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Seleção colocará a 15ª escalação diferente de Ancelotti contra a Escócia. Italiano busca formar um time em plena Copa do Mundo. Algo muito perigoso

O Brasil paga o preço por não ter conseguido dar um ciclo de trabalho para Ancelotti. A França está há 14 anos com Deschamps. Scaloni está há sete com os argentinos. As cinco Champions que o italiano ganhou foi com equipes bem estruturadas, havia forma definida de jogar. Tudo o que a Seleção não tem. E busca durante a Copa. Por isso, tantos momentos instáveis

Cosme Rímoli|Do R7

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Ancelotti faz com a Seleção o inverso de sua fórmula vencedora nos clubes. Mudanças constantes trazem instabilidade e falta de entrosamento entre os jogadores Divulgação/CBF

Miami, Estados Unidos

Quinze escalações.


Quinze times diferentes para começar as partidas da Seleção sob o comando de Ancelotti.

Entrosamento é algo básico do básico no futebol.


Os jogadores precisam saber como os companheiros atuam. A movimentação. Como melhor recebem um cruzamento, baixo rasteiro e forte na ‘primeira trave’ ou alto, aberto, na ‘segunda trave’.

O sistema de marcação na intermediária. Se vão para os duelos pessoais contra os adversários ou se atuarão ‘em zona’.


Enfim, inúmeros detalhes que formam uma equipe competitiva, vencedora.

“Nós nem nos olhávamos. Podíamos jogar de olhos fechados. Já sabíamos onde cada um estava. E como queria a bola”, já brincou com o blog, Edu, revelando como era atuar no Santos, melhor time da história.


Ancelotti se viu diante de um grande impasse.

Ele aceitou ser treinador da Seleção Brasileira, pentacampeã do mundo, mas percebeu duas coisas.

Não teria o mesmo tempo dos clubes para impor a sua maneira de jogar, com variações táticas, diante do adversário.

Ele já foi campeão da Champions League com times arrasadores e com equipes que viveram de contragolpes.

E ele decidiu não definir um estilo para a Seleção durante a Copa.

“Monto meu time levando em conta o adversário. Daí o Brasil não jogará de forma definida”, responde em tom sério, quando é perguntado sobre o entrosamento.

A segunda coisa que descobriu é os jogadores estão estranhando essas adaptações rápidas. Fazem tudo o que ele pede, mesmo sabendo que não vão render.

“Eu sei que jogo melhor no meio. Mas se o Mister me colocar, como colocou na estreia, pela direita, vou jogar. E não reclamar”, disse Paquetá.

Acontecerá o mesmo amanhã, aqui em Miami, quando o técnico apelará para outro jogador desde o início da partida, sem Raphinha.

E ainda deverá ter pela primeira vez Neymar, entrando no segundo tempo.

“É algo que o Ancelotti não teve como fugir. Ele testou jogadores e está decidindo pelo melhor time, na visão dele, partida por partida. Nós acatamos o que ele decidir”, resumiu o vivido Danilo.

“Nós sabemos que não estamos no nosso clube, onde treinamos todos os dias com os mesmos companheiros. O que temos de fazer com a Seleção é apressar esse processo nos treinos.

“E muita conversa. Para um entender como o outro gosta de jogar. Esta é a nossa realidade na Copa. E está dando certo. Nosso time evoluiu contra o Haiti”, resumiu Bruno Guimarães.

A última vez que o Brasil repetiu uma escalação foi ainda no tempo de Dorival Júnior, em março de 2025.

Ancelotti convocou até agora 61 jogadores.

Colocou 58 nas suas 14 partidas.

O treinador italiano jamais havia dirigido um selecionado.

Ainda mais em uma Copa do Mundo.

A troca constante é uma estratégia perigosa.

Sujeita a brancos, à insegurança dos atletas.

Mas a escolha é toda sua.

Por sua conta e risco.

É algo perigoso.

Todos os cinco título que o Brasil conquistou teve trocas de atletas.

Mas não de sistemas constantes, quanto Ancelotti está fazendo nesta Copa.

Só que é assim que ele decidiu que será seu batismo, aqui nos Estados Unidos.

Na primeira partida, no esquema com quatro atacantes, diante do Marrocos, escapou da derrota.

Na segunda, contra o Haiti, o time fez 3 a 0, o Brasil estava muito mais equilibrado, no 4-3-3.

A esperança é que repita ao menos o esquema amanhã, contra a Escócia, precisando vencer e, se possível, goleando para assumir a primeira colocação no grupo C.

Para não sair da tranquilidade de sua concentração em New Jersey. E ter de jogar a sobrevivência, no primeiro mata-mata em Monterrey, no México.

Montar uma equipe que surpreenda o adversário virou quase diversão a Ancelotti.

O problema está no entrosamento.

Mas é o italiano quem manda...

Veja também: Seleção Brasileira encerra preparação para enfrentar a Escócia

Com o grupo completo, Carlo Ancelotti fez os últimos ajustes para a partida final da fase de grupos da Copa do Mundo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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