Flamengo não demite Ceni. Mais dez jogos como sobrevida
Diretoria se reuniu por horas. E chegou à conclusão que Rogério Ceni merece seguir no clube. Pelo menos até acabar o Brasileiro. Mas exige resultados
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Foram horas de reunião.
Conversas, cobranças, questionamentos.
E a diretoria do Flamengo resolver dar uma sobrevida a Rogério Ceni.
Mesmo com as frustrantes derrotas para o Fluminense.
E diante do Ceará.
Equipes com elencos muito fracos.
Ele terá dez jogos para provar que tem condições de ser treinador do Flamengo.
Foram vários fatores que salvaram o emprego do técnico.
O primeiro é seu empenho acima do normal. Morando no Ninho do Urubu, treinando até não poder o time. Finalizações, bolas paradas. Mostrando movimentação dos adversários. Passando madrugada vendo jogos dos rivais.
Nem Jorge Jesus teve tanta dedicação.
Outro fato está nas falhas inacreditáveis de finalização.
Jogadores importantes como Pedro, Gabigol, Everton Ribeiro, Arrascaeta estão perdendo gols fáceis, cara-a-cara com goleiros rivais.
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Outra situação que pesa a favor de Ceni é o pouco tempo de trabalho.
Com o eloquente vice Marcos Braz à frente de sua defesa, Rogério detalhou que não teve pré-temporada para impor o que pensa de futebol, encontrou o time com falhas estruturais. De posicionamento, sem confiança.
Herança de Domènec Torrent.
A postura dos jogadores, querendo a permanência de Ceni, foi fundamental para que o treinador não fosse demitido hoje.
Principalmente os líderes do time: Diego Alves, Filipe Luís, Diego. Rodrigo Caio. Ele são completamente a favor da manutenção do trabalho.
O homem que dá a palavra final, o presidente Rodolfo Landim, acredita que nova troca de comando, apenas 12 jogos de Ceni como técnico, perturbaria o ambiente. E não haveria como contratar um grande treinador para os jogos finais.
Mas Landim e toda a diretoria não estão satisfeitos com os resultados do Flamengo sob o comando de Ceni.
O clube perdeu muito dinheiro com as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores.
Jogadores foram desvalorizados.
Landim acreditava que, só com o Brasileiro, o time tinha tudo para assumir a liderança e conquistar o bicampeonato.

Apesar de levar em consideração as desculpas que ouviu, Landim quer a reação imediata do Flamengo. Brigando para valer pelo título nacional.
Vaga na Libertadores apenas, não consola.
O aproveitamento é pífio.
Apenas 44%.
Em 12 jogos, quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas.
Os dirigentes também discutiram os rumores de que os jogadores estão dando muita opinião na escalação e até nos horários de treinos do time. Mais deprezo de Ceni por atrasos dos atletas nos treinamentos.
O treinador negou.
E também garantiu que não há jogadores irritados com ele.
A principal desconfiança é em relação a Gabigol, reserva contra o Ceará.
O treinador teria explicado que desejava surpreender o time de Guto Ferreira, com jogadas aéreas, com Pedro.
Mas não deu certo.
Ceni garantiu ter o controle do grupo.
Há uma semana até a próxima partida.
Tempo para treinar.
Segunda-feira, diante do Goiás, em Goiânia.

A resposta, com uma vitória, diante da equipe mergulhada na zona do rebaixamento, é obrigatória.
Enquanto isso, a diretoria promete fazer sua parte.
O clube ainda deve as premiações da Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca de 2020.
Situação que incomoda demais os atletas.
Estar em dia com os atletas, sempre, era uma das promessas de Landim, antes de ser eleito.
Atrasar os prêmios de três conquistas é inconcebível.
Em fevereiro, as conquistas da Recopa e Supercopa do Brasil farão um ano.
É um vexame dos dirigentes.
E só atrapalha o trabalho de qualquer treinador.
De qualquer forma, Ceni está avisado.
Terá dez jogos de sobrevida.

Mas o melhor que tem a fazer é montar sua equipe para vencer o Goiás.
Em caso de nova derrota, seus dez jogos podem se transformar em apenas um.
Ceni sabe muito bem dessa situação...
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