Gabigol mostrou na reestreia por que não serviu para a Europa
Atacante joga como se estivesse na década de 80. Futebol mudou e ele ainda não percebeu isso
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

A defesa da Ferroviária foi muito camarada.
Bem diferentes dos times europeus.
Gabriel Barbosa, apelido Gabigol, atacante comprado pela Inter de Milão por R$ 101 milhões, ficou três vezes cara a cara com o goleiro Tadeu, em Araraquara.
Mostrou que precisa evoluir muito, se deseja o retorno à Seleção ou a um grande clube europeu.
Motivos para esquecer como se estufa as redes, tem de sobra.
Em um ano e meio no Velho Continente, conseguiu entrar apenas dez vezes em campo, com a camisa da Inter. Foi para o Benfica, emprestado, cinco partidas apenas e um gol.
No primeiro tempo, recebeu excelente lançamento de Sascha, aos 35 minutos. A péssima defesa de Araraquara, marcando em linha, permitiu que o atacante ficasse na frente do seu goleiro. Mas Gabigol chutou fraco e permitiu a defesa de Tadeu, sem grande sacrifício.
Ele seguiu lento, parado entre os zagueiros, sem participar do jogo. Como detestavam os treinadores europeus, que não admitem essa falta de interesse na partida. Mas aos 20 minutos, Daniel Guedes deu uma arrancada sensacional e procurou Gabigol. Luan errou o tempo da bola. E ela sobrou livre para o atacante. Desta vez, não teve coragem de perder. Gol.
E dancinha para as câmeras de televisão registrar.
Imprensa querendo fazer festa e não analisar tecnicamente a fraca atuação do jogador, vai só falar da bola na rede. A torcida, sem responsabilidade alguma, comemorava apenas.
Porque foi imperdoável o lance que Gabriel participou aos 23 minutos. Recebeu outro presente de Sascha. E lá vai o atacante de R$ 101 milhões livre. Ele, a bola e Tadeu. Em vez de tocar, chutar, Gabigol tenta driblar o goleiro. Só que perde, de maneira displicente, a bola para Tadeu. Lance mais do que infantil.
E que custou caro ao Santos.
Os dois gols desperdiçados custaram a vitória em Araraquara.
E o Santos apenas empatou com a Ferroviária.
Todos vão falar que Gabriel voltou com gol.
E esquecer da fraquíssima atuação.
Dos gols desperdiçados.
Os dirigentes da Inter de Milão e do Benfica não são insanos.
Gabriel precisa tomar um banho de modernidade.
A falta de ritmo não esconde a movimentação improdutiva.
Se sonha em voltar jogador de Seleção e de grande clube europeu...
Precisa evoluir.
Ele tem apenas 21 anos.
Não adianta repetir que está há muito tempo sem jogar.
Para correr, se movimentar, não precisa estar atuando.
Ele segue com um privilegiado por aqui.
O jogador da década de 80 que espera a bola no pé.
Mostra vícios perigosos, comprometedores.
Não tem a mínima intensidade.
Não participa da partida.
Aqui no Brasil, com o nível do futebol baixíssimo, será uma estrela.
Só que para Tite e para técnicos europeus, Gabriel está esquecido.
Não é à toa.
O pior que o Santos pode fazer é seguir mimando seu atacante.
Seguir reservando a camisa 10, que era de Pelé.
Ele tem de ser muito cobrado.
Seu potencial está perdendo para a falta de comprometimento com o time.
Esse é o pecado que o fez voltar da Europa.
Com o carimbo da pior contratação da Inter nos últimos dez anos...













