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‘Dei minha alma pelo Corinthians. Fui para a cadeia injustamente. Sou um homem sério.’ Exclusiva com Zé Elias

O jogador, que foi exemplo de dedicação, garra e bom futebol no Corinthians, conta detalhes da sua carreira. Ida à Seleção. A perda da medalha de ouro com um time com Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos. Além dos 30 dias que esteve preso. E como se transformou em excelente comentarista na ESPN/Brasil

Cosme Rímoli|Do R7

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Zé Elias e sua profunda relação com o Corinthians. Virou um dos grandes ídolos do clube DJALMA VASSAO/ESTADÃO CONTEÚDO — 15.07.1995

Seriedade.

Essa palavra marca a vida de José Elias Moedim Júnior.

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Desde quando era criança no futebol de salão entendeu que não havia espaço para brincar, quando, por talento e força física, tinha de enfrentar garotos mais velhos. Aprendeu desde cedo a colocar a alma nas divididas, assim que entrava nas quadras. Percebeu que seu sacrifício físico se refletiria nas vitórias do Corinthians e no bem-estar financeiro da família. Trouxe enorme responsabilidade para sua vida incompatível com um adolescente comum. Psicologicamente era mais velho do que o RG refletia.

“Para mim, os jogos eram guerras. O futebol não era um simples divertimento para um garoto. Mas maneira de sobreviver. Eu representava a minha família. A chance de uma vida melhor. Hoje entendo o quanto era pesado, mas sempre tive essa noção. Daí a seriedade nos treinos, nos jogos. E essa ligação familiar logo foi transferida para o Corinthians, o meu clube, que virou a minha segunda casa. Lutava até o último segundo pela vitória. Não me conformava com a derrota. Era uma questão de honra.”

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Zé Elias, que se tornou símbolo de garra corintiana, era muito habilidoso no futebol de salão. Foi uma das estrelas do colégio João XXlll, da Penha, que acabou com a hegemonia do Olavo Bilac na famosa Copa Dan’Up, que a tevê Jovem Pan transmitia. “Comecei no Corinthians aos quatro anos no futebol de salão, até os 12 anos. A partir daí, jogava campo e salão. Com 14 anos passei a jogar campo no Corinthians e futsal na GM. Saía às seis da manhã e voltava a uma da manhã. Meu apelido na GM era ‘Trapo’ porque a roupa que saía para a escola estava toda amarrotada à noite.’

Sem dinheiro para lanches, levava quatro maçãs, que comia durante o dia. Seu talento e personalidade foram reconhecidos precocemente. Foi um dos jogadores mais jovens a vestir profissionalmente a camisa do Corinthians. “E tive a sorte de encontrar o Mário Sérgio como treinador. Ele falou assim. ‘17 anos para mim é homem. Você vai jogar no profissional.’ Pensei que fosse trote. O Mário Sérgio mudou a minha vida, me orientando. E me deu o conselho que me marcou. Não se intimide diante de ninguém.”

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Zé Elias deu a alma pelo Corinthians. Marcador implacável. E ótima saída de bola. Logo se destacou. Ganhou o apelido de ‘Zé da Fiel’, como se tivesse a garra de um torcedor em campo. Foi para a Seleção Brasileira Olímpica de 1996, com Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Bebeto, Dida.

A melhor seleção olímpica brasileira de todos os tempos. Medalha de bronze... Divulgação/CBF

Foi a melhor equipe nacional em uma Olimpíada, mas o time de Zagallo perdeu a semifinal para a Nigéria. E ficou com o bronze. ‘Ninguém acreditou que perdemos com aquele time, que era incrível. Abrimos 3 a 1 e perdemos por 4 a 3, com o gol de ouro. Foi dolorido demais.’

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Mas seu ótimo futebol tanto no Corinthians como na Seleção o fez ser comprado pelo Bayer Leverkusen. ‘Não tive como dizer não. Foi assim. Ou você vai, ou ficará treinando em separado. Naquela época, em 1996, tinha o passe. Fui obrigado a ir.”

Fez questão de aprender alemão. Se destacou.

Foi contratado pela Inter de Milão, um dos melhores clubes do mundo, na época, e reencontrou Ronaldo Fenômeno. ‘Tive de marcar os melhores jogadores do mundo. O pior deles? Zidane. Era genial.’

Foi injustiçado pela Seleção Brasileira.

Atuou no Bologna, Olympiakos, Genoa. E voltou para o Santos, onde ganhou o Brasileiro. Foi um dos melhores ex-jogadores a fazer a transição para comentarista. Na rádio Globo fez uma dupla sensacional com o narrador Oscar Ulisses. Fora de campo, ganhou as manchetes policiais por ficar preso 30 dias, por não pagar pensão à ex-mulher.

“Sou um homem sério. Os valores cobrados eram de quando eu jogava futebol. Já havia parado. Estavam completamente acima. E a lei foi cumprida. Fui para a prisão, mas segui a pessoa digna que sempre fui. Depois de 30 dias saí. As minhas alegações foram ouvidas e os valores, que eu realmente deveria pagar, foram pagos.” A credibilidade de Zé Elias não foi afetada pela prisão, pelo contrário. Voltou para a rádio e, em 2014, foi contratado pela ESPN/Brasil.

A transição para a tevê foi muito bem feita. E ele consegue mostrar o lado do jogador com enorme competência, sensibilidade e coragem. “Sempre respeito o ser humano, mas tento traduzir onde o atleta acertou e errou. Tudo que vivi me ajuda nesta análise. Sigo sendo honesto comigo e com as pessoas. E respeitando muito o futebol. Que me deu tudo o que tenho.”

A entrevista reveladora e exclusiva está no canal do Cosme Rímoli no YouTube.

A cada semana um personagem importante do esporte deste país...


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