que erraram a favor do Flamengo não vão mais poder apitar jogos deles?
"É um absurdo o presidente do Flamengo ficar reclamando de um árbitro que errou contra eles. O que ele está preocupado é em fazer campanha. Até porque, se ele quer ser candidato, ele deveria se afastar do cargo (de presidente do clube)."

Pronto.
O clima está criado.
O professor de Educação Física, 39 anos, aspirante à Fifa, Braulio da Silva Machado, carregará toda a responsalidade que envolve os dois clubes mais populares do Brasil, muito dinheiro e a possilidade de uma vaga à Libertadores de 2019.
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Flamengo e Corinthians se enfrentam com foco muito mais nos R$ 50 milhões de premiação ao campeão da Copa do Brasil. E também, no mínimo, mais R$ 7 milhões por seu jogo como mandante na decisão. Mas é lógico que também almejam o efeito colateral do título, uma vaga na Libertadores do próximo ano.
O Rubro-Negro carioca decepcionou o ano todo pela instabilidade de sua equipe. O ponto maior foi a Libertadores, ao perder a vaga para as quartas para o Cruzeiro. O Corinthians, graças ao interminável desmanche, caiu diante de um adversário mais fraco, o Colo Colo, com o jogo decisivo no Itaquerão.
Em vez de assumirem a necessidade de melhorar dentro de campo para os dois confrontos, ambos vão pelo mesmo caminho mais fácil.
Lançar uma aura de desconfiança sobre a arbitragem.
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Os jogadores ganharam licença para questionar qualquer decisão do juiz.
Os conflitos são mais do que previsíveis.
O Flamengo já tem a desculpa na ponta da língua se for eliminado.
Assim como o Corinthians.
O torcedor comum não pode se deixar enganar.
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Não será Braulio da Silva Machado que decidirá a vaga.
Mas sim a maior competência de um dos clubes.
Se a CBF não fosse omissa daria proteção aos árbitros.
Mas não é.
E permite que seu torneio seja manchado.
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Antes mesmo de os times entrarem em campo.
Esta é uma mostra dos bastidores do futebol deste país.
Atrasado, manipulador.
E que está com o nível cada vez pior.
Dentro e fora dos gramados...
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