Felipão começa a salvar a aposta de R$ 62 milhões. Lucas Lima
Nenhum jogador na história teve um contrato tão alto neste país. Nem Ronaldinho, Kaká, Romário. O Palmeiras precisava da reação do meia
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
"O Lucas Lima tem tido uma evolução e uma vontade no treinamento.
"Quando entra nos jogos, sabemos que ele pode render. No treino, ele modificou desde que chegamos e vimos algumas estatísticas de resultados de treinos e modificou para muito mais.
Recebendo mesada, como um garoto, Neymar não vai amadurecer
"Quando ele modifica para muito mais, a gente já vê situações que ele pode participar mais, do início do jogo, ou para alguns jogos tirando alguém de contenção.
"Ele está ganhando espaço por sua determinação e qualidade.
"O Lucas tem melhorado muito sua condição física, sendo que nos testes e nas medidas do nosso departamento de fisiologia, ele é um jogador que está em pleno desenvolvimento de sua capacidade. Mudou muito, e mudou também porque nós queremos aproveitar o Lucas dentro das características dele.
"Não é um jogador que faz a mesma coisa que o Felipe Melo, o Moisés, o Bruno Henrique. Se somos uma equipe, temos que trabalhar em equipe e jogar de uma forma que dê essas situações vantajosas para ele."
Luiz Felipe Scolari tem essa maneira de falar em círculos, superficial, quase incompreensível de propósito, quando não quer se aprofundar em um tema.
Deixa dupla, tripla interpretação, de propósito.
Fala palavras chaves, mas não se aprofunda.
Deixa os jornalistas, os repórterer tirarem suas conclusões.
Se elas forem pesadas, 'não foi ele quem disse'.
Há mais de 36 anos, quando se tornou treinador, age igual.
Nos clubes, na Seleção Brasileira, Portuguesa, na China.
Ou seja, oito anos antes de Lucas Lima nascer.

E o meia é um assunto mais do que delicado no Palmeiras.
Ele é o jogador mais caro da história do futebol brasileiro.
Jamais algum clube se comprometeu a pagar tanto por um atleta durante o período vigente de seu contrato.
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Ronaldinho Gaúcho, Romário, Kaká, Guerrero, Ronaldo Fenômeno. Ninguém chegou aos valores que o Palmeiras se dispôs a gastar no meia esquerda, que chegou a treinar no time B palmeirense, em 2011.
Não ficou no clube porque se recusou a aceitar três anos de contrato recebendo R$ 5 mil mensais. Foi a melhor decisão financeira que um atleta nascido neste país já tomou.
Porque sete anos depois faria um contrato fabuloso.
E que envolve quantia incrível.
O garante no Palestra Itália até os 33 anos.
Dura cinco anos, portanto.
Seus salários começaram com R$ 600 mil em 2018.
Aumentam R$ 50 mil por ano.
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Mais R$ 15 milhões de luvas divididas nos 60 meses de contrato.
R$ 15 mil cada vez que entra no gramado com a camisa do Palmeiras.
Mesmo que saia do banco de reservas, como foi ontem contra o Botafogo.
Fora bichos por vitórias e empates.
O Palmeiras pagou R$ 5 milhões em comissões.
O pai de Neymar, agente do jogador, ficou com R$ 4 milhões.
Seu contrato, se cumprido até o final, chegará a cerca de R$ 62 milhões aos cofres verdes.
Desde que foi contratado, fez 43 partidas, oito gols e nove assistências.
E é reserva de luxo.

Ele já foi pauta de assunto entre Alexandre Mattos, Mauricio Galiotte e Felipão.
O executivo e o presidente do clube sabem que o investimento foi imenso.
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Até o final de 2018, Lucas Lima terá recebido entre R$ 10,5 milhões.
Aos 28 anos, sem se firmar como titular no clube, abandonado pela Seleção Brasileira desde 2017, ele tem as portas fechadas dos grandes clubes europeus. Se estivessem abertas, o pai de Neymar teria o teria levado para lá. Não conseguiu.
Conselheiros ligados a Galiotte garantem que, daqui duas temporadas, o destino do jogador será a China, que o cobiça há pelo menos quatro anos. E o Palmeiras recuperará grande parte do que comprometeu.
Mas isso só acontecerá se Lucas Lima se firmar na equipe.
E era algo que parecia impossível com Roger Machado.
O ex-treinador queria que ele colocasse seu talento a favor da modernidade. Fosse a referência na saída de bola, corresse de intermediária a intermediária, acionasse os atacantes e, não se esquecesse de maneira alguma, da recomposição. De marcar forte.
Fizesse tudo isso, Lucas Lima seria titular do Real Madrid.
Evidente que não deu certo.
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O meia até que tentou.
Mas tudo o que conseguiu foi se desgastar com a torcida, com a imprensa, perder a confiança. Desde garoto, está acostumado a atuar do meio para a frente, sem precisar recuar para receber a bola na intermediária do seu time. Ficar tão longe da área adversária. Além disso, detesta e não sabe marcar para valer, dar carrinho, no máximo, cercava os volantes rivais, como fazia no Santos.
Estava sempre inteiro fisicamente ao receber a bola.
Com Roger, ele estava desgastado de tanto correr.
E improdutivo.
Felipão é muito mais simples, mais ortodoxo.
Viu no meia canhoto semelhanças com Alex.
Com vantagens e desvantagens.
O ex-jogador era mais talentoso, driblador, tinha mais visão de jogo.
Só que Lucas Lima é mais ágil, leve.
E se assemelha no poder de definição, nos arremates.
Nos lançamentos.

Alex rendeu tanto na sua primeira passagem pelo Palmeiras, entre 1997 e 2000, porque Felipão o preservava fisicamente.
César Sampairo, Rogério ou Galeano e Zinho.
Os três corriam pelas intermediárias para Alex brilhar.
Lucas Lima brilha, faz 2 e define vitória do Palmeiras sobre Botafogo
Lucas Lima precisa de algo parecido.
E foi o que fez Felipão, ontem na melhor noite do meia com a camisa verde.
Diante do limitado e encolhido Botafogo, na arena palmeirense, o treinador tirou Bruno Henrique. Fez com que Felipe Melo e Moisés se preocupassem com os contragolpes.
O meia ficaria preocupado apenas com o ataque.
Principalmente pelo lado direito, para poder arrematar cruzado, de esquerda.
Sem precisar voltar para receber a bola dos zagueiros, correr pelas intermediárias, articular para os atacantes e ainda marcar forte sem a bola. Algo que exigiria preparo físico excepcional, digno de maratonistas.
Vale destacar que Lucas Lima melhorou muito fisicamente com a chegada de Felipão. Está sendo mais exigido. Perdeu massa gorda. Está mais forte.
Só que tudo foi feito para que explore seu potencial onde mais rende, na intermediária adversária.
Com isso, ele está recuperando a confiança.
Ídolos enaltecem mudança de ambiente do Palmeiras com Felipão
Com Roger, sem render, estava ficando marcado pelos torcedores.
As vaias, os palavrões já viravam constantes.
E via que estava perdendo espaço.
A concorrência é forte, principalmente depois da chegada de Gustavo Scarpa.
Ele viveu ontem a melhor noite no Palmeiras.
No primeiro gol, um maravilhoso sem pulo, encarou a torcida.
A mesma que o xingava, vaiava, frustrada com seu fraco rendimento, nestes primeiros meses de Palmeiras.
Mostrou que saiu do banco para mudar o destino do jogo.
Já no segundo, uma falta que surpreendeu a todos, principalmente o promissor goleiro Saulo.
Se deu ao luxo de comemorar, extravazar.
Deixar sua alma celebrar.
Mas o platinado meia sabe.

Deve a alegria à chegada de Felipão.
A visão mais simples do técnico facilitou sua vida.
Além da compreensão que está está entrando no terço final da carreira.
Dinheiro e reconhecimento exigem total dedicação aos 28 anos.
Mas também atuar da maneira que mais renda ao time.
Finalmente a vida parece estar mudando.
O investimento pode se justificar.
E Lucas Lima encontrar de vez seu lugar com a camisa verde...
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Weverton chegou ao Palmeiras em dezembro de 2017 com a missão de ocupar uma vaga bem disputada no time. Afinal, dois ídolos da torcida já brigavam pela posição: Jaílson e Fernando Prass. O goleiro de Rio Branco, do Acre, foi para o banco, teve paciência e a hora dele chegou. Na volta da Copa, Roger Machado o transformou em titular e Felipão manteve. Agora, ele está a oito jogos sem levar um gol. O Weverton de dentro das quatro linhas é conhecido do palmeirenses e da torcida do Brasil, foi o titular na campanha do ouro olímpico em 2016. E como é o goleiro fora de campo? Confira a seguir a vida do pai, marido e filho Weverton



























