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A fracassada volta de Andrés Sanchez ao Corinthians

Ausência de Ronaldo, desmanche, dívidas com o Itaquerão travadas, falta de patrocínio master, investigação na eleição. O inferno de Andrés

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Andrés Sanchez não tem mais todo o poder que tinha no Corinthians
Andrés Sanchez não tem mais todo o poder que tinha no Corinthians

São Paulo, Brasil

Bastaram seis meses do seu retorno.


E a aura de maior presidente da história do Corinthians já está sendo fortemente questionada. A ponto de, encurralado, Andrés Sanchez terá de se explicar hoje à tarde para um grupo de conselheiros revoltados. E não só da oposição. Aliados que o sustentam há 11 anos no poder estão frustrados. Seu retorno tem sido enorme desilusão.

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O primeiro choque está no desprezo, na maneira fácil que o dirigente se desfez de peças fundamentais. Todos vendidos para equipes periféricas, sem grande destaque no mercado internacional.

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Balbuena foi para o West Ham por R$ 18 milhões.

Rodriguinho acabou no Pyramds, rendendo R$ 15 milhões.


O Dynamo de Kiev levou Sidcley e deixou R$ 2 milhões.

Maycon valeu R$ 22,5 milhõs pagos pelo Shakhtar Donetsk.

Fagner e Cássio assumem.

Se surgirem propostas eles também querem sair.

Matheus Vital não quis ir para o Shakhtar Donestsk, não foi o Corinthians que o segurou, como foi divulgado. Carlos Leite acredita que o colocará em um mercado mais forte do que o ucraniano.

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"Jogador quando quer sair, não tem como segurar", diz Andrés, lavando as mãos, como se não fosse o responsável, o comandante corintiano. Tenta se eximir do constrangedor desmanche no Parque São Jorge.

A desilusão cresce em relação a Osmar Loss. O treinador bancado por Andrés se mostra perdido diante da perda constante de jogadores. Não havia um plano B, algo preparado para essas liberações. E está ficando evidente o quanto Loss é diferente de Fábio Carille. 

Sete anos como auxiliar de Tite, Mano Menezes entre outros pesam muito mais do que dois anos como subalterno de Carille. A imaturidade está à flor da pele. 

Aliás, ele só está no cargo porque Andrés Sanchez não fez o mínimo esforço para tentar segurar Carille. O presidente corintiano nunca deu o valor merecido ao técnico campeão brasileiro de 2017. O considerava 'ideia de Roberto de Andrade'. Por isso, quis fazer de Loss, o 'seu' técnico.

Andrés terá de explicar muito mais.

Além da decepção com o time, a sua atuação desastrosa na busca de patrocínio. Ele queria três meses para conseguir um patrocínio master para o Corinthians, clube mais popular da cidade mais rica do país. Já se passaram seis meses e nada.

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Andrés garantiu que Ronaldo ajudaria o Corinthians. Nem sinal do ex-jogador

Assim como também segue a tragicômica história da venda dos naming rights do estádio. História que já acumula sete anos de fracassos e vexames para o Corinthians. O apelido Itaquerão se consolidou de vez. Se Andrés tivesse conseguido os sonhados R$ 400 milhões por 20 anos, como anunciou aos quatro ventos, em 2011, não teria de conviver com o superlativo que tanto odeia.

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O estádio, que conseguiu com o auxílio assumido do ex-presidente e hoje presidiário, Lula, está longe de ser pago. Ele deveria custar R$ 400 milhões. Só que as dívidas já chegam a R$ 2 bilhões.

A queda de Lula e do PT coincidiu com a quebra de promessa de Andrés, que o estádio seria pago em seis anos. O estádio foi inaugurado em maio de 2014, já tem quatro anos. E não há indícios de que nem 10% tenha sido depositado pelo clube.

Além disso, por coincidência, lógico, a Caixa Econômica deixou de ser a patrocinadora master da camisa. Bastou o PT sair do comando do país.

A arrecadação dos jogos deveria estar indo para amortizar a dívida, como estava combinado. Só que o Corinthians decidiu enfrentar na justiça a decisão que ele mesmo propôs. Se percebeu tarde a péssima maneira de pagar o débito com a Odebrecht e com a Caixa Econômica Federal. Bastou ver como o Palmeiras fez. Cedendo o estádio para a WTorre por 30 anos. Mas ficando com as rendas dos jogos.

Andrés Sanchez também não cumpriu sua promessa de abandonar o cargo de deputado federal, caso fosse reeleito presidente do Corinthians. Ocupa o cargo desde fevereiro e segue também com o emprego em Brasília.

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Só que as pessoas mais próximas ao dirigente já antecipam. Ele não sairá candidado à reeleição. Por falta total de apoio. Na sua eleição, Lula, seu maior apoiador e que sonhava vê-lo como prefeito de São Paulo, acreditava que teria um milhão de votos. Mal chegou a 169 mil votos. Uma decepção enorme para o ex-presidente do Brasil, que logo viu que seu amigo não tinha a popularidade que aparentava ter.

Daí a decisão de Andrés não se expor, não tentar voltar à Câmara Federal. Se não conseguir ser reeleito, o desgaste ficará mais evidente.

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Pegou muito mal também ao dirigente a ausência de um parceiro famoso e que prometeu que estaria ao seu lado nesta volta. Ronaldo Fenômeno. Andrés assegurou que ele usaria seu conhecimento, sua imagem para trazer patrocinadores ao clube. Só que desde que Sanchez foi reeleito, nada de Ronaldo. Nem com cargo e muito menos sem cargo. 

Até mesmo sua eleição no Corinthians está sendo alvo de investigação. Se houve fraude ou não. O Ministério Público de São Paulo declarou que o sistema de votos não foi "íntegro, seguro e confiável".

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Conselheiros também querem saber porque o clube foi o que disparado mais pagou comissão a empresários na venda de jogadores. A CBF divulgou que no período entre abril de 2017 e março de 2018, foram pagos R$ 12 milhões a agentes. O São Paulo, com R$ 4,4 milhões e o Santos, R$ 4 milhões, estão na segunda e terceira colocação. Muito distantes do Corinthians.

Andrés Sanchez ainda tem o comando das principais torcidas organizadas corintianas. As mesmas que o sustentaram nestes 11 anos de poder absoluto no Parque São Jorge. 

Mas suas decisões deixaram de ser só aplaudidas.

Passaram a ser questionadas.

E ele terá de fazer o que menos gosta.

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Se explicar.

Principalmente seus fracassos nestes seis meses.

O poder de Andres Sanchez deixou de ser absoluto.

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