Dorival Júnior. Bom treinador e sua triste sina de tapar buracos
Ida de Dorival para trabalhar por 12 jogos no Flamengo é a vitória do improviso. Algo inconcebível para a modernidade do futebol.
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
"Não sei porque se faz contrato anual, deveria ser semanal. Fiz contrato como Santos para dois anos, fiz bom trabalho e saí com onze meses.
"Pode ser o técnico mais famoso do mundo, se perder três seguidas, cai ou fica balançando. É o imediatismo."
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Você fala em imediatismo, mas aceitou dirigir o Fluminense por seis rodadas no final do Brasileiro.
"Mas eu corri o risco. Sabia que não teria tempo de fazer um trabalho a longo prazo, era coisa imediata. . Dirigi por seis rodadas, ganhamos três, empatamos duas e só perdemos uma."
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Mas você não continuou. Por quê?
"Não sei. Juro que não sei."
Qual a solução?
"O trabalho só vai ser bom se o treinador puder montar o time e tiver tempo para treinar. Sem isso, não tem jeito. As coisas só vão piorar."
Estes são trechos de uma entrevista importante que Dorival Júnior deu ao meu amigo Menon, do UOL.
Ele estava desempregado e deixava claro que não só o seu trabalho, mas os de qualquer treinador de futebol só será "bom se o treinador puder montar o time e tiver tempo para treinar. Sem isso, não tem jeito. As coisas só vão piorar."
Palavras cunhadas por ele e que foram publicadas no dia 2 de fevereiro de 2014.
Quatro anos e sete meses depois, o próprio Dorival Júnior assina contrato do dia 29 de setembro até o dia 31 de dezembro com o Flamengo. Na prática, terá 12 partidas para garantir o clube, quarto colocado do Brasileiro, na Libertadores de 2019. Ou, se possível, fazer a equipe campeã nacional, possibilidade que nem o mais otimista dirigente rubro negro acredita.
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"Vim consciente de que nessas 12 partidas teremos uma Copa do Mundo ampliada. Momento importante para o clube, espero poder contribuir naturalmente com tudo aquilo que preparamos e vivenciamos nos ultimos anos. Que possa contribuir com esse grupo.
Será fundamental que tenhamos um postura de uma equipe que realmente queira alcance de resultados. Tiro curto, sim, sei disso, e me sinto preparado para um momento desse. Farei o máximo possível para chegar os objetivos", disse na coletiva da manhã deste sábado, dia de estreia no comando do time, diante do Bahia, em Salvador.

Lógico que Dorival foi perguntado sobre estar fazendo o que pregava ser contra. A sua resposta denuncia o que Raul Seixas batizou de Metamorfose Ambulante.
"Ainda que contrarie o que pregamos de duração (de trabalho), é um momento diferente. Sinto que é um desafio grande. Mas, acima de tudo, um desafio que instiga qualquer profissional. Principalmente, estar à frente de uma equipe como a do Flamengo."
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Ou seja, por ser um 'desafio grande e o convite para o contrato de risco vir do Flamengo', aí pode. A lógica de um trabalho profundo, de selecionar o elenco, impor sua melhor estratégia, criar um conjunto confiável, sem improviso, não vale.
Dorival Júnior tem currículo, trabalho e seriedade para não servir como técnico tampão. Ele sabe muito bem que tanto a situação quanto a oposição querem que o Flamengo tenha outro treinador a partir de janeiro. Vença qual lado for em dezembro. O nome para o novo comandante da Gávea é Renato Gaúcho.
Dorival Júnior não tem nada de ingênuo.
Sabe que suas chances de continuar em 2019 são remotíssimas.
Por mais que a diretoria gremista quer a sequência de Renato Gaúcho, a tendência é que ele vá trabalhar no Rio.
Portanto, Dorival quer aproveitar esses 12 jogos, que espertamente batizou de sua Copa do Mundo, para mostrar ao futebol brasileiro que ele segue sendo um grande treinador. E que o seu último trabalho, no São Paulo, foi prejudicado pelo elenco, com vários jogadores lentos, sem competitividade. Aguirre recebeu os reforços que ele tanto pediu.
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A medida que seria fundamental para resgatar a credibilidade dos treinadores e impor responsabilidade aos dirigentes seria a imposição de uma 'quarentena'. O treinador só poderia trabalhar em um clube só durante a temporada. Caso fosse demitido, ficaria de quarentena, sem trabalhar até a próxima.
Em 2016, a CBF estudou essa possibilidade para o Brasileiro. Técnico que ficasse mais de sete jogos em um clube, se fosse demitido, não trabalharia em nenhum outro até o próximo Brasileiro.
Os dirigentes da maioria absoluta dos clubes abortou a ideia.
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Até mesmo treinadores não quiseram.
Ou seja, o sistema deseja que o improviso perdure.
Demitir técnico seguirá sendo o escudo de dirigentes incompetentes, que não souberam, por exemplo, montar um grande elenco.
E ficar à disposição para assumir um trabalho a caminho da falência segue sendo lucrativo, para quem estava desempregado.
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Dorival Júnior, treinador muito bom, vencedor de sete Estaduais e uma Copa do Brasil, não assumiu só o Fluminense no finalFez a mesma coisa com o Palmeiras, ficou 20 jogos. Com seis vitórias, cinco empates e nove derrotas. Com elenco fraquíssimo. Salvou o time do rebaixamento em 2014. E foi demitido, não ficou em 2015, apesar da promessa do então presidente Paulo Nobre.
Fez estágio na Europa, se atualizou.

Agora, assume o Flamengo faltando só 12 rodadas.
Com gigantescas possibilidades de não seguir em 2019.
Infelizmente esta a realidade dos treinadores brasileiros.
Na teoria sabem o quanto precisam de tempo para trabalhar.
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Impor uma filosofia de jogo leva meses de convívio.
Mas, por sobrevivência, fazem o contrário do que pregam.
E o futebol brasileiro patina, estagnado...
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Todo ano a história se repete! Basta o time começar a ter problemas no Campeonato Brasileiro que o treinador é trocado. Além das demissões, alguns técnico receberam propostas melhores e seguiram a carreira. Veja a lista completa dos clubes da Série A que mudaram os treinadores no Brasileirão 2018








































