‘Estamos orando por Neymar’, revela Douglas Santos. Jamais a Seleção assumiu tamanha dependência na história das Copas. Nem de Pelé...
Lateral assume o que os jornalistas sentem aqui nos Estados Unidos: o medo do time jogar sem Neymar. ‘Quando o Pelé se machucou, assumimos a responsabilidade’, disse Edu, relembrando a Copa de 1966

Direto de New Jersey, dos Estados Unidos.
“Estamos orando por ele.”
A frase de Douglas Santos foi direta.
Sem dupla interpretação.
Os jornalistas que estavam no hotel The Ridge se entreolharam.
Era muito sério o que o lateral-esquerdo do Zenit assumia publicamente.
Usando a fé, ele e outros jogadores da Seleção estão orando para que Neymar se recupere do estiramento, que rompeu o músculo da panturrilha direita.
E o que o impede até de treinar com os companheiros, colocar suas chuteiras número 40, com os nomes de seus filhos, com a frase ‘Tudo Passa’, avaliada em R$ 4 mil.
Não, ele não treinou hoje também, quando Ancelotti, percebendo a tensão que domina os brasileiros, liberou a visita dos familiares na concentração.
Não enfrentará o Haiti, sexta-feira, na Filadélfia.
O time que representa o Brasil está absolutamente dominado pela sombra de Neymar.
Jamais houve Seleção tão dependente, a ponto dos atletas assumirem orar pela recuperação de lesão de um companheiro.
Nem mesmo Edson Arantes do Nascimento, Pelé.
Com a palavra, Edu, o espetacular jogador do Santos e companheiro de Pelé nas Copas de 1966 e 1970.
“Foi marcante para nós. O Pelé já era o Rei. Era fundamental na nossa seleção.
“O que aconteceu foi que as regras do futebol não eram rígidas. E a Copa de 1966 foi um massacre para cima dele.
“Começou com a Bulgária, depois com a Hungria, e, principalmente, Portugal. O Morais e o Coluna desceram o porrete nele. Não tinha substituições. Ele não conseguia nem andar. Mas ficou em campo.
“O que o nosso time fez? Fomos para cima, lutamos, sem medo. Se ele não podia correr, o time correu , brigou. Ninguém ficou lamentando, não, por não ter Pelé
“Jogador de Seleção precisa ter personalidade. Eu vejo todo mundo repassando o destino do Brasil para o Neymar. Não me conformo.”
As palavras duras, diretas são de Edu.
Em junho do ano passado, ele deu uma longa entrevista ao canal Cosme Rímoli. Fui buscá-lo e levá-lo com meu carro. Conversamos muito sobre Neymar no trajeto entre São Paulo e Santos.
“Essa dependência me irrita. Nunca vi isso. Os técnicos até estimulam porque é bom para eles.
“O Neymar serve de escudo para essa gente. Se o Brasil ganhar a Copa, tudo será dividido. Se perder, vão cobrar dele.
“O Neymar está sozinho. O Pelé, que foi o melhor de todos, sempre teve parceiros importantes. No Santos. E nas Seleções que ganharam as três Copas.
“Mas o que me incomoda é a dependência assumida dos jogadores da Seleção atual do Neymar.
“A culpa não é dele, de tudo que já fez no futebol.
“Mas da postura dos outros jogadores.
“Assim é fácil. Tudo é com ele. Será assim na Copa. Pode me cobrar.”
Edu foi visionário.
É o que está acontecendo aqui nos Estados Unidos.
Neymar é o líder técnico, maior talento desta geração de atletas.
Mas não pode ser visto como ‘dono da esperança’.
Da conquista ou não do hexa.
Mas é assim que está sendo tratado.
Até mesmo por Ancelotti, que o convocou contundido.
Nem Pelé teve esse tratamento.
“A explicação é a carência de talento no atual futebol brasileiro”, arrematou Edu.
Ele segue genial aos 76 anos...














