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Neymar no banco, pronto fisicamente para jogar. O Brasil no sufoco. Ancelotti não o colocou um minuto sequer. Mostrou que prioriza a Seleção

Ancelotti foi claro antes do jogo. Deixou escapar a frase que resumiu o que aconteceu ontem, aqui em Houston. Neymar entraria ‘dentro das circunstâncias’. O Brasil empatava até os 50 minutos do segundo tempo com o Japão. Ele não entrou

Cosme Rímoli|Do R7

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Fosse qualquer outro técnico, empatando com o Japão em jogo eliminatório, não resistiria. Teria colocado Neymar. Ancelotti, não Reuters/Marco Bello

Houston, Estados Unidos

Depois de duas horas e meia, após a vitória do Brasil diante do Japão, Neymar é o primeiro jogador a passar pela ‘zona mista’, corredor grande onde ficam jornalistas do mundo todo, para entrevistas.


A zona mista do estádio NRG, aqui em Houston, é apertada. Estava repleta de brasileiros.

Ele, que foi tão solícito e emotivo depois da vitória do Brasil contra a Escócia, estava diferente.


Andava rápido, não se importava com os pedidos insistentes por entrevistas.

“Neymar, uma mensagem para o povo brasileiro, por favor”, gritou um repórter mais ansioso.


O camisa 10 do Brasil só olhou para ele.

E foi embora em silêncio.


Talvez aquele silêncio tenha dito muita coisa.

Pela primeira vez em uma Copa do Mundo, ele, pronto para atuar, sem problema algum, tendo jogado há cinco dias, por 16 minutos, é deixado no banco a partida inteira.

Ancelotti priorizou a equipe em vez do camisa 10, enquanto o Brasil enfrentava pressão contra o Japão Reuters/Phil Noble

Jamais.

Ainda mais com o Brasil empatando com o Japão, até os 50 minutos do segundo tempo, em um jogo eliminatório da Copa do Mundo.

Por mais que Ancelotti dissesse que iria colocá-lo na prorrogação, qual treinador não o colocaria durante a partida? Só o italiano.

“Estávamos esperando o Neymar para a prorrogação. Falei com ele, ele entraria no minuto 60 ou 65.

“Empatamos o jogo e não queria mudar a estrutura porque a equipe tinha o controle do jogo”, disse o técnico.

Sim, para colocar Neymar, Ancelotti teria de mudar o que pensava da partida. Em ter Vinícius Júnior e Martinelli, rápidos, de movimentação intensa no ataque. O que o jogador do Santos não pode mais fazer.

Ancelotti pensou primeiro no time e não em Neymar, como acontecia antes, com outros treinadores da Seleção.

E a situação deve continuar a mesma contra Noruega ou Costa do Marfim, nas oitavas de final, em New Jersey.

Mesmo sendo a sua última Copa do Mundo, Neymar não é prioridade entre os titulares do Brasil. Ancelotti assume não ter a obrigação de escalá-lo ‘para ganhar ritmo de jogo’.

Prefere fazer o Brasil ganhar seus jogos. Lutando e sonhando com o hexa.

Após sair da zona mista sem ter deixado ‘uma mensagem’ para o povo brasileiro, Neymar postou no X.

“Sr. Joachim Klement, favor tentar na próxima Copa.”

Referência ao matemático que previu a derrota brasileira diante do Japão.

Como tudo que Neymar faz, chamou a atenção do mundo, mas sem força suficiente para desviar o foco da atitude firme, correta, pragmática de não o colocar em uma partida com o ritmo intenso.

Ancelotti pensou antes na Seleção.

E depois em Neymar.

Como já deveria ter acontecido anos atrás...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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